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Lançado oficialmente na IFA 2015, Gear S2 é um dos relógios inteligentes que mais se parece ao tradicional. E isso é bom

Novo relógio inteligente da Samsung, Gear S2 tem versão padrão e uma chamada de Classic
Emily Canto Nunes/iG
Novo relógio inteligente da Samsung, Gear S2 tem versão padrão e uma chamada de Classic

Finalmente a Samsung parou de lutar contra o óbvio e decidiu desenvolver um relógio inteligente semelhante ao tradicional. Desde que entrou nesse mercado, a sul-coreana vinha apresentando acessórios que a cada nova versão se afastavam ainda mais do que o usuário entende por relógio. De fora, parecia que a Samsung queria reiventar a roda. Com o Gear S2, apresentando oficialmente durante a IFA 2015, foi a roda que reiventou a Samsung. Ao assumir que um relógio inteligente precisa ter cara de relógio, a fabricante não apenas acertou com a tela redonda, como criou um dos gadgets mais bonitos e funcionais da atual geração.

O investimento da Samsung no Gear S2 não foi pouco. Do evento exclusivo para o lançamento de um relógio inteligente ao desenvolvimento da plataforma Tizen, o Gear S2 transparece o quão ambicioso é o projeto, e dá pistas sobre o futuro da própria Samsung. Impossível não começar pelo design, o principal diferencial dessa geração para as passadas.

Enquanto as concorrentes optaram por trazer diferentes tamanhos de caixas, a maior apresentada domo masculina, a menor como feminina, a Samsung decidiu criar um tamanho único ao redor da tela circular de 1,2 polegada, e focar no estilo do usuário, e não necessariamente no gênero. Com isso, desenvolveu o Gear S2 Classic, e o Gear S2, que apesar de não ter sobrenome pode ser chamado de esportivo e tem ambos apenas 11,4 milímetros de espessura.

No primeiro, a coroa do relógio inteligente, que no Gear S2 é funcional, tem pequenos dentes, o que lembra bastante um relógio tradicional. Já na versão esportiva, ela é lisa. A pulseira da versão clássica é outro acerto encontrado também na concorrência: de couro, ela pode ser facilmente substituída por pulseiras de relógios convencionais. O Gear S2 esportivo vem com pulseiras fixas que parecem ser de borracha, ou silicone, e, por enquanto, em duas opções: corpo cinza escuro e pulseira cinza escura, e corpo prata com pulseira branca. No estande da Samsung na IFA, apareceram também pulseiras vermelhas, laranjas e com padronagem, o que pode indicar que, no futuro, o usuário terá mais opções. A versão clássica vem com corpo preto e pulseira de couro.

Além da coroa, que dá ao relógio uma cara a mais de relógio, existem dois botões na lateral que também são funcionais, um de Home e outro Back. O Home, como o nome diz, leva o usuário para a tela inicial, que é a face do relógio, personalizável. Já o Back retorna para a tela anterior. Os botões são uma forma a mais de utilizar o acessório: a tela é sensível ao toque, logo, voltar para frente e para trás são ações que podem ser feitas com o passar de dedos se o usuário assim desejar. Esse papel também pode ser desempenhando pela coroa do relógio. Ou seja, se você é do tipo que detesta marcas de dedos nas telas, o Gear S2 tem suas vantagens.

Interface do Tizen é bastante amigável
Emily Canto Nunes/iG
Interface do Tizen é bastante amigável

Tizen: a plataforma da vez

Se por fora a Samsung resolveu respeitar a tradição, por dentro é que está a ousadia. Indo na contramão de seus concorrentes, a sul-coreana resolveu investir de vez no seu sistema próprio, o Tizen, já presente em suas televisões inteligentes, no Gear S e, quem sabe, em um próximo smartphone. A primeira vista é dificil dizer se ele é bom, é preciso testá-lo com mais profundidade, pareado com o smartphone, mas posso dizer que a interface é bastante amigável. O Tizen ordena os aplicativos ao redor da tela, respeitando seu formato de círculo, e cria quantas coroas de atalhos for necessário para dispôr tudo que o usuário instalou no display. Para selecionar um app o usuário pode simplesmente tocar no ícone na tela, ou colocar o cursor da coroa no app para selecioná-lo e então clicar no meio do display para abrí-lo. A segunda é a opção mais indicada para quem tem o dedo grande.

Apesar de bastante intuitivo, e até bonito, o Tizen chega no Gear S2 com uma desvantagem frente ao Android Wear. Recentemente, o Google anunciou que seu sistema operacional se tornou compatível também com iOS, ou seja, com iPhones, enquanto o Tizen segue restrito ao universo do Android. Mas, com o Tizen, é possível fazer quase tudo que num Android Wear: verificar calendários, e-mails, notícias e até mesmo enviar mensagens de texto diretamente do pulso. Além do comando de voz, o Tizen possui um teclado (sim!) que permite que o usuário digite o texto. Um pouco estranho, mas talvez seja uma alternativa para que fica envergonhado de sair por aí falando com o próprio pulso. Pelo teclado também é possível mandar emojis. 

A plataforma vem ainda com novas funções para atividades esportivas. A Samsung não diz quantos aplicativos estarão disponíveis para o relógio inteligente, apenas que eles estarão disponíveis na loja Samsung Gear Apps e que várias parcerias estão em andamento, tanto para criar aplicativos, como opções de pulseiras. 

Em termos de hardware, o Gear S2 é bastante potente, tem processador dual core de 1.0 GHz, 4 GB de armazenamento e 512 MB de RAM. Além de Wi-Fi, possui conectividade Bluetooth e NFC, para pagamentos móveis via Samsung Pay, e uma bateria de 300mAh Li-ion que segundo a Samsung dura em média dois dias e conta com tecnologia de carregamento sem fio. Em termos de sensores, o relógio inteligente possui acelerômetro, giroscópio, batimentos cardíacos, luz ambiente, barômetro e também IP68, certificado de que o aparelho é resistente à água e poeira.

Em termos de configurações o maior acerto da Samsung é mais uma vez trazer uma versão 3G, só que desta vez com e-SIM, um chip de operadora que é eletrônico e já vem embutido no acessório. O e-SIM torna o Gear S2 totalmente independente do smartphone, uma vez que faz até ligações.

Se, por um lado, a Sasmung deu o braço a torcer com o design redondo e tão próximo de um relógio tradicional que até a coroa é funcional, por outro lado, ao investir no Tizen, deixou claro que caminha para uma independência ainda maior em termos de software. Ao que parece, o atual sonho de toda a fabricante é controlar hardware e software, como faz, advinhe quem? A Apple, é claro.

*A jornalista viajou para a Alemanha a convite da Asus Brasil.

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