
O professor Anderson Soares, da Universidade Federal de Goiás (UFG), foi apontado como o nome mais influente do Brasil na área de Inteligência Artificial pelo estudo Pulso 2026/2027. O levantamento foi realizado pela consultoria Deck em parceria com a Nexus, empresas que integram a FSB Holding.
Fundador e presidente do Conselho do Centro de Excelência em Inteligência Artificial da UFG (CEIA-UFG), Anderson aparece na primeira colocação da categoria. Na sequência estão Tania Cosentino, presidente da Microsoft Brasil, e Nina da Hora, pesquisadora reconhecida pela atuação em temas como justiça algorítmica, tecnologia e desigualdades sociais.
O estudo analisou mais de 2 mil perfis ligados a 21 setores da economia brasileira. Para elaborar o ranking, foram considerados critérios relacionados à influência, reputação, afinidade, autoridade e capacidade de pautar discussões e decisões de mercado.
Além de Inteligência Artificial, o levantamento avaliou nomes de áreas como educação, empreendedorismo, marketing e varejo.
Influência além do número de seguidores
A pesquisa aponta uma mudança na maneira como o mercado compreende a influência. Em vez de considerar apenas o alcance nas redes sociais ou o número de seguidores, o estudo procurou identificar pessoas capazes de construir autoridade, interferir em debates e influenciar decisões dentro de seus setores.
Entre os principais resultados, 65% dos perfis que efetivamente exercem influência sobre decisões de mercado são especialistas ou referências técnicas. O dado indica que conhecimento acumulado, reputação e consistência passaram a ter peso crescente na construção da influência pública.
À frente de projetos de pesquisa, inovação e formação profissional, Anderson Soares tem participado do debate sobre os impactos e as aplicações da inteligência artificial em diferentes setores da sociedade e da economia.
Natural de Catalão, no sudeste de Goiás, o professor atribui o reconhecimento ao trabalho coletivo desenvolvido no estado nos últimos anos.
“Esse reconhecimento é muito significativo, mas eu o vejo como resultado de um trabalho que não é individual. Goiás construiu, nos últimos anos, um ecossistema de inteligência artificial que reúne universidade, pesquisadores, empresas, poder público e sociedade. Estar nessa posição mostra que o conhecimento produzido aqui está participando das discussões mais importantes sobre o futuro da IA no Brasil”, afirma Anderson.
CEIA aproxima universidade, empresas e poder público
A trajetória de Anderson está ligada à criação e à expansão do Centro de Excelência em Inteligência Artificial. Instituído em 2019, o CEIA surgiu de uma parceria entre a UFG, por meio do Instituto de Informática, o Governo de Goiás e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg).
O centro reúne pesquisadores, professores, estudantes e profissionais de diferentes áreas para desenvolver projetos de pesquisa, formação e inovação baseados em inteligência artificial. A proposta segue o modelo de integração entre universidade, poder público e setor produtivo.
Os projetos desenvolvidos pelo CEIA abrangem áreas como saúde, educação, energia, finanças, agronegócio, indústria e serviços públicos. As equipes trabalham na criação de soluções destinadas a problemas concretos apresentados por empresas e instituições governamentais, aproximando a produção acadêmica de aplicações sociais e econômicas.
O centro também atua na formação de pesquisadores e profissionais especializados, com a participação de estudantes de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado nos projetos. A experiência permite que os alunos tenham contato com desafios reais durante a formação acadêmica.
UFG criou primeiro bacharelado em IA do Brasil
O ecossistema estruturado em Goiás também deu origem ao Bacharelado em Inteligência Artificial da UFG, considerado o primeiro curso superior do Brasil e da América Latina dedicado especificamente à área.
A graduação foi aprovada em 2019 e recebeu a primeira turma no ano seguinte. Anderson Soares presidiu a comissão responsável pela criação do curso e também participou da estruturação do projeto acadêmico.
Oferecida pelo Instituto de Informática, no Câmpus Samambaia, em Goiânia, a graduação é integral e tem duração prevista de oito semestres. São oferecidas 40 vagas por ano.
A formação inclui conteúdos relacionados a aprendizado de máquina, redes neurais, processamento de linguagem natural, robótica, análise de grandes volumes de dados, reconhecimento de padrões e sistemas de apoio à tomada de decisões. No último período, os alunos participam de uma residência em inteligência artificial.
O interesse pelo curso cresceu nos últimos processos seletivos. No Sistema de Seleção Unificada (Sisu) de 2025, a graduação recebeu 1.215 inscrições para 40 vagas, média de aproximadamente 30 candidatos por vaga.
Naquele ano, o bacharelado registrou nota de corte de 811,01 pontos e superou, pela primeira vez, Medicina e todos os demais cursos oferecidos pela UFG.
Em 2026, a pontuação subiu para 846,72 na modalidade de ampla concorrência. O resultado manteve Inteligência Artificial como o curso com a maior nota de corte da UFG pelo segundo ano consecutivo e colocou a graduação na segunda posição entre as maiores pontuações de ingresso registradas em todo o país no Sisu.