Fim dos celulares baratinhos? Modelos de entrada podem sumir

Estudo da Counterpoint Research projeta queda de 40% nas vendas de smartphones abaixo de US$ 200 até 2030

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Foto: Andrey Matveev/Unsplash
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Comprar um celular barato pode ficar mais difícil nos próximos anos. Um levantamento da Counterpoint Research aponta que o mercado global de smartphones abaixo de US$ 200 deve encolher cerca de 40% entre 2025 e 2030 .

Na prática, isso representaria aproximadamente 230 milhões de aparelhos a menos vendidos por ano dentro da categoria até o fim da década.

A projeção não significa que os celulares de entrada vão simplesmente desaparecer das lojas. O cenário indicado pela consultoria é de uma redução significativa na oferta e nas vendas desses modelos, enquanto aparelhos intermediários devem ganhar espaço.

E há uma combinação de fatores por trás dessa mudança.

Por que os celulares baratos estão ficando mais caros?

Um dos principais problemas está no custo dos componentes usados na fabricação dos smartphones . Chips, memória RAM e armazenamento ficaram mais caros e pressionam justamente uma categoria na qual as fabricantes trabalham com margens menores.

Isso cria uma conta difícil para a indústria. Se o custo de produção sobe, o fabricante precisa aumentar o preço ou aceitar uma margem menor. Em celulares de entrada, porém, existe um limite para quanto o consumidor está disposto a pagar.

O problema não termina nos componentes. Os celulares também precisam acompanhar a evolução dos sistemas operacionais e dos aplicativos.

Recursos mais pesados, principalmente aqueles ligados à inteligência artificial, aumentam as exigências mínimas de hardware.

Ou seja: até o aparelho mais simples precisa entregar uma capacidade de processamento maior para continuar relevante por alguns anos.

Celulares intermediários podem ganhar espaço

Enquanto os modelos abaixo de US$ 200 enfrentam pressão, a projeção aponta para um crescimento de 26% nas vendas de smartphones a partir de US$ 200 entre 2025 e 2030 .

É justamente aí que entra o segmento intermediário. Com preços mais altos, esses aparelhos têm espaço para oferecer componentes melhores, mais memória, armazenamento maior, câmeras mais completas, telas avançadas, 5G e recursos de inteligência artificial .

Para o consumidor, isso pode mudar a lógica da compra. Em vez de trocar um celular básico por outro modelo de entrada, pode fazer mais sentido prolongar a vida útil do aparelho atual ou partir para um intermediário.

É uma mudança que já começa a aparecer nos preços. O material da Counterpoint aponta que celulares de entrada estão ficando mais caros em diferentes mercados, enquanto os modelos abaixo de US$ 100 enfrentam uma pressão ainda maior.

Quem precisa de um celular barato, o que faz?

Essa talvez seja a parte mais importante da discussão. Um celular de entrada não atende apenas quem quer gastar menos. Em muitos mercados, ele é a porta de entrada para a internet móvel .

Com menos aparelhos novos e acessíveis disponíveis, consumidores de baixa renda podem ter mais dificuldade para comprar um smartphone .

O analista principal da Counterpoint Research, Yang Wang, alerta para esse impacto. Segundo ele, a redução da oferta de smartphones acessíveis pode dificultar a entrada de novos usuários na internet em mercados de baixa renda.

Existe ainda outra consequência possível: mais pessoas podem manter seus aparelhos por mais tempo.

Em vez de trocar de celular a cada poucos anos, o consumidor pode tentar estender a vida útil do aparelho atual, buscar modelos usados ou recondicionados ou juntar mais dinheiro para comprar um smartphone de categoria superior.

Fabricantes também precisam fazer uma escolha

Para as empresas, a mudança envolve mais do que decidir quais aparelhos colocar nas lojas. O desenvolvimento de um smartphone exige investimento em projeto, componentes, software, produção, distribuição e marketing.

Se o preço final precisa continuar baixo enquanto os custos aumentam, a margem de lucro pode ficar cada vez menor. Por isso, os intermediários aparecem como uma alternativa interessante para a indústria.

Eles permitem incorporar recursos mais avançados sem chegar aos preços dos modelos premium. Ao mesmo tempo, oferecem às fabricantes uma faixa de preço com mais espaço para absorver os custos dos componentes.

No topo da pirâmide, os celulares premium  ainda concentram tecnologias mais sofisticadas e produtos com maior valor agregado.

O resultado pode ser um mercado cada vez mais dividido entre intermediários mais completos e modelos premium, enquanto os aparelhos realmente baratos perdem espaço.

Celular barato pode virar exceção?

A projeção da Counterpoint não indica o fim dos smartphones de entrada, mas aponta para uma mudança importante na categoria.

O mercado global de celulares  ainda pode movimentar cerca de 1,2 bilhão de unidades, segundo a estimativa citada no estudo. O que muda é a distribuição desses aparelhos por faixa de preço.


Isso significa que o consumidor provavelmente vai encontrar celulares mais baratos. A questão é saber o quanto eles vão custar e o que será possível entregar nessa faixa de preço.

Se os componentes continuarem pressionando os custos e os requisitos de software aumentarem, o celular básico pode deixar de ser a opção tão acessível que foi durante anos.

E, nesse cenário, o intermediário pode deixar de ser apenas o meio-termo entre o celular barato e o topo de linha. Pode se tornar a nova porta de entrada para quem precisa de um smartphone capaz de acompanhar os próximos anos.