Tamanho do texto

Aparelho com Windows Phone 8.1, espaço para dois chips e câmera frontal para selfies é um bom concorrente para smartphones com Android na mesma faixa de preço: R$ 500

Que iOS que nada. No Brasil, o próximo concorrente do Android é mesmo a Microsoft e seu Windows Phone, que a partir de 29 de julho vai se chamar apenas Windows 10, esteja onde estiver, no smartphone, no tablet ou no computador. Não se trata de um exercício de “futurologia”, pelo contrário, basta ver o esforço da Microsoft em lançar vários aparelhos intermediários, enquanto a Apple ainda tenta aprender com os erros do iPhone 5C, um aparelho que, pelo menos no Brasil, não convenceu como opção acessível da Apple.

Uma prova desse movimento da Microsoft é o Lumia 730 Dual Sim, um aparelho que entrega o que seu investimento promete e é uma boa alternativa ao Android.

A favor

- câmeras frontal e traseira de qualidade;
- dual chip;
- bateria removível;

Contra

- não é 4G e nem tem TV;
- ausência de alguns aplicativos;
- não vem com fone de ouvido e cabo de dados.

Design

Ainda que praticamente todos os aparelhos da linha Lumia se pareçam, não se pode dizer que o 730 não tenha um bom trabalho de design por trás. Se por um lado os celulares da Microsoft não podem ser chamados de arrojados, por outro, podem ser adjetivados como funcionais. Todos os Lumias são semelhantes? Sim. Mas eles são feios? Não mesmo.

Eu, particularmente, gosto bastante das linhas retas que contornam a tela, dos cantos mais quadrados, mas não pontudos, e das laterais arrendondadas. É um contraste sutil que funciona. E, ao contrário de outros produtos com acabamento de plástico, que por vezes aparentam menos do que custaram, o plástico rígido do Lumia 730 dá uma solidez ao smartphone, além de uma ótima pegada.

O policarbonato brilhoso, ainda que menos nobre, é um dos que menos desliza na mão e o que menos guarda marcas de dedos. A gordura da pele não gruda no plástico como acontece no vidro, por exemplo.

Outro fator que favorece a boa pegada do Lumia 730 é o tamanho da tela, de 4,7 polegadas. Em mãos femininas, que costumam ser menores, um aparelho com menos do que cinco polegadas, em geral, é mais confortável. E olha que a minha mão não é das menores, hein?

O aparelho testado por aqui tinha a traseira laranja, que apesar de chamativa, é bastante bonita e passa a impressão de um smartphone divertido que, ao meu ver, é a proposta da Microsoft com essas cores vibrantes. Aliás, isso lembra a estratégia da Apple com o 5C. Além do laranja, há opções com traseira fosca em branco e em preto. Não adianta: a preocupação com o estilo também chegou ao mundo dos celulares intermediários.

Diferente de outras traseiras de produtos concorrentes, a do Lumia é fácil de destacar e dá acesso a todos espaços que o aparelho possui e que podem ser preenchidos: os dois espaços para chips e um para cartão micro SD. A traseira também dá acesso à bateria para quem gosta de andar com uma sobressalente.

Linhas laterais retas e curvas no lugares certos se misturam no design do Lumia 730 dual sim, garantindo ao aparelho uma boa pegada
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Linhas laterais retas e curvas no lugares certos se misturam no design do Lumia 730 dual sim, garantindo ao aparelho uma boa pegada

As entradas e os botões estão onde o usuário espera: a microUSB na parte inferior, a entrada do fone de ouvido na superior, e os botões de liga e desliga e volume na lateral direita, favorecendo os destros, como acontece com outros aparelhos do mercado. Aqui vale ressaltar que, por serem moldados no plástico, os botões são mais difíceis de pressionar. Mas não chega a ser um impeditivo, é claro.

Configuração

Por dentro, o Lumia 730 também é mais cumpridor do que inovador: o processador é um Qualcomm Snapdragon 400, que possui quatro núcleos e 1,2 GHz. A memória RAM é de 1 GB, um número que se tornou padrão entre os intermediários, infelizmente, e 8 GB para armazenamento, outro número que é quase um clichê. Porém, há espaço para cartão micro SD de até 128 GB, e 15 GB de armazenamento gratuito em nuvem no OneDrive. Para quem ativar o backup do álbum da câmera automático, a Microsoft dá mais 15 GB.

Nos testes de benchmark é difícil comparar Android com Windows, pois nem todos os aplicativo estão disponíveis e os sistemas atuam de forma diferente no hardware do aparelho. O AnTuTu é um dos poucos que está presente em ambos e, neste caso, o Lumia 730 ficou um pouco abaixo do Moto G 2014, com 12.032 pontos. Ou seja, é páreo para seu principal concorrente.

