A Meta retrocedeu na decisão de encerrar o suporte em realidade virtual para o Horizon Worlds, mas o recuo não muda o rumo mais amplo da empresa: o metaverso deixou de ser prioridade. As informações são da Polymarket.
O anúncio foi feito pelo diretor de tecnologia, Andrew Bosworth, após a companhia indicar que o aplicativo deixaria de funcionar nos headsets da linha Quest. A decisão de manter o acesso em VR veio após reação negativa de usuários e foi confirmada oficialmente pela empresa.
O reposicionamento do metaverso
Apesar disso, a mudança revela um reposicionamento estratégico mais profundo. Desde 2021, quando Mark Zuckerberg rebatizou o Facebook como Meta, a empresa apostou bilhões na construção de ambientes virtuais imersivos. A proposta era transformar o metaverso no próximo estágio da internet, algo que, na prática, não se concretizou.
A divisão Reality Labs, responsável por esses projetos, acumulou prejuízos que já ultrapassam dezenas de bilhões de dólares desde o início da iniciativa. Só em 2025, as perdas foram estimadas em cerca de US$ 19 bilhões (R$ 100 bilhões), reflexo de uma combinação de baixa adesão, alto custo de desenvolvimento e retorno financeiro limitado.
O próprio Horizon Worlds, considerado peça-chave dessa estratégia, nunca conseguiu atrair um público expressivo em realidade virtual. O cenário se repete no hardware: dados da IDC mostram queda nas vendas dos dispositivos Quest, reforçando a dificuldade da tecnologia em competir com os smartphones. A Apple enfrentou problema semelhante ao reduzir a produção do Vision Pro diante da baixa demanda.
Em 2026, a Meta iniciou uma reestruturação significativa. Cerca de 1.500 funcionários foram demitidos na Reality Labs, estúdios de jogos foram fechados e produtos ligados ao ambiente corporativo virtual, como o Horizon Workrooms, foram descontinuados. Há ainda especulações de novos cortes mais amplos dentro da companhia.
Embora o suporte em VR tenha sido mantido, o futuro do Horizon Worlds será cada vez mais centrado no mobile. Segundo Bosworth, o aplicativo encontrou melhor aceitação fora dos óculos de realidade virtual, onde há uma base de usuários muito maior.
Dados da Appfigures apontam que o aplicativo soma cerca de 45 milhões de downloads globais, com crescimento expressivo em 2026. Ainda assim, a monetização segue baixa, com pouco mais de US$ 1 milhão (R$ 5,2 milhões) em gastos de consumidores, valor considerado modesto frente aos investimentos feitos.
Diante desse cenário, Zuckerberg já direciona o futuro da empresa para outras frentes tecnológicas, especialmente inteligência artificial, além de dispositivos vestíveis e óculos inteligentes com recursos de realidade aumentada.
O recuo no VR não significa o fim do metaverso, mas indica uma mudança clara: a ambição de criar mundos virtuais totalmente imersivos perdeu espaço para soluções mais práticas, acessíveis e alinhadas ao comportamento atual dos usuários.