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No aplicativo, o usuário cadastra seus trajetos diários e é pago para entregar objetos em lugares próximos à rota informada

Bikoo
Reprodução
Bikoo

Na onda dos programas da chamada “economia colaborativa”, dois cariocas tiveram a ideia de criar um app que permitisse ao usuário aproveitar os caminhos que percorre no dia a dia para realizar fretes de produtos e ganhar um dinheiro fácil. Nomeado Bikoo, o aplicativo é gratuito para iOS  e Android  e já conta com mais dez mil usuários cadastrados.

Para pedir uma entrega pelo programa, tudo que o usuário precisa fazer é tirar uma foto do objeto, selecionar os endereços de retirada e entrega e informar o horário para cada uma das etapas. Já se o usuário quiser fazer uma entrega, tudo que ele precisa fazer é cadastrar uma rota no aplicativo, para começar a receber notificações quando alguém fizer uma solicitação de entrega próxima à rota. O preço do frete é decidido pelo usuário que recebe a solicitação de entrega, e cabe à pessoa que fez o pedido de frete decidir se aceita ou não.

No Bikoo, o usuário pode inscrever caminhos que percorre diariamente - como sua rota de casa para o trabalho - ou até uma viagem que irá fazer para outra cidade, estado ou país. Todas essa informações ficam em sigilo e são cruzadas pelo programa para encontrar pessoas que querem entregar um objeto nos lugares informados.

Uma vantagem do programa é que, para fazer a entrega, não é necessário que o usuário possua um carro. É preciso apenas que a sua rota passe próxima ao ponto da entrega. Portanto, para realizar o percurso o usuário pode tanto ir com seu próprio carro, como também de ônibus, trem, táxi ou até à pé.

Marcelo Ruman, um dos criadores do Bikoo, conta que a própria ideia do serviço surgiu depois de ele ter feito uma entrega informal para seu irmão. “Eu estava no Rio de Janeiro, no táxi, indo para o aeroporto, quando recebi uma ligação do meu irmão. Ele perguntou se dava para eu passar no Museu do Índio para buscar um livro que ele tinha reservado. Perguntei para o taxista onde que ficava o museu e ele me disse que estávamos do lado! Aí eu pedi para ele esperar um pouco, desci, peguei o livro e logo voltei para o táxi. Em questão de poucas horas, o livro estava nas mãos do meu irmão.”

A partir daí, Ruman começou a pensar em como seria interessante se existisse um serviço que aproveitasse o fluxo cotidiano das pessoas para realizar a entrega de produtos de forma eficiente e rápida. Por já ter trabalhado no ramo de logísticas e infraestruturas, ele diz que já viu muitos problemas graves acontecerem por conta do modo antigo que o serviço é feito. “Mesmo que uma pessoa more próxima a um depósito, por exemplo, é comum um produto ir até um centro de distribuição distante para depois ser levado até a casa da pessoa. Então, eu vi nisso uma oportunidade de inovação e fui conversar com o Kiko, meu sócio”, diz.

Kiko Coelho, que já trabalhou com desenvolvimento de e-commerce e aplicativos, diz que, no início, antes de criar o Bikoo, a dupla tinha pensado em fazer um serviço de motoboys, mas desistiram por ser uma opção que já existe e que possui suas dificuldades. Eles então pesquisaram o mercado e conheceram a “economia colaborativa”, também chamada de “economia de bicos” - daí o nome do programa. A partir dos princípios presentes em outros apps desse contexto, como Airbnb e Uber, a dupla elaborou o projeto do Bikoo valorizando o potencial presente no fluxo cotidiano das pessoas. “Para relacionar com algo que existe, o Bikoo poderia ser comparado com um Airbnb de porta-malas”, diz Coelho.

Segurança

Mesmo com dez mil usuários cadastrados, apenas 160 entregas foram realizadas com o Bikoo no mês de setembro. Sobre esse número relativamente pequeno, Coelho diz que “as pessoas ainda têm muito mais interesse em realizar a entrega do que solicitar o serviço. Isso porque, o usuário sabe que ele próprio não é um bandido e que ele poderia ganhar uma grana fácil com o frete, só que ele ainda não confia o suficiente nos outros usuários para solicitar uma entrega”.

Para mudar isso, Coelho conta que estão em desenvolvimento ferramentas de verificação que irão ajudar o usuário a confiar nas outras pessoas que estão no Bikoo. Essas funções serão usadas para conferir os documentos do usuário e, quando toda a identificação for feita, um selo de verificação será exibido no perfil da pessoa - assim como é feito no Airbnb.

Ruman conta também que parte da ideia do Bikoo é criar uma comunidade de pessoas que confiam umas nas outras. Portante, além da verificação, o usuário também pode conferir o perfil do entregador e ver se ele é recomendado por outros usuários, o que também aumenta a confiança.

Outra preocupação dos usuários pode ser sobre os riscos do conteúdo que será entregue, afinal, pessoas mal-intencionadas poderiam usar o Bikoo para enviar armas ou drogas. É claro que a foto do objeto, que é tirada durante a solicitação de frete, acaba diminuindo esse risco, mas, mesmo assim, Coelho e Ruman recomendam que nenhum usuário aceite fazer a entrega de pacotes fechados.

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