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Segunda geração do Moto X, da Motorola, prova que, por vezes, basta evoluir para chegar em um aparelho que seja equilibrado em todos os sentidos, inclusive no preço

O Moto X de segunda geração, lançado em setembro de 2014, foi um dos últimos aparelhos desenvolvidos pela Motorola da era Google, que acabou oficialmente em outubro de 2014, quando a aquisição da companhia pela Lenovo foi finalizada. Ou seja, todos os produtos lançados depois desta data serão criações de uma Motorola sob o comando chinês da Lenovo. Isso não quer dizer, porém, que a nova dona deixará para trás os ensinamentos do Google, muito pelo contrário. Se tem algo que a segunda geração do Moto X provou é que é possível fazer muito com pouco. Se a primeira geração, de 2013, causou no mercado, a segunda geração mostra que muitas vezes é melhor investir na evolução do que criar algo totalmente novo para atingir o equilíbrio.

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A favor

- conectividade 4G e NFC
- Android puro
- Poucos e úteis aplicativos próprios

Contra
- compatível com só um chip
- sem espaço para cartão de memória
- carregador rápido não incluso na caixa

Design

Desde o primeiro Moto X, e também nesta segunda geração, a Motorola apostou na simplicidade. Isso não quer dizer que o aparelho seja feio, apenas que design não é a sua principal característica. Ainda assim, vale dizer, o produto aparenta elegância, e pode ganhar mais personalidade com capas traseiras que imitam bambu ou couro, por exemplo. Além disso, seu design é bastante funcional.

Sua traseira é levemente curvada, deixando as bordas mais finas, o que contribui para a aparência do aparelho e também para a sua ergonomia. O Moto X, apesar da tela maior em sua segunda geração, de 5,2 polegadas, tem uma pegada boa, que encaixa na mão. A borda ao redor da tela e os cantos arredondados também foram sábias decisões de design, uma vez que diminuem as chances da tela quebrar ou rachar em caso de queda. Reduz, mas não impede, sempre bom lembrar. 

Embora tenha um design simples, o Moto X está longe de ser simplório. Pelo contrário, eu diria até que é um smartphone elegante, com linhas clássicas e materiais modernos como o metal, do acabamento, ou a resina preta da traseira do modelo básico. Os botões virtuais de acesso ao sistema não são uma exclusividade, mas combinam ainda melhor com um aparelho que roda Android puro.

Configuração

É por dentro que o Moto X mais se destaca, tanto em relação a primeira geração quanto ao seu irmão, o Moto G, o intermediário que é o grande sucesso da Motorola. A começar pelo processador, o Snapdragon 801, da Qualcomm, o mesmo de vários outros produtos topo de linha como LG G3, Xperia Z3 da Sony e o Galaxy S5, da Samung, seus contemporâneos. É claro que o processador não é a única característica de um aparelho avançado, mas é de suma importância para o seu desempenho. A CPU é quad-core com 2.5 GHz e a GPU Adreno 330. Todos esses códigos se transformaram em dados no testes de benchmarks que comprovam sua alta performance.

Nos testes de benchmark a versão 2014 do aparelho não decepcionou: foram 44.829 pontos no AnTuTu, acima do Galaxy 5, da Samsung, e do Mi4, da Xiaomi. No Quadrant Standard foram 22.855, pouco abaixo do Galaxy Note 4, 3.485 no Vellamo HTML 5, que mede o desempenho do navegador, 1.972 no Vellamo Metal e 1.494 no Vellamo Multicore. São valores próximos de outros top de linha e muito superior aos do seu irmão intermediário, o Moto G.

Diferentemente do Moto G 2014, as mudanças de hardware no Moto X de 2013 para 2014 são bastante perceptíveis. O aparelho segue com os mesmos 2 GB de RAM, mas tem o dobro de armazenamento interno, 32 GB. Porém, para a tristeza de quem não confia na nuvem e leva todos os arquivos no telefone, o Moto X 2014 não possui espaço para cartão microSD de armazenamento. De qualquer forma, o hardware como um todo é bastante satisfatório. Tanto que nos experimentos realizados durante as semanas de avaliação, o aparelho não travou. O Moto X 2014 também rodou com facilidade jogos mais pesados como Dead Trigger 2 e Galaxy On Fire 2 HD.