Testei o aparelho por alguns dias e não tive problemas com travamento, mesmo em jogos mais pesados que exigem um bom desempenho gráfico. Em geral, o que me incomodou foram as transições do Windows Phone, que são um pouco mais demoradas que no Android. Minha experiência com outros aparelhos rodando o sistema da Microsoft já me mostraram que é uma questão da plataforma, não de configuração. Aquelas bolinhas se mexendo enquanto alguma tela carrega me deixam um pouco ansiosa, devo confessar.

Tela

A tela de 4,7 polegadas é OLED com resolução HD 1280x720 pixels, com 16 milhões de cores, densidade de 316 ppi e taxa de atualização de 60 Hz. Deixando de lados as especificações, pode-se dizer que a tela entrega uma boa experiência de imagem, mesmo sendo só HD. Uma vez que a tela não é tão grande, a resolução HD dá conta do recado: jogar, ver vídeos ou mesmo ler. A tela não decepciona.

Afora isso, vale lembrar que a tecnologia OLED garante um preto mais fechado e cores vibrantes, o que no caso do Windows Phone é importante, uma vez que, de fábrica, o sistema tem um fundo preto e os tijolinhos que preenchem a tela inicial, cores vivas.

A tela carrega também os botões do sistema, como é comum encontrar nos concorrentes com Android. A lógica é parecida: o botão com o símbolo de Windows é o iniciar e fica no meio, o da direita dá acesso à busca e o da esquerda é o botão de voltar. É só uma questão de se acostumar, assim como quando você troca de fabricante de Android. Eles adoram inverter botões para serem diferentes um dos outros.

Sistema e aplicativos

O lado bom e o lado ruim do Windows Phone tem origem na mesma questão: a de que ele não se parece com seus concorrentes. O lado ruim é que para quem vem do Android ou do iOS a curva de aprendizado, ou seja, o tempo que se leva para entender a lógica de funcionamento é maior do que para quem muda de iOS para Android e vice-versa. 

O lado bom do Windows Phone ser diferente começa com o design: nada de ícones flutuando na sua “área de trabalho mobile”: a tela toda é tomada por atalhos. E se o usuário desejar adicionar mais, é só ir colocando: a tela inicial não ganha páginas, mas cresce para baixo, como numa rolagem infinita, o que eu acho bem mais prático.

Também é legal ter a possibilidade de deixar os aplicativos que você mais usa em evidência, aumentando o tamanho do atalho, e diminuindo algo que é pouco acessado, ou mesmo retirando esse atalho. Também gosto da forma como os aplicativos são organizados em lista seguindo o padrão da ordem alfabética e também do Windows Phone já mostrar ali como está o status de atualização de cada app.

Quando chega no tema aplicativos, a situação complica. A Microsoft segue a linha das fabricantes que aproveitam para encher o aparelho do usuário de apps. Neste caso, a Microsoft leva vantagem frente às fabricantes que operam com Android porque possui serviços que são realmente úteis para o usuário. E com os quais ele está acostumado, como Skype, por exemplo.

Aplicativos Lumia para imagem, são vários, além de alguns de produtividade como One Note, ou ainda aplicativos de conteúdo do Bing. O maior problema dos aparelhos que possuem muitos aplicativos pré-instalados é o trabalho que o usuário tem para personalizar o seu aparelho, tirando da frente aqueles atalhos e widgets indesejados, e o espaço que eles ocupam, que no caso do Lumia 730 é uma quantidade considerável: mais de 4 GB vêm ocupados para uma memória interna de apenas 8 GB.

No restante, essa última atualização do Windows Phone 8.1, a Denim, já deixou ele bem próximo dos concorrentes em termos de recursos ao trazer um menu rápido para configurações e também a central de notificações, que reúne os alertas em um único lugar. Há, além disso, funções exclusivas, como o Espaço para aplicativos, um lugar que permite ao usuário criar uma tela inicial com apps selecionados para o trabalho ou mesmo para crianças, por exemplo.

Por fim, vale dizer que a Microsoft está se esforçando para não ser a última plataforma a receber um aplicativo, mas isso ainda não mudou muito. É verdade que os apps mais utilizados estão lá, como o WhatsApp, mas ainda falta uma versão oficial do Instagram e o novo queridinho da galera, o Snapchat. Porém, vale dizer, no Windows Phone não faltam desenvolvedores criando apps para suprir essas ausências.

