Com cartão Eye-Fi, scanner é uma boa opção para digitalizar cartões de visita e outros documentos, mas só é vendido nos EUA

No ponto em que estamos, a primeira regra da tecnologia deveria estar clara para todos: conforme o progresso avança, os dispositivos ficam menores. Nossos telefones, nossas câmeras, nossos laptops e nossas economias.

Mas há um problema nesse truísmo: Não se pode diminuir indefinidamente algumas coisas. É impossível fazer um forno de microondas menor do que a comida que vai dentro dele, é impossível projetar um tocador de blu-ray menor do que o próprio disco e é impossível criar um scanner menor do que as páginas ou fotos que se quer escanear.

Novo scanner da Xerox, ainda não disponível no Brasil, digitaliza documentos e envia para iPhone, Android ou PC
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Novo scanner da Xerox, ainda não disponível no Brasil, digitaliza documentos e envia para iPhone, Android ou PC
Mas é possível chegar bem perto disso. Várias empresas vendem scanners portáteis que quase se encaixam dentro de um rolo de papel-toalha. São aparelhos finos, de trinta centímetros de comprimento, com uma abertura que puxa fotos e papéis e os expele pela parte de trás. A qualidade da digitalização é surpreendentemente boa, e a velocidade é razoável (cerca de dois segundos por página). A grande desvantagem é que não se pode escanear livros, revistas ou qualquer coisa que não passe pela abertura.

Se você consegue viver com essa limitação, já pode considerar o novo Xerox Mobile Scanner (US$ 250 - disponível apenas nos EUA). Ele usa bateria, funcionando assim, em qualquer lugar (até 300 operações por carga). As digitalizações podem ser armazenadas diretamente numa unidade flash conectada na traseira, num cartão de memória ou em seu computador, através de um cabo USB.

Porém, o que torna o Mobile Scanner realmente útil, é que ele pode ser totalmente sem fio. Não só sem o cabo de energia, mas também sem o cabo para o computador. Ele pode enviar suas fotos ou documentos digitalizados para quase qualquer lugar, como seu iPhone ou celular Android. Ou ainda para seu iPad ou tablet Android e para seu notebook. E até mesmo para um site, onde outras pessoas podem imediatamente visualizar e baixar os resultados.

Eu espero por aqui enquanto você absorve o conceito. Isso significa você: estudante, pesquisador, advogado, agente imobiliário, inspetor, genealogista, artista ou outros coletores de cartões de visita de todo tipo. Agora você pode tirar esse scanner de sua bolsa, alimentar uma foto ou página (de 5 por 5 centímetros a até 21,6 por 29,7 centímetros) e maravilhar-se quando a imagem aparecer em seu telefone, pronta para ser enviada a qualquer um. Ou em seu iPad, seguramente copiada do original e pronta para recuperação instantânea. Ponto para a portabilidade.

Os viciados em tecnologia podem reconhecer certos temas nesta história. Você pode ter ouvido falar do cartão Eye-Fi: um cartão de memória SD tradicional para câmeras que, de alguma forma, contém também circuitos wireless. Insira isso em qualquer modelo de câmera, e ela de repente se torna uma câmera Wi-Fi, capaz de transmitir suas fotos para o computador, telefone ou galerias virtuais como o Flickr.

Ao criar seu Mobile Scanner, a Xerox não tentou reinventar a roda sem fio. Em vez disso, ela trabalhou junto ao pessoal do Eye-Fi para desenvolver uma versão personalizada de seu pequeno cartão mágico. O principal aperfeiçoamento: a versão da Xerox para o cartão Eye-Fi consegue transmitir documentos PDF via wireless, não apenas fotos (vale apontar que a nova versão não deixa de ser um cartão Eye-Fi - quando não se está escaneando, você pode inseri-lo em sua câmera e transmitir fotos sem usar fios).

Ao desembalar o Mobile Scanner em plástico cinza (ele vem com um atraente estojo preto), a única configuração necessária é inserir o cartão Eye-Fi _ um modelo de 4GB _ numa entrada traseira e carregar a bateria embutida do scanner, seja numa tomada comum ou na entrada USB de um computador.
Há apenas dois botões: 'Power' e 'Mode', que lhe permitem escolher o tipo de digitalização desejado - uma foto colorida, um documento PDF em preto e branco ou um PDF colorido.

