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Boa parte das projeções de usuários no início do ano não foram realizadas; o principal acerto foi crescimento de serviços de streaming de áudio e vídeo

No início de 2016, o iG divulgou uma série de projeções para a área da tecnologia. Uma delas, produzida pelo Consumer Lab da Ericsson, apontava as 10 tendências para os meses seguintes na visão dos usuários, considerando desde a popularização de algumas ferramentas até a invenção de determinados recursos. Terminado o ano, decidimos voltar ao que o levantamento anunciava para fazer um balanço. Ambicioso em alguns pontos, o relatório acertou em muitas previsões, mas fez projeções que não se concretizaram.

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A realidade virtual era um dos destaques entre os pontos levantados pelo relatório na virada de 2015 para 2016. No início do ano, os consumidores afirmavam desejar integrar o recurso em todas as suas atividades do dia a dia, como assistir a esportes e tirar selfies em 3D para experimentar roupas em lojas online, por exemplo. Segundo o especialista do Consumer Lab da Ericsson na América Latina, André Gualda, apesar de não ter atingido as expectativas, o tema seguirá como uma das principais tendências da tecnologia para 2017. "Quando a gente soltou esse relatório, forçamos um pouco a barra, mas temos acompanhado que isso tem acontecido de pouquinho em pouquinho", afirma.

Apesar de não ter atingido expectativa, realidade virtual deve seguir como uma das principais tendências da tecnologia
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Apesar de não ter atingido expectativa, realidade virtual deve seguir como uma das principais tendências da tecnologia

Os consumidores também precisarão esperar um pouco mais para usar dispositivos aplicados diretamente no corpo. No início do ano, o levantamento apontou que 87% dos entrevistados estavam dispostos a implantar produtos no próprio corpo para melhorar percepções sensoriais e habilidades cognitivas, como visão e memória . Na opinião de Gualda, as ferramentas de saúde e bem-estar ganharão mais destaque nos próximos meses. "Eu acredito que isso vai tomar mais importância na indústria. Hoje, a gente está vivendo uma transição onde o mundo virtual e o mundo real se misturam muito".

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Prova disso é a interação cada vez mais espontânea com dispositivos por meio de comandos de voz. Atualmente, os principais smartphones contam com assistentes virtuais, como Google Now, Siri e Cortana, mas os usuários esperam um pouco mais. No início de 2016, o levantamento afirmou que, em São Paulo, 63% dos entrevistados afirmaram que acreditam que os dispositivos móveis serão itens do passado nos próximos cinco anos.

A previsão ainda não foi alcançada, mas a ideia de que o uso da tela dos celulares diminuirá está cada vez mais próxima com o lançamento de dispositivos com inteligência artificial, como Google Home e Amazon Echo . "Realmente, não matou a tela, mas o que a gente falou de a interação entre as pessoas e a tela perder um pouco da importância, está acontecendo", diz Gualda, ao lembrar que há cada vez mais produtos desse tipo na vida dos consumidores, dando a impressão de que "o comando de voz, realmente, vai ter mais importância daqui pra frente.

Consumo de vídeos em alta

A popularização de transmissões de vídeos ao vivo pelas redes sociais e de plataformas de streaming foi outra aposta da Ericsson. No início do ano, a pesquisa apontou que 27% dos entrevistados brasileiros entre 16 e 19 anos passavam, em média, três horas por dia assistindo vídeos no YouTube. A projeção de aumento de uso dessas plataformas parece ter sido alcançada.

Em janeiro, a Netflix levou seu serviço para consumidores de mais de 130 países . Em junho, o Spotify superou a marca de 100 milhões de usuários  mensais. O especialista da Ericsson lembra que o consumo de meios convencionais, como rádio e TV, entre os mais jovens é muito menor do que registrado pelo público mais velho. "A verdade é que não tem mais volta. A gente tem visto que os serviços on demand estão representando cada vez mais tempo dos brasileiros", afirma.

A mudança do comportamento, segundo ele, é causada, principalmente, por conta da variadas das plataformas. "Nossa pesquisa diz que o segredo para esses serviços é o conteúdo. Acredito que tem espaço para outros serviços, desde que seja com conteúdo de qualidade", diz.

Expectativa muito elevada?

Quando perguntado se as projeções dos usuários para 2016 foram muito elevadas, Gualda afirma que, em alguns casos, podemos perder a referência por conta da quantidade de inovações realizadas atualmente. "A velocidade com que as coisas mudam não é mais a mesma e tira a referência do consumidor para mais ou para menos".

Para ele, enquanto muitos podem ter a impressão de que um determinada tendência está demorando para se tornar popular, outros podem acreditar que as transformações estão acontecendo rapidamente. O ritmo de mudanças, na visão de Gualda, depende muito do produto. "Se uma empresa consegue colocar um produto muito bom no mercado, ela quebra todas as barreiras para ser popular".

Projeções para 2017

A inteligência artificial segue como uma das principais tendências para o próximo ano. Presente das sugestões feitas em plataformas de streaming, como Spotify ou Netflix, até carros autônomos, o recurso deve se tornar mais popular, se depender dos usuários. Segundo o novo relatório da Ericsson, os consumidores esperam que o recurso dê um próximo passo em 2017.

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A expectativa é que a inteligência artificial possa estar mais presente por meio de gerentes pessoais e, não apenas assistentes. O levantamento também revela uma expectativa de popularização da Internet das Coisas. Gualda dá um exemplo de como a tecnologia pode contribuir com muitas pessoas em momentos do dia a dia, como o transporte público, por exemplo. "Nós usamos sensores, bilhetes de ônibus. Usando um pouco de inteligência artificial nisso, vai ajudar a ter mais desses dispositivos em mais lugares", projeta.

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