Conectividade

Outra destaque é a conectividade 4G, presente desde a primeira geração. Hoje, qualquer aparelho apresentado como topo de linha precisa ser compatível com a rede mais avançada em termos de dados. Além disso, o smartphone tem bluetooth 4.0 LE e NFC, padrão que permitirá o usuário fazer pagamentos apenas encostando o smartphone assim que esse tipo de sistema ganhar força no Brasil. O Moto X tem Wi-Fi 802.11a/g/b/n/ac (compatível com banda dupla) e ponto de acesso móvel, isto é, permite que você crie uma rede Wi-Fi e distribua o sinal de internet do seu celular.

Tela da segunda geração do Moto X tem 5,2 polegadas e é Full HD
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Tela da segunda geração do Moto X tem 5,2 polegadas e é Full HD

Tela

A tela é uma das novidades dessa segunda geração do Moto X. Não só porque é maior, passou de 4,7 para 5,2 polegadas, mas porque possui resolução Full HD (1080 x 1920 pixels), densidade de 423 ppi e proteção contra riscos e arranhões Corning Gorilla Glass 3. 

O display AMOLED, em geral, entrega um bom nível de brilho e cores com contraste, logo, com o Moto X 2014 não é diferente. E com a resolução Full HD, nenhum pixel fica muito aparente.

Além disso, a tela é bem equilibrada, o branco tende para o amarelado ao invés de puxar para o branco do LED, que em geral é menos confortável para os olhos.

Sistema e aplicativos

Se na construção do aparelho a Motorola acertou ao optar pela simplicidade, no software não foi diferente. É óbvio que durante todo o comando do Google, os aparelhos da marca rodariam o Android, de preferência sempre a última versão. O que nenhuma concorrente esperava é que a Motorola do Google optaria por apresentar ao usuário uma versão pura do seu sistema operacional, que nessa quinta versão, codinome Lollipop, está tão simples quanto o aparelho que o envolve.

O Moto X 2014 é a elegância por dentro e por fora. O conceito de material design do Android cai bem nos aparelhos Motorola. Uma pena que nenhum outro fabricante tenha apostado nessa estratégia, pois do jeito que essa versão está bonita, não duvido que o Lollipop combinasse com smartphones de outras marcas que também investem no Android, mas não puro.

Outra característica do Moto X 2014 que acredito ser uma enorme vantagem, especialmente considerando que o aparelho não tem espaço para cartão microSD, é a pouca quantidade de aplicativos próprios da Motorola pré-instalados. Os apps disponíveis são, em sua maioria, muito úteis. O Moto Voz, que ajuda o usuário a configurar o comando de voz do Android, é um dos grandes destaques. No caso de um recurso tão inusitado como ainda é o comando de voz, um aplicativo que introduza o assunto para o usuário e mostre como se faz é mais do que necessário. 

Além do aplicativo Voz, tem o Ajuda, que ensina o cliente a usar seu novo smartphone Android, e que é bastante recorrente em outras marcas. Já o Alerta é um aplicativo para emergências. Com um ou mais contatos configurados o usuário pode enviar mensagens de texto com coordenadas geográficas para que o outro o encontre ou enviar alertas com a localização do aparelho.

Já o Assist é um assistente da Motorola. A ideia é que ele ajude o usuário a automatizar algumas das tarefas realizadas diariamente no smartphone, como silenciar o aparelho à noite. Para quem já é usuário da Motorola, o Migração é a chamada “mão na roda”. No caso de aparelhos com Android, ele copia fotos, vídeos, mensagens de textos e até as chamadas recentes para o novo aparelho com a simples leitura de um QR Code. A migração de Android para Android é a mais completa, mas também é possível copiar contatos e a agenda de um iPhone, da Apple.

