Tamanho do texto

Phablet da Asus lembra bastane o ZenFone 5, por dentro e por fora, mas possui melhorias que caem bem com seu tamanho

Colocado à venda logo após do ZenFone 5, o ZenFone 6 é o típico irmão mais novo que, não bastasse ser mais jovem, chama mais atenção. Neste caso, não é exatamente pela beleza, visto que ambos possuem o mesmo design, mas pelo tamanho. A tela de seis polegadas o torna maior até do que o iPhone 6 Plus, da Apple, um dos phablets do mercado, mas como uma vantagem e tanto: seu preço. O valor sugerido pela taiwanesa Asus é de R$ 999. 

LEIA:  Com preço atrativo e boa configuração, Zenfone 5 é rival de peso para Moto G

A favor 
- compatível com dois chips
- bateria grande e com bom gerenciamento de energia
- software de câmera com boas funcionalidades

Contra
- tamanho para poucas mãos
- só tem versão 3G
- muitos aplicativos próprios instalados

Design 

De cara, é preciso dizer que a versão testada pelo iG veio com a traseira vermelha, o que garante um charme extra ao aparelho. O tom do vermelho é próximo do cereja, mas fosco, o que o deixa mais bonito, enquanto a textura meio emborrachada garante uma pegada confortável. Tudo bem que um celular com tela de seis polegadas e traseira colorida pode chamar atenção até demais, especialmente na rua, mas isso é uma questão de gosto e de escolha. 

O ZenFone 6 segue a mesma linha de design do ZenFone 5 e dos aparelhos mais elegantes: linhas retas, canto arredondados. Será que Steve Jobs ficaria feliz de ver tantos aparelhos mais bonitos do que na época em que o primeiro iPhone foi lançado? Acho que sim. Nesse sentido, o ZenFone 6 tem outro ponto positivo: um detalhe de aço com círculos concêntricos no fim da tela, logo após os botões.

Aqui, um pequeno porém: diferente de outros Androids, os botões não são virtuais, mas logo abaixo da tela. O problema é que, no escuro, o branco meio acinzentado dos botões não é suficiente. Era melhor se eles acendessem. Um detalhe, mas que pode incomodar. Os botões de volume e de liga/desliga, físicos, ficam na lateral esquerda, na cor prata e possuem uma textura leve que dá ainda mais elegância para o ZenFone 6.

A pegada do smartphone é boa, mas combina mais com pessoas de mão grande, não adianta. Por mais fã que eu seja de phablets, ser capaz de segurar o celular com uma mão sem ficar com medo de que ele caia é essencial. A dica é: antes de comprar, pegue o ZenFone 6 na mão. O aparelho conta com um recurso de software que permite ao usuário ajustar o sistema para que ele ocupe 4,3 polegadas, 4,5 ou 4,7 polegadas da tela, o que resolve a questão do uso com uma mão só, mas, convenhamos: ninguém compra um aparelho grande para reduzir a área da tela, né? Ou sim?

Configuração

Em termos gerais, o ZenFone 6 é um ZenFone 5 espichado. O processador é o mesmo, um Intel Atom Z2560, dual-core de 1.6 GHz, com memória RAM de 2 GB, sem dúvida alguma um bom atrativo na hora de batalhar pelo bolso do consumidor. Depois de testar um aparelho com mais RAM, que é a memória usada para executar os aplicativos, voltar para o 1 GB, o padrão entre os intermediários é, no mínimo, difícil. Faz diferença, de fato.

Nos testes de benchmarking feitos pelo iG, o ZenFone 6 ficou bem próximo do ZenFone 5 e do intermediário alvo da Asus e de todas as empresas que apostam neste segmento, o Moto G. Foram 22.014 pontos no AnTuTu, 1.530 no Vellamo HTML5, 789 no Vellamo Metal e 989 no Vellamo Multicore. Apenas neste último o desempenho foi bastante inferior ao do Moto G, 1.380 pontos, provavelmente porque o chip Intel do Zenfone tem dois núcleos, contra quatro do chip Qualcomm do Moto G.

O iG também testou o aparelho com os aplicativos mais comuns e alguns games pesados, como Dead Trigger 2 e Galaxy on Fire HD 2. O desempenho do aparelho foi muito bom e todos os games rodaram sem engasgos. O ZenFone 6 esquentou pouco, só perto da câmera, mas nada preocupante. A tela de seis polegadas garante uma experiência de jogos bem imersiva como já era de se esperar. O alto-falante grande na parte traseira inferior do aparelho e um segundo na parte superior frontal tornam o ato de ver vídeos ou de jogar ainda mais interessante. O som sai potente e límpido.

