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Chegada do Android Auto e CarPlay aos modelos de Hyundai e GM não coloca fim aos sistemas proprietários das montadoras, mas deixa claro que será preciso trabalhar em conjunto

AP

Hyundai é a primeira montadora a oferecer o Android Auto, sistema para carros do Google
AP Photo/Jeff Chiu
Hyundai é a primeira montadora a oferecer o Android Auto, sistema para carros do Google

Enquanto os olhos estavam voltados para o Google I/O, evento para desenvolvedores do Google que aconteceu na quinta-feira (28) e na sexta-feira (29) em São Francisco, Califórnia, nos Estados Unidos, em Detroit, o mesmo Google dava um passo importante para outra corrida tecnológica: a dos carros. 

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Na terça-feira (26), a Hyundai anunciou que já é a primeira montadora a oferecer o Android Auto, sistema para carros do Google. No mesmo dia, usuários de smartphones Android que possuem um Sonata 2015 podiam passar na concessionária mais próxima para baixar o sistema gratuitamente. Os motoristas precisam ter um Sonata com a navegação, recurso que faz parte de um pacote de tecnologia opcional. Em breve, o Android Auto estará disponível em outros modelos da Hyundai.

O Android Auto se conecta ao smartphone do usuário, dando acesso a determinados aplicativos, como o Google Maps ou o Spotify, ao comando por voz, controle sensível ao toque na roda de direção ou a gráficos no painel de instrumentos. Além disso, a plataforma bloqueia o telefone para chamadas enquanto o usuário estiver dirigindo para ajudá-lo a manter os olhos na estrada.

Um iPhone é conectado a um Chevrolet Malibu 2016 equipado CarPlay, da Apple
AP Photo/Paul Sancya
Um iPhone é conectado a um Chevrolet Malibu 2016 equipado CarPlay, da Apple

O Google diz que o Android Auto estará em modelos de carros 2016 de 28 marcas diferentes. Já a Hyundai diz que espera oferecer a versão da Apple, o CarPlay, em algum momento em breve.

Também em Detroit, a General Motors anunciou que ambos os sistemas estarão disponíveis em sete modelos 2016. O sistema da Apple aparecerá em sete modelos Chevy adicionais.

Especialistas dizem que a mudança para os sistemas concebidos no Vale do Silício é uma admissão das montadoras de que as pessoas preferem a forma como seus smartphones funcionam ao invés das telas sensíveis ao toque e do funcionamento do comando de voz criados pelas montadoras. Os sistemas internos custaram milhões para as companhias e nunca foram bem avaliados pelos motoristas.

As pessoas estão familiarizadas com seus smartphones. É neles que estão sua biblioteca de música, podcasts, contatos da rede social e outros itens que dizem muito sobre eles, disse Tim Bajarin, presidente da Creative Strategies, uma empresa de pesquisa de tecnologia de San Jose, Califórnia. Os fabricantes de automóveis, afirmou, já perceberam que a maioria dos motoristas não deseja aprender sobre o funcionamento de novo sistema baseado somente no carro.

"Nós só queremos algo familiar. Queremos o nosso conteúdo e os nossos serviços que já estão em nossos telefones. Nós só queremos que o carro tenha a representação dessas funções, por demanda", disse.

Para desfrutar de um dos dois sistemas, os clientes da GM terão que comprar um novo Chevrolet equipado com telas sensíveis ao toque chamadas de "MyLink", que estão disponíveis em muitos modelos de entrada.

Uma vez que as pessoas conectarem o smartphone à porta USB do carro, o sistema irá deixar a tela mais semelhante com a do telefone. Em seguida, o sistema será capaz de jogar a biblioteca de música do usuário para a tela, permitir que ele faça logon em aplicativos, envie e receba mensagens de texto por voz, e até mesmo acionar, por comando de voz, a navegação nos mapas.

O número de aplicativos disponíveis será limitado para evitar a distração do motorista, disse um funcionário da GM. Muitos aplicativos poderão controlados por comandos de voz, mas programas de vídeo não serão suportados pelo sistema do carro.

Para funcionar com o MyLink, os smartphones precisam rodar pelo menos a versão Lollipop 5.0 do Android, enquanto o CarPlay, da Apple, requer um iPhone acima do modelo 5 para funcionar.

Sistemas dos carros vão continuar existindo

A GM vai fornecer o CarPlay ou o Android Auto sem nenhum custo adicional. Embora isto possa causar alguma aversão ao MyLink, a GM acredita que os consumidores, em última análise, vão gostar da possibilidade de escolher e que isso vai ajudar a empresa a vender mais carros, disse Saejin Park, diretor de inovação e planejamento.

Mark Boyadjis, analista sênior da IHS Automotive disse que a decisão não significa, necessariamente, a morte do MyLink, do Sync da Ford e de outros sistemas. Sistemas das montadoras têm informações específicas sobre o carro que a Apple ou o Google não possuem, como diagnóstico do motor, controles de aquecimento e ar condicionado ou até mesmo a capacidade de configurar compromissos de serviços com concessionárias, disse Boyadjis.

Um funcionário da GM observou que alguns proprietários podem dirigir em áreas sem cobertura de telefonia celular, algo necessário para executar os sistemas da Apple e do Google. E outros preferem não conectar qualquer coisa em seus carros.

Inicialmente, ambos os sistemas serão oferecidos no mini carro Spark, no compacto Cruze, no Malibu, no conversível Camaro e na picape Silverado.

Se algo der errado com o sistema durante a garantia, Apple e Google são responsáveis caso o problema se origine no seu software. A GM lida com quaisquer problemas com hardware ou mesmo com o MyLink.

Combinadas, Apple e Google estão presentes em 95% dos smartphones do mundo, o que significa que muitos usuários que são motoristas terão os requisitos necessários para utilizar o Android Auto ou o CarPlay em seus automóveis. A International Data Corp. prevê uma participação de 79% para o Android no mercado de smartphones, enquanto o iOS, da Apple, deve ficar num distante segundo lugar com 16%.

IMAGENS: Enquanto isso, Google recebe luz verde para testar carro autônomo:


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