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Segundo estimativas, site de compartilhamento ilegal de arquivos movimentava cerca de US$ 22,3 milhões por ano com publicidade

Brasil Econômico

Kickass Torrents teria sido palco para lavagem de dinheiro desde 2008
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Kickass Torrents teria sido palco para lavagem de dinheiro desde 2008

Acusado de ser o proprietário do Kickass Torrents, site de compartilhamento de downloads do mundo, o ucraniano Artem Vaulin é o protagonista de mais um episódio de disputa contra a distribuição ilegal de arquivos na internet. Preso na Polônia, Vaulin foi indiciado pela Justiça dos Estados Unidos, que pede sua extradição.

O ucraniano é acusado de infringir a lei dos direitos autorais e cometer lavagem de dinheiro por meio do Kickass Torrents desde 2008. A página hospeda links de arquivos com extensão .torrent e .magnet compartilhados por outros usuários.

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Em 2015, a página conseguiu ultrapassar o The Pirate Bay e se tornar o maior site de compartilhamento ilegal de filmes, séries, músicas, jogos e outros arquivos com cerca de 50 milhões de visitantes únicos por mês. Autoridades norte-americanas estimam que o site movimentava até US$ 22,3 milhões por ano com publicidade e tinha valor de mercado superior a US$ 54 milhões.

Para descobrir a localização de Vaulin, agentes do departamento de segurança dos EUA decidiram pagar por um anúncio no Kickass Torrents que levaria os visitantes para um site falso. O objetivo, na verdade, era identificar o destino de pagamentos efetuados por conta dos banners. Quando os anúncios começaram a ser exibidos, as autoridades descobriram que o site mantinha uma conta bancária na Letônia, que contava com cerca de US$ 31 milhões entre agosto de 2015 e março de 2016.

Página inicial do Kickass Torrents apresentava os arquivos mantidos pelos usuários
Reprodução
Página inicial do Kickass Torrents apresentava os arquivos mantidos pelos usuários

Simultaneamente, os investigadores conseguiram identificar o e-mail de contato do site em logins realizados em diversas redes sociais. Uma dessas contas apresentava a página de fãs do Kickass Torrents no Facebook. Ao aplicar técnicas de rastreamento , os agentes obtiveram históricos de acessos a servidores baseados nos Estados Unidos e registros indicando a relação de Vaulin à URL kickasstorrents.biz .

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A partir dessas informações, o grupo responsável pela investigação conseguiu relacionar o e-mail com um endereço utilizado por Vaulin em serviços da Apple. Com a contribuição da empresa, as autoridades tiveram acesso ao histórico de compras no ucraniano, descobriram que o IP da transação era o mesmo que acessou a conta no Facebook e conseguiram confirmar a localização.

"Em esforço para escapar da execução da lei, Vaulin mantinha servidores localizados em países de todo o mundo e transferia domínios por conta de repetidas apreensões e ações judiciais. Sua prisão na Polônia, entretanto, demonstra novamente que os cibercriminosos podem correr, mas não se esconder da Justiça", disse Leslie R. Caldwell, assistente da procuradoria-geral dos EUA. Esta não foi a primeira vez que um site de downloads se envolve em polêmicas. Confira duas empresas que tiveram problemas com a Justiça por conta de direitos autorais .

MegaUpload

Em 2012, o MegaUpload foi desativado depois de operação do FBI, que também resultou na prisão de quatro funcionários do site. Na ocasião, detentores de direitos autorais acusaram a página de provocar cerca de US$ 500 milhões de dólares em prejuízo por conta da pirataria . Baseado em Hong Kong, o MegaUpload era um sites mais populares para compartilhamento de arquivos e permitia baixar filmes e músicas ilegalmente.

Kim Dotcom lançou Mega depois que a Justiça tirou o MegaUpload do ar
Reuters
Kim Dotcom lançou Mega depois que a Justiça tirou o MegaUpload do ar

Os responsáveis pelo serviço argumentaram que a maior parte do tráfego do site era legal  e por isso o site não deveria ser retirado do ar. Entretanto, os negócios do MegaUpload relacionados à pirataria renderam mais de US$ 175 milhões, segundo o FBI. Pouco tempo depois da ação judicial, um dos criadores do MegaUpload, o alemão Kim Schmitz, também conhecido como Kim DotCom lançou um novo site de compartilhamento de arquivos, o Mega. A página segue oferecendo downloads de arquivos  ilegais, mas passou a utilizar criptografia para impedir a identificação do que é baixado.

Napster

A plataforma foi uma das mais populares no início do século. Criada por Shawn Fanning, na época com 19 anos, o programa utilizava o sistema de downloads P2P (peer-to-peer, ou ponto a ponto em português), similar aos torrents , para compartilhar arquivos em MP3.

Alvo de diversas ações na Justiça envolvendo a indústria fonográfica, o modelo original do Napster foi encerrado em 2001 e, nos anos seguintes, foi bastante remodelado. Apesar de ter existido por pouco tempo, o serviço abriu espaço a discussão sobre direitos autorais e a forma de se ouvir música na internet . Atualmente, o Napster funciona como um serviço de streaming de música, concorrendo com plataformas como Spotify e Deezer.

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