A versão testada pelo iG veio com 16 GB de armazenamento, 8 GB livres, um valor que permite instalar uma boa quantidade de aplicativos e jogos. O aparelho tem ainda entrada para cartão de memória microSD de até 64 GB e 5 GB de armazenamento na nuvem gratuito pelo ASUS WebStorage. O aparelho com rádio FM, mas fica devendo a TV digital presente no Moto G.

Câmera traseira é de 13 MP no ZenFone 6
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Câmera traseira é de 13 MP no ZenFone 6

Câmeras

A câmera frontal é de dois megapixels, a mesma do ZenFone 5, mas a traseira é de 13 megapixels com a tecnologia PixelMaster integrada e flash LED. 

Entre os modos da PixelMaster está o de Selfie, que identifica até quatro pessoas e fotografa automaticamente com a câmera traseira, e o modo Pouca Luz, que aumenta em até 400% a sensibilidade à luz ao tirar fotos em locais com pouca iluminação. Não faz milagre, mas ajuda. Outro modo interessante é o Retrocesso de Tempo, que registra a imagem dois segundos antes do clique e um depois. Com a imagem capturada, o usuário pode "voltar no tempo" e escolher uma foto antes de ter apertado o disparador. Esse modo até existe em outros celulares, mas a interface criada pela Asus, com um botão em forma de círculo, é mais intuitiva e convidativa. Uma boa alternativa para fotos de pessoas de movimentando, por exemplo. A chance de uma não ficar borrada aumenta.

As câmeras têm foco automático, a possibilidade de fazer o foco tocando na tela e a já falada detecção de faces. Modos como HDR e Panorama também estão presentes, além da função de Embelezamento, comum em aparelhos de origem asiática, e um recurso inusitado e muito útil de fazer gifs.

Em geral, o software da câmera, bem diferente de outros Androids, exige prática, mas oferece recursos interessantes, como a possibilidade de fazer configurações manuais, e filtros que vão além do básico do Instagram como o pixelado, por exemplo. O smartphone também é capaz de gravar vídeos em Full HD (1.920x1.080 pixels) com a câmera traseira e vídeos em HD (1.280x720 pixels) com a frontal. 

Tela

Com seis polegadas, o ZenFone 6 possui a mesma tela HD do ZenFone 5, o que pode frustrar alguns clientes que esperavam um display de maior resolução para um aparelho tão grande, mas a verdade é que não chega a ser um problema. A resolução de 1.280 x 720 cumpre seu papel também na versão grandalhona da Asus.

Comparando a tela com a de um Galaxy Prime, da Samsung, percebe-se que a tela do ZenFone 6 possui um pouco menos de brilho, parece, de certa forma, mais opaca. É um detalhe, mas que pode incomodar quem faz questão de ver vídeos e jogar games com a tela no brilho máximo. Nesse caso é sempre bom lembrar que telas com o brilho no máximo são os maiores sugadores de bateria do smartphone, seja ele qual for.

Nos ajustes de tela, é possível encontrar um Modo Leitura que deixa a tela com um tom amarelado mais confortável. O ZenFone 6 conta ainda com um aplicativo chamado Splendid que não só traz um atalho para esse Modo Leitura, mas que permite ao usuário deixar a tela com cores mais vívidas ou ainda personalizar a saturação e a matiz.

A tecnologia IPS, presente no aparelho, garante que o usuário consiga ver o que está na tela de qualquer ângulo. A proteção contra riscos e arranhões é Corning Gorilla Glass 3. 

Sistema

A versão do Android no ZenFone 6 testado pelo iG ainda é a 4.4.2, mas a Asus prometeu que Lollipop, 5.0, chegaria aos seus aparelhos. Como a cara do sistema operacional do Google é bastante modificada pela ZenUI, interface própria da empresa, o usuário nem nota que versão está utilizando. Somente os conhecedores de Android poderão perceber ao notar a falta de uma ou outra funcionalidade presente apenas na quinta versão.

O sistema modificado está longe de ser feio e até lembra, de certa forma, o material design que o Google vem adotando nos últimos tempos, com cores mais chapadas. Porém, os símbolos escolhidos para representar as funções são um pouco mais elaborados e, em cima da cor sólida, há sempre uma sombra que tenta dar profundidade aos símbolos nos atalhos. Não fosse essa sombra estranha, acredito que os ícones seriam muito mais bonitos. 