Após essa seleção, você insere a foto ou papel na abertura frontal. O scanner lhe dá alguns segundos para deixar tudo pronto, e então engole a folha com velocidade e confiança satisfatórias.
Se estiver num dos modos para PDF, o aparelho lhe dará 10 segundos para inserir a próxima folha de um documento. O resultado é um único documento em PDF com várias páginas. Muito bom.

As digitalizações são limpas, alinhadas e nítidas. Seria difícil discerni-las em meio aos resultados de um grande scanner de mesa. A diferença é que, desta vez, elas estão aparecendo na tela do seu celular, tablet ou laptop - e sem fios. Em outras palavras, a Xerox fez um trabalho excelente em produzir sua máquina sólida, simples e competente. Infelizmente não se pode dizer o mesmo de seu parceiro, o cartão Eye-Fi.

Parece que, para cada centímetro de miniaturização desta maravilha, a complexidade do cartão aumentou proporcionalmente. Sua configuração é um exaustivo procedimento que envolve passá-lo diversas vezes do scanner ao computador, alternar entre o site da Eye-Fi e o software específico da empresa para Mac ou Windows. Você acaba inserindo seu usuário e senha da Eye-Fi umas 30 mil vezes.

Para consolidar a união wireless do scanner com o dispositivo de recebimento, ambos precisam estar juntos numa rede Wi-Fi. Para introduzir o cartão Eye-Fi num novo ponto de Wi-Fi, é preciso estar com seu computador.

Algumas vezes é possível usar a rede de casa, do escritório ou da faculdade. Mas e quanto aos lugares onde não houver Wi-Fi? Ou, e se você não estiver com vontade de carregar seu computador para todo lugar?

Felizmente, há outra maneira: 'Direct Mode' (modo direto). Nesse modo, o cartão Eye-Fi cria sua própria rede Wi-Fi, mesmo se você estiver no meio de um campo de futebol ou no topo de uma montanha. Ele não consegue enviar suas digitalizações para a internet, claro, mas o faz sem problemas para seu telefone, tablet ou computador.

Essa, ao que parece, é uma das mais complexas entre as complexidades do Eye-Fi. Se houver uma rede comum de Wi-Fi, o Eye-Fi tentará entrar nela em vez de usar o Modo Direto. Assim que a situação do Wi-Fi estiver resolvida, você pode começar a escanear. Após uma pausa significativa - talvez 30 segundos -, as imagens digitalizadas acabam no software da Eye-Fi, disponibilizado para Mac, Windows, iOS ou Android.

Mas esse software nunca foi projetado para arquivos em PDF; poucas câmeras tiram fotos nesse formato. Então o software exibe os PDFs como miniaturas em branco, o que não é muito prático. Eles representam documentos PDF, que estão dentro de seu disco rígido, em alguma pasta obscura.

As coisas são muito mais fáceis no iPhone/iPad/iPad Touch. Para esses dispositivos com iOS, a Xerox desenvolveu um aplicativo maravilhosamente simples chamado DocToMe. Ele foi feito para receber fotos e documentos PDF do scanner, que já aparecem adequadamente como miniaturas de imagens. Ao tocar em um deles, aparece uma lista de maneiras para processá-lo: Enviar por e-mail, imprimir, enviar ao Dropbox, copiar para a área de transferência, adicionar ao grupo de fotos de seu telefone/tablet ou ainda, abrir num leitor de e-books como o Kindle (a única desvantagem: O DocToMe só funciona em Modo Direto, e não por redes Wi-Fi comuns).

Por falar nisso, existem outros scanners portáteis - que funcionam até mesmo via wireless. Mas a Xerox garante que o Mobile Scanner é o único que digitaliza documentos PDF, via wireless e diretamente.
Conseguir isso pode levar algumas horas - mexendo com as configurações do Eye-Fi, resolvendo problemas de rede, esperando ao telefone com o suporte técnico da Xerox ou da Eye-Fi. Felizmente, ao fim de tudo isso, você estará com um sistema de digitalização simples, automático e extremamente portátil. Sim, dispositivos ficam menores com o tempo. Neste caso, porém, as possibilidades acabam de ficar muito maiores.

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