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Batizada de Ozo, câmera faz imagens 3D e em 360º e é voltada à produção de conteúdo profissional para a realidade virtual

Foi só dizer que eu estava indo para a Finlândia que logo surgia sempre a mesma pergunta: está indo visitar a Nokia? Durante anos, Finlândia foi sinônimo de Nokia. Muito embora hoje abrigue empresas tão proeminentes como F-Secure, Rovio – do fenômeno Angry Birds – e a Supercell – autora do game Clash of Clans – a história da Finlândia foi marcada à ferro e fogo (ou seria gelo?) pela Nokia durante anos. E muito embora tenha vendido a divisão que fez sua fama para a Microsoft, a empresa segue na ativa e mirando o futuro. Presente no Slush, evento de inovação e empreendedorismo que aconteceu em Helsink nos dias 11 e 12 de novembro, a Nokia agora aposta na realidade virtual e não mais em smartphones.

Em um discurso cheio de mea culpa, Risto Kalevi Siilasmaa, presidente executivo da Nokia e fundador da F-secure, disse que durante os últimos anos a Nokia passou por um período de dupla transformação, primeiro com a venda da sua divisão de smartphones para a Microsoft e, depois, com a compra da Alcatel-Lucent para fortalecer suas atividades ligadas à infraestrutura de rede, dentro da Nokia Networks.

"Durante esse tempo, muito do dinheiro e dos funcionários que tínhamos não eram nossos, logo não havia muito o que fazer. Agora, tudo é novo", ressaltou o executivo. Quando fala em novidades, Siilasmaa se refere principalmente à incursão da Nokia no mundo da realidade virtual. Durante o Slush, o iG teve a oportunidade de ver alguns conteúdos de caráter experimental feitos com a câmera esférica da Nokia chamada OZO.

"Não faz sentido voltarmos para o passado, o mercado de smartphones ficou estruturado e competitivo demais. Não podemos fazer o que os outros já fazem, é preciso ter coragem para experimentar, pois você não quer que alguém faça isso por você, não é? Por vezes, as empresas dão atenção a coisas que não são tão importantes, mas são viciantes, em vez de olhar para dentro. Tivemos sorte, mas também trabalhamos para ter essa sorte", afirmou o executivo, que também disse que a Nokia de hoje tem ambição, mas pensa no longo prazo e na estabilidade da companhia.

A câmera OZO é o primeiro produto da Nokia Technologies desde que sua divisão de smartphones foi vendida para a Microsoft por US$ 7,5 milhões em 2013.

OZO, uma câmera de realidade virtual

Com filas que faziam a volta no estande, a Nokia chamou a atenção com a presença de sua câmera de realidade virtual Ozo durante os dois dias de Slush 2015, em Helsink, capital da Finlândia. Anunciada em julho de 2015, a Ozo é a primeira câmera capaz de fazer vídeos 3D e em 360º e foi criada dentro da Nokia Technologies, empresa irmã da Nokia Networks.

A OZO captura imagens estereoscópicas graças aos seus oitos sensores de lente e aos seus oito microfones integrados. Além disso, graças ao software embutido na câmera, a OZO é capaz de reproduzir imagens em 3D e em 360º em tempo real. A invenção será lançada no dia 30 de novembro, com fabricação na Finlândia, mas outros detalhes como preço e locais de disponibilidade ainda não foram anunciados. Uma parceria já anunciada com a empresa de produção de conteúdo para a realidade virtual Jaunt Studios deixa claro que a câmera é, pelo menos inicialmente, voltada ao mercado profissional.

Durante o Slush, o iG pode conhecer o resultado de alguns conteúdos feitos com a ajuda da OZO por meio de acessórios de realidade virtual disponíveis no estande como o Oculus Rift e o Gear VR da Samsung. Na sequência de filmes que vi, a câmera colocava o usuário no meio da ação: em um casamento ou dentro de um tanque com mergulhadores. A qualidade da imagem, em termos de resolução, poderia ser melhor, mas ainda assim, e talvez por conta do som, é fácil se transportar para a tal realidade virtual. Por vezes, quando olhei para baixo, vi rapidamente o tripé da câmera OZO, o que certamente é um problema, mas é algo que certamente poderá ser resolvido melhor na pós-produção dos vídeos.

Se a OZO vai fazer sucesso é muito cedo para dizer, mas que a Nokia acertou ao dar um passo em direção ao futuro em vez de tentar se inserir no presente da tecnologia não há dúvidas.

*A jornalista viajou para a Finlândia a convite da F-Secure.

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