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Computador que utiliza processador feito com nanotubos de carbono tem mesmo poder do primeiro chip criado pela Intel, mas demonstra potencial para aplicações futuras

Pesquisadores da Universidade de Stanford (EUA) desenvolveram, pela primeira vez, um computador que utiliza um processador baseado na tecnologia de nanotubos de carbono. De acordo com a revista Technology Review , do MIT (Massachussets Institute of Technology), material possui propriedades eletrônicas que podem permitir sua utilização como alternativa ao silício dos chips utilizados nos computadores atuais.

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A substituição do silício como material-base para processadores será necessária quando os circuitos eletrônicos chegarem ao menor tamanho possível. A redução de tamanho dos chips segue a Lei de Moore, criada por Gordon E. Moore, então presidente da Intel, em 1965. Ela determina que, a cada dois anos, os processadores comportariam o dobro do número de transistores pelo mesmo custo de fabricação.

De acordo com os pesquisadores, o computador que utiliza um processador feito com nanotubos de carbono é simples e lento. Sua capacidade é comparável com a do chip Intel 4004, o primeiro microprocessador desenvolvido pela fabricante em 1971. O computador roda um software simples, que alterna entre tarefas e pode monitorá-las, além de acessar uma memória externa.

O processador feito de nanotubos de carbono é composto de 142 transistores. Cada um deles contém nanotubos que tem comprimento entre 10 e 200 nanometros. (Cada nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. Para se ter uma ideia, um fio de cabelo tem espessura de 100 mil nanômetros.)

Com o computador, o grupo de pesquisadores demonstrou que cada transistor de nanotubos de carbono, com tamanho inferior a 10 nanômetros, são mais rápidos e tem maior eficiência de energia do que qualquer outro material, incluindo o silício. A capacidade do material para dissipar calor também pode permitir que os chips baseados em nanotubos de carbono permitam o desenvolvimento de dispositivos com menor consumo de energia, um dos maiores desafios da indústria.

O uso de nanotubos de carbono na eletrônica, no entanto, ainda precisa superar desafios importantes antes de chegar ao mercado. Segundo os pesquisadores, um terço dos nanotubos criados são metálicos em vez de semicondutores, o que pode causar curto-circuitos. Isso ainda exige que os pesquisadores apliquem um método para revelar quais nanotubos passam por oxidação quando expostos à corrente elétrica.

O desenvolvimento de uma tecnologia alternativa ao silício em processadores se torna crítico à medida que o tempo passa e a Lei de Moore chega mais perto do fim. De acordo com a revista, a Intel prevê que em 2020 a indústria de computadores não será mais capaz de dobrar a densidade de transistores de silício nos processadores, de modo a oferecer maior desempenho e menor custo aos consumidores.

"Estamos cientes que o silício está chegando ao parando de funcionar e que, em 10 anos, chegará ao seu fim. Se os nanotubos de carbono se tornarão uma prática da indústria, isso tem que acontecer rapidamente", disse Victor Zhirnov, especialista em nanoeletrônica da Semiconductor Research Corporation, à revista Technology Review.

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