Bateria de 2.220 mAh é removível
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Bateria de 2.220 mAh é removível

Bateria

A bateria é removível, o que é algo bom, bem como seu desempenho. No teste que costumo fazer, que é rodar um video em tela cheia com o Wi-Fi ligado, a bateria de 2.200 mAh se saiu bem: cerca de nove horas. No dia-a-dia, ela se manteve na média do que um aparelho intermediário costuma entrega: pouco mais de doze horas.

Um porém da bateria é que, de fábrica, o aparelho traz um carregador de parede cujo cabo não é removível, e não possui cabo de dados como acessório. Logo, é bom que você tenha um cabo USB com conector microUSB em casa sobrando ou terá que adquirir um para não precisar andar com o carregador de parede para cima e para baixo. O meu, sinceramente, nunca sai da tomada que fica do lado da cama.

Conectividade

Dual chip e compatível com a rede 3G, o Lumia 730 possui o básico: compatibilidade com USB 2.0, conexão Bluetooth 4.0 e NFC para pagamentos móveis. Permite que o usuário transforme o aparelho em um roteador de internet e que projete conteúdos em outras telas.

Câmeras

O Lumia 730 se encaixa na estratégia de aparelhos para selfie que a Microsoft adotou faz algum tempo. A câmera frontal tem cinco megapixels e a traseira 6,7 megapixels. A diferença é pouca, é verdade, mas não chega a ser um problema. A Microsoft tratou de compensar com outras configurações igualmente ou até mais importantes para um bom resultado de câmera.

A câmera traseira, que é principal, não é muito maior que a frontal, mas tem lentes com o sistema óptico ZEISS, que é a garantia de qualidade das câmeras dos Lumia, abertura de câmera de f 1.9, flash LED, foco automático e zoom digital de 4x.

Se a traseira é cumpridora, a frontal impressiona: primeiro porque a lente é grandeangular, que amplia o campo, com uma abertura de f/2.4. Além disso, tanto a traseira quanto a frontal fazem vídeos em 1080p, isto é Full HD, 1920 x 1080.

Por meio do seu software, a câmera frontal oferece ainda recursos interessantes como de selfie automática, que emite um sinal sonoro quando o enquadramento do rosto do usuário está correto e dispara para registrar a imagem.

Nos testes que fiz com as câmeras, achei ambas bem satisfatórias: por vezes, o conjunto de lentes e a abertura da câmera importam mais que a quantidade de pixels que elas são capazes de chegar. E, convenhamos, há tempos a Nokia, que agora é Microsoft, vinha mostrando que sabe fazer câmeras melhores que muitos fabricantes de Android.

Conclusão

Sem dúvida, o Lumia 730 Dual Sim é uma boa opção de intermediário que não é Android. O aparelho desempenha bem todas as funções e é diferente de quase tudo que tem nessa faixa de preço por aí. Nos últimos tempos, esse é o segmento mais interessante: não só porque o preço é mais acessível, mas porque na tentativa de construir aparelhos que sejam bons e baratos e que batam os concorrentes, as fabricantes estão se esforçando mais e tentando, mesmo que de uma forma mais sutil, inovar. Além disso, vale ressaltar que os smartphones top de linha estão cada vez mais se transformando em símbolo de status mais do que de performance.

O destaque para a selfie é uma vantagem, assim como o fato de ser dual-chip e ter a bateria removível. Porém, vale ressaltar que ele não tem 4G, importante para quem está pensando em migrar para a quarta geração, nem TV Digital, recurso que cada vez mais intermediários estão apostando, pelo menos no Brasil. Porém, para quem deseja um aparelho diferente, tanto por fora quanto por dentro, é uma opção. Afora que a integração com outros produtos da Microsoft fica muito mais facilitada e deve, com o Windows 10, melhorar ainda mais. Além disso, ele custa pouco mais de R$ 500.

Ficha técnica

Configuração: processador Qualcomm Snapdragon 400 quad core de 1,2 GHz, 1 GB de RAM, 8 GB de armazenamento (cerca de 4 GB livres), entrada para cartões de até 128 GB, tela OLED de 4,7 polegadas com resolução HD 1280x720 pixels e tecnologia IPS, câmera traseira de 6,7 megapixels com gravação de vídeo em Full HD, câmera frontal de 5 megapixels, sistema Windows Phone 8.1, WLAN IEEE 802.11 b/g/n, DLNA, Bluetooth 4.0, NFC. Dual chip 3G.

Preço: R$ 566 desbloqueado

Dimensões (cm): 13,47 x 6,85 x 0,87

Peso: 130 gramas

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.