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QX10 e QX100 permitem tirar fotos espetaculares, mas aplicativo apenas razoável e falta de alguns recursos decepcionam

NYT

O conceito que a Sony criou para seu novo produto QX100 está entre os mais brilhante da história da empresa.

Infelizmente, a boa ideia acaba no conceito. Quando a QX100 chegou à linha de produção, já não tinha mais chance de sucesso.

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Ah, peraí. Você quer saber o que é a QX100?

Ela é uma resposta a um problema antigo. Câmeras digitais tiram fotos muito boas, mas são ruins para transmitir as imagens. Celulares são ótimos para enviar fotos, mas a qualidade das imagens não é tão boa.

A sacada da Sony: por que não criar uma “meia-câmera” meio estranha com os componentes que o celular não tem?

Essa “meia-câmera” poderia conter lentes de verdade, modelo Carl Zeiss com abertura f/1.8. Poderia também conter controles manuais, estabilização óptica de imagem e encaixe para tripé. Além disso, poderia conter um sensor gigante, com mais de uma polegada de diagonal, mais de 40 vezes o tamanho de um sensor de um celular comum.

Um sensor maior dá muito mais detalhes à imagem, além de cores mais fiéis ao mundo real e ótimo desempenho em pouca luz. Um sensor maior também significa fotos menos borradas

Já os megapixels não são tão importantes. Ainda assim, a “meia-câmera” poderia oferecer 18 ou 20 megapixels, o suficiente para impressões gigantes.

Então, é basicamente isso que é a QX100 (nos EUA, US$ 500, sem previsão no Brasil). Há uma versão básica também, mais sobre isso daqui a pouco.

A QX100 é a câmera com visual mais maluco que você já viu. Até mesmo de perto, parece uma lente, não uma câmera completa. É um cilindro preto, 5,6 cm de comprimento por 2,5 por 6,3 cm de diâmetro.

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De alguma forma, nesse pequeno espaço, a Sony embutiu uma câmera. Há uma lente de zoom de 3x. Há um botão de disparo, bateria, microfones estéreo e entrada para cartão de memória.

Só não há uma tela, já que seu celular já tem uma tela grande e nítida. Assim, somando a QX100 e um celular, você tem todos os componentes de uma câmera de primeira.

A QX pode ser encaixada em uma armação que, por sua vez, é conectada firmemente ao celular. Sim, é verdade, agora dá pra encaixar uma lente semiprofissional a seu smartphones e tirar fotos espetaculares.

Conexão ao celular

Para fazer a comunicação entre a QX e o smartphone é necessário instalar um aplicativo com o estranho nome de PlayMemories Mobile.

Se você tiver um celular com Android e NFC , basta encostar o aparelho na QX100 para estabelecer a comunicação. Esse gesto conecta os aparelhos e abre o aplicativo de foto.

Se você tem um iPhone ou um aparelho Android sem NFC, a coisa complica um pouco. A ideia aqui é conectar o celular à rede Wi-Fi gerada pela QX100.

Armação permite conectar QX100 a celulares
iG/Claudia Tozetto
Armação permite conectar QX100 a celulares

Depois de tudo conectado, a tela do celular age como se fosse a tela da câmera. Por meio da tela do celular é possível ajustar zoom, exposição e outras opções. Tudo funciona, embora a câmera demore uma fração de segundo para responder aos comandos.

A QX100 é baseada na melhor câmera de bolso já feita, a Sony RX100 Mark II (nos EUA, US$750). Resumidamente, as imagens da QX100 são sensacionais.

E lembre-se, você não precisa encaixar a lente no celular para usar a QX100. É até mais divertido colocar a lente em um lugar pouco comum e tirar as fotos remotamente usando o celular como controle. Assim que a lente é posicionada, você pode ficar em qualquer lugar em volta dela, vendo a imagem por meio da tela do celular e usando o aparelho para controlar a lente e tirar fotos.

Dá até para usar a QX sem um celular, mas aí não é possível ver o que se está fotografando.

Uma cópia em alta resolução de cada foto é guardada no cartão de memória da lente. Uma versão de 2 megapixels, mais fácil de enviar para a internet, é automaticamente transferida para o celular (segundo a Sony, enviar imagens de 20 megapixels acabaria com a memória dos celulares rapidamente, mas é possível configurar a QX100 para fazer isso).

A QX também grava vídeos. Eles não são enviados para o celular e ficam no cartão de memória da lente. Dá para transferi-los usando um cabo USB, também usado para carregar a bateria da lente (suficiente para 200 fotos).

Tudo funciona exatamente da mesma forma na QX10, versão mais básica da QX100. Ela é vendida pela metade do preço e tem zoom de 10x em vez dos 3x.

Por outro lado, a QX10 não tem nenhum dos elementos mais sofisticados da QX100. O sensor é igual ao de uma câmera de bolso, a lente não é Carl Zeiss, nem tem abertura f/1.8. E não tem praticamente nenhum controle manual.

Pontos negativos

E agora, as más notícias. No fim das contas, o uso das câmeras no dia-a-dia não faz justiça ao belo conceito por trás delas. Alguns problemas.

- As lentes usam um cartão de memória comum em celulares (microSD). Esses cartões são minúsculos e fáceis de perder.

- Nenhum dos modelos tem flash. E não, não dá para usar o flash do celular em conjunto com as lentes (talvez apenas ligando o flash continuamente, como em uma gravação de vídeo).

- O sensor e as lentes da QX100 são os mesmos da câmera RX100 Mark II, mas vários dos recursos da câmera não estão presentes. A QX100 não tem modo de fotos contínuas, temporizador, panorama e outros.

- Ambas as câmeras só tiram fotos JPEG. Elas não capturam imagens RAW, idolatradas por fotógrafos profissionais (a câmera RX100 faz isso).

- Nenhuma das câmeras captura vídeo em Full HD, como faz a RX100. A resolução é menor, ainda que melhor do que 720p.

- Os textos usados no aplicativo são muito ruins. Quando o aplicativo é usado pela primeira vez no iPhone, um texto diz “Procure o dispositivo de fotos dentro das configurações de rede do terminal e configure-o”. O que?

Poxa, Sony. Já não passamos da fase de virar alvo de piadinhas por traduções péssimas de manuais japoneses?

- O aplicativo PlayMemories não deixa que você reveja fotos que tirou recentemente. É necessário abrir o aplicativo de galeria de fotos do aparelho para fazer isso.

- No iOS 7, o aplicativo para iPhone é lento e instável.

- Conectar um iPhone ou aparelho Android sem NFC à rede Wi-Fi da QX requer uma complexa senha, que vem impressa na parte interna do compartimento da bateria.

Será que a Sony realmente acha que criminosos tentarão acessar secretamente sua lente QX e interceptar suas fotos? A Sony realmente acha que as lentes vão vender tanto a ponto de virar um problema de segurança nacional? (Aqui está a senha para minha QX de teste: cPr9vonx. Deliciem-se, hackers.)

Assim, no fim das contas, alguns problemas de usabilidade e lentidão acabam prejudicando uma ideia brilhante.

Mas, veja: não vamos desanimar. Vamos apoiar os engenheiros e executivos que criaram e aprovaram um projeto tão incomum. Vamos esperar que ele sobreviva até que uma versão aprimorada chegue ao mercado no ano que vem.

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