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Depois de investir na marca CCE com foco em produtos baratos, Lenovo planeja entrada "agressiva" no mercado premium para concorrer com Apple e Samsung

Depois da aquisição da CCE em setembro de 2012, a Lenovo começa a planejar seus próximos passos no Brasil. A empresa chinesa, que assumiu recentemente o topo do ranking de maiores fabricantes de computadores do mundo, lançará seus primeiros smartphones e tablets no País a partir de março de 2014, início do seu próximo ano fiscal.

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"Queremos brigar pelo segmento premium de uma forma muito agressiva. Vamos lançar três ou quatro produtos em cada categoria", diz Humberto De Biase, diretor executivo de marketing da Lenovo no Brasil, em entrevista ao iG . A Lenovo terá smartphones e tablets com especificações avançadas e preço próximo a R$ 2 mil, segmento em que atuam marcas como Apple, Samsung e Sony.

Veja smartphones e tablets da Lenovo vendidos nos exterior:

Para preparar o lançamento, alguns executivos da Lenovo do Brasil já estão na China e outros devem seguir para a sede nos próximos meses para definir quais modelos de smartphones e tablets serão lançados no Brasil. "A gente ficou muito tempo esperando para ter estrutura fabril [no Brasil]. Agora acho difícil ir devagar, a Lenovo tem muita fome", diz De Biase.

Atualmente, a empresa fabrica 14 modelos de smartphones somente na China. O topo de linha é o K900 , smartphone com processador Intel Atom de 2 GHz com dois núcleos, câmera de 13 megapixels com sensor CMOS da Sony e Android 4.1. O produto, anunciado durante a CES 2013 junto com outros cinco modelos também com sistema Android, possui espessura de apenas 6,9 milímetros.

Em tablets, a empresa investe forte em produtos com tela de 7 polegadas, no qual disputa mercado com rivais como o iPad Mini e o Nexus 7 . Na Índia, por exemplo, a Lenovo comercializa quatro modelos de tablets de 7 polegadas e um modelo, com especificações mais avançadas, com tela de 10.1 polegadas. A empresa não informa o total de modelos de smartphones e tablets disponíveis no mercado global.

O motivo é a variedade de modelos disponível em cada país, uma vez que a empresa desenvolve modelos específicos para cada mercado. Esta capacidade de customizar os modelos, de acordo com De Biase, deve ser um dos diferenciais da empresa para concorrer com outras marcas já consolidadas no mercado brasileiro. "Com a fábrica, é muito mais fácil trazer um produto totalmente adequado ao Brasil", diz o executivo.

Desde a aquisição da CCE no Brasil, a Lenovo já investiu cerca de R$ 30 milhões para construir uma fábrica e um centro de distribuição na cidade de Itu, interior de São Paulo, além de R$ 6 milhões para modernizar as plantas da CCE na Zona Franca de Manaus (AM). Atualmente, a empresa produz computadores das duas marcas nas plantas, além dos sete modelos de smartphones e outros oito modelos de tablets com a marca CCE.

Mercado em alta

O interesse da Lenovo em iniciar a venda de dispositivos móveis no Brasil não acontece agora por acaso. Em agosto, de acordo com a consultoria IDC Brasil, os smartphones superaram os celulares básicos em vendas pela primeira vez. Entre abril e junho, os fabricantes venderam 15 milhões de aparelhos no País. No caso dos smartphones, que representaram 54% do total, as vendas foram 110% maiores que no mesmo período de 2012.

A situação é similar no mercado de tablets. De acordo com a IDC Brasil, os fabricantes venderam 1,9 milhão de unidades no Brasil durante o segundo semestre de 2013, o que representa alta de 151% em um ano. Com o desempenho, os tablets passaram a representar 35% das vendas de computadores no Brasil. Na contramão, o mercado de PCs, único em que a marca Lenovo está presente no País, apresentou queda de 10% nas vendas em relação ao segundo trimestre de 2012.

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