Telas de aplicativos e configurações do Zenfone com interface ZenUI
Reprodução
Telas de aplicativos e configurações do Zenfone com interface ZenUI

Na hora de colocar aplicativos próprios embarcados nos seus aparelhos a Asus não poupou esforços. São incontáveis como nos smartphones Samsung e LG. Porém, é preciso deixar claro que vários deles são, na verdade, atalhos para funcionalidades importantes para o usuário, como o app de economizar energia, de atualização do sistema, de metereologia, laterna e até de espelho. Mas é claro que ocupam espaço. Na versão testada pelo iG, de 16 GB, 8 GB estavam disponível. Não é pouco, especialmente em se tratando de um smartphone intermediário que conta ainda com espaço para cartão MicroSD de 64 GB. Fique tranquilo, vai caber tudo.

Alguns aplicativos próprios são bem legais, como What's Next, que reúne informações da agenda do usuário, aniversários de redes sociais e informações sobre o tempo para jogar tudo isso na tela do usuário numa espécie de linha do tempo. O Do It Later, fazer isso depois na tradução livre, também é um app bom que ajuda na organização das tarefas e na hora de responder aquela mensagem que você recebeu e não teve tempo de retornar.

A cortina de notificações que desce do topo da tela também é diferente do Android puro, mas é bem interessante, uma vez que além das últimas novidades de aplicativos, possui atalhos para muitas configurações do aparelho. De modo geral, quem prefere um Android puro e sem apps pré-instalados pode não gostar da interface da Asus. Por outro, vale ressaltar que a maioria é realmente útil.

Conectividade

Em termos de conectividade, o ZenFone 6 oferece tudo o que se espera de um intermediário: Wi-Fi 802.11 b/g/n, Wi-Fi Direct, hotspot, GPS e Bluetooth 4.0. E, se não bastasse tudo isso, ainda é dual chip, ou seja, compatível com dois chips de diferentes operadoras, algo impensável para outro grandalhão do mercado, o iPhone 6 Plus, e ausente também nos Lumias 1320 e 1520, os phablets da Microsoft.

A compatibilidade com a rede 3G, e não com a 4G, e a ausência de NFC, podem afastar usuários interessados em um aparelho que dure mais do que um ano. A adoção do 4G ainda é baixa na América Latina, os planos, além de caros, não oferecem uma qualidade tão superior assim ao 3G, mas estamos em transição. O NFC também não é essencial, mas, de novo, tais caracterísicas poderiam dar ao ZenFone 6 uma vida útil ainda maior na mão dos usuários e também no mercado brasileiro. 

Bateria

A bateria do ZenFone 6 é outro diferencial e atrativo do smartphone. Com 3.230 mAh, ela se saiu bastante bem nos testes intensivos do iG, quando deixamos um vídeo rodando sem parar com a tela no brilho máximo e Wi-Fi ligado: foram quase 10 horas. No uso diário ela não foi tão bem, passando um pouco das 12 horas comuns nos intermediários. 

Porém, é importante ressaltar que com o aplicativo Economizador de Energia, que possui três modos (Ultra-econômico, Otimizado e Personalizado), o ZenFone 6 conseguiu durar da hora de acordar até a hora de dormir, o sonho de todo o consumidor. O único porém dessa bateria, para quem gosta de andar com uma sobressalente, é que ela não é removível. Porém, sempre bom lembrar que já existem baterias portáteis que fazem essa função e são bem mais práticas e mais fáceis de carregar.

Conclusão

Com tamanho de topo de linha, mas preço de intermediário, o ZenFone 6 é uma ótima opção para quem não quer gastar mais R$ 1 mil em um aparelho que faz as vezes de um tablet, os famosos phablets. Em geral, ele se parece bastante com seu irmão mais velho e bem-sucedido no mercado brasileiro, o ZenFone 5, mas possui um charme próprio, que combina bem com seu tamanho. A bateria maior e a câmera traseira de 13 megapixels são bons exemplos. Antes de comprar, porém, certifique-se de que você conseguirá manejá-lo com segurança. Na minha mão de mulher foi um desafio, mas foi bem legal.

Especificações

Preço: R$ 999
Configuração:
processador Intel Atom Z2560 dual core de 1,6 GHz, 2 GB de RAM, 32 GB de memória interna (8 GB livres) + entrada para cartão de memória microSD até 64 GB, dual chip (padrão micro-SIM), 3G/3G+, Android KitKat 4.4.2, tela de 6 polegadas com resolução HD (1.280 x 720) e tecnologia IPS, Wi-Fi b/g/n, Wi-Fi Direct, Bluetooth 4.0, GPS. Câmera traseira 13 MP, 4128 x 3096 pixels, auto-foco e Flash LED, e câmera frontal de 2 MP. Bateria não removível de 3.320 mAh.
Dimensões (cm):
16,69 x 8,43 x 0,99 
Peso (g): 
196 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.