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Testes começam neste ano; aeronaves voarão a 27 mil metros, acima da altitude usada pelas companhias aéreas comerciais

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Drone visa levar acesso rápido de internet a lugares remotos
AP/BBC
Drone visa levar acesso rápido de internet a lugares remotos

Facebook diz que irá dar início neste ano a testes de voo com um avião não-tripulado, movido a energia solar e com envergadura igual à de um Boeing 737, no próximo passo de sua campanha para levar internet a partes remotas do globo.

Engenheiros da rede social dizem ter construído um drone com 42,7 metros de envergadura que pesa menos de 450 kg. Desenhado para voar a altitudes elevadas por mais de três meses, o avião vai usar lasers para enviar sinal de internet para estações no solo.

Apesar de o Facebook ser mais conhecido pelo software que permite aos usuários partilhar informações com amigos, assistir a vídeos virais - e ver comerciais -, engenheiros de uma comunidade chamada de Connectivity Lab (Laboratório de Conectividade, em tradução livre) estão trabalhando num diferente conjunto de problemas.

Por um lado, estão tentando desenvolver um sistema de comunicação via laser que esperam vai ser preciso o bastante para atingir um alvo do tamanho de uma moeda a uma distância de quase 18 mil metros, diz Yael Maguire, diretor da unidade, que é responsável por drones, satélites e outros projetos de comunicações de alta tecnologia.

"Há uma série de partes móveis que têm de funcionar de maneira conjunta", disse Maguire durante uma entrevista à imprensa no quartel-general da companhia.

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O projeto é parte de um esforço maior do Facebook que também contempla usar satélites e outros equipamentos tecnológicos para levar internet a centenas de milhões de pessoas residentes em regiões muito remotas para ter conexão de banda larga.

Outras companhias de tecnologia lançaram iniciativas semelhantes. O Google está fazendo experimentos com balões de alta altitude e drones e satélites. A Microsoft financiou um projeto que vai transmitir sinal de internet por meio de ondas de televisão não utilizadas.

Drones voarão a 27 mil metros

O Facebook também também tem uma iniciativa semelhante, mas separada, em que trabalha com operadoras sem fio para oferecer internet móvel limitada a custo zero, em países onde os moradores são muito pobres para pagar pelo serviço.

Mas a companhia convidou repórteres nesta quinta-feira (30) para apresentar uma atualização no seu esforço para prover internet a aproximadamente 10% da população global que vive em regiões onde não é prático ou é muito caro construir a infraestrutura usual para o serviço.

O drone do Facebook foi desenvolvido em parte com conhecimento de engenharia que a companhia obteve com a compra da Ascenta, startup britânica de aeronaves, no ano passado. O vice-presidente de engenharia do Facebook, Jay Parikh, disse que a equipe criou um desenho que usa camadas de fibra de carbono leves mas resistentes, capazes de voar no frio congelante das temperaturas encontradas em altitudes elevadas, por um longo período de tempo.

O plano prevê a utilização de balões de hélio para fazer cada drone ganhar altitude, disse Parikh. Os aviões são desenvolvidos para voar a 27,4 mil metros, acima o suficiente do espaço usado por companhias aéreas e das tempestades, onde voarão em círculos ao longo do dia. À noite, diz, eles vão baixar para 60 mil pés (18,3 mil) para economizar bateria.

Cada drone vai voar em círculo num raio de cerca de 3 km, o que os engenheiros esperam irá  permitir ofertar internet para uma área de aproximadamente 50 km de raio.

Para que o plano funcione, os engenheiros do Facebook estão contando com um avanço recente que fizeram em laser óptico que, segundo Maguire disse irá permitir a transmissão de até 10 gigabits por segundo de dados. Isso é comparável a redes de fibra de ótica no chão, mas cerca de 10 vezes mais rápido que sinais de laser convencionais.

O Facebook está desenhando drones para transmitir sinais de um avião para outro para permitir a cobertura de áreas maiores.

A companhia construiu e testou protótipos menores numa fábrica no Reino Unido, e agora busca um local nos Estados Unidos para testar o drone em tamanho completo, disse Parikh, que não detalhou o plano.

Objetivo não é o lucro, diz Zuckerberg

O Facebook espera dividir a tecnologia com operadoras de telefonia e agências de desenvolvimento, que espera irão construir e operar as redes de drones, afirmou Parikh. "Nós não vamos operar isto sozinhos", afirmou. "Nós estamos buscando formas de fazer a indústria avançar mais rapidamente."

O presidente-executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, reconhece que a companhia vai se beneficiar no longo prazo com a iniciativa, que colocará mais pessoas na internet, mas diz que o esforço não tem esse objetivo. O empresário  diz que a iniciativa é baeada na convicção de que a internet pode trazer uma variedade de benefícios econômicos e sociais para nações em desenvolvimento.

Veja imagens do Loon, o projeto de internet do Google


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