Tem ainda o Moto Tela, que permite ao usuário configurar que notificações serão mostradas na tela de bloqueio. Ou seja, o que você poderá ver sem ter que necessariamente desbloquear o aparelho para entrar no aplicativo. Bastante útil. Tem também o Moto Ações, que responde a gestos simples sem que você precise tocar no celular. Com ele, o usuário configura um movimento em que passa a mão sobre o telefone para silenciar ligações, ou que ativa a soneca de alarmes, ou ainda uma ação que inicie a câmera com dois movimentos de seu punho.

Câmera traseira do Moto X 2014 tem 13 megapixels e flash LED duplo na forma de anel
Emily Canto Nunes/iG São Paulo
Câmera traseira do Moto X 2014 tem 13 megapixels e flash LED duplo na forma de anel

Câmeras

Um dos principais fatores que diferenciam um aparelho intermediário de um topo de linha é seu conjunto de câmeras. É nesse quesito que o Moto X 2014 fica devendo para seus concorrentes. A câmera traseira de 13 megapixels está na média, mas a frontal de 2 megapixels não impressiona o usuário que gosta de fazer selfie. Se você é do tipo que não faz autorretratos o tempo todo, a traseira pode dar conta do recado, afinal tem uma abertura de lente de f/2,25, para que a imagem receba mais luz, flash duplo de LED em formato de anel, zoom digital de 4x, grava vídeos em 4K e em HD com 1080p de resolução e 30 fps. Porém, as imagens feitas são bastante irregulares, especialmente nas cenas noturnas.

Outro ponto que compensa as câmeras não tão poderosas é seu software, que está em constante atualização e que permite muitas regulagens legais para o usuário. A opção de sacudir a câmera com a mão para automaticamente abrir o aplicativo de câmera é uma das minhas soluções preferidas criadas pela Motorola.

Áudio

Um diferencial dessa segunda geração do Moto X é a preocupação com o áudio. A impressão que dá é que a Motorola passou meses analisando o comportamento dos brasileiros com seus aparelhos de primeira geração. Pessoas que gostam de escutar música sem fone de ouvido e que aproveitam o translado até em casa para fazer aquela ligação que ficou esperando o trabalho acabar vão gostar da novidade. 

Não tanto do fone de ouvido de melhor qualidade, mas porque o Moto X 2014, assim como o Moto G 2014, possui dois alto-falantes frontais, o de cima para ligações e o de baixo voltado aos sons que saem de vídeos, arquivos de música e jogos. Uma pena que a Motorola não tenha aproveitado a oportunidade de fazer um smartphone estéreo, isto é, onde cada auto-falante reproduziria um canal de áudio. Difícil entender porque a Motorola fez o Moto G 2014 estéreo e o Moto X 2014, não. Além disso, o aparelho conta com quatro microfones e cancelamento de ruído ativo para que a voz de comando do Moto Voz seja melhor captada pelo aplicativo e também para que a pessoa do outro lado da linha não escute os ruídos externos.

Bateria

O gerenciamento da bateria segue como um problema do Android. Aqui temos um ponto a favor das fabricantes que modificam o sistema operacional do Google. Várias delas já criaram aplicativos muito bons e que ajudam o usuário a economizar energia ao longo do dia ou naqueles momentos em que cada traço de bateria é importante para conseguir chegar em casa. 

A bateria do Moto X não é removível, o que pode frustrar alguns usuários, e também não é muito melhor do que da versão anterior, 2.200 mAh contra os atuais 2.300 mAh, mas possui um trunfo para compensar a pequena evolução. A exemplo de outros aparelhos da Motorola como o Moto Maxx, o Moto X 2014 possui tecnologia de carregamento rápido, o Quick Charge 2.0, que com ajuda de um carregador de parede compatível, carrega 60% da bateria em 30 minutos. Porém, o carregador rápido não acompanha o aparelho. É preciso comprá-lo como acessório.

Conclusão

O Moto X não é um topo de linha tradicional, com especificações e preços nas alturas, mas tem configurações avançadas no lugares certos: câmera traseira e processador, por exemplo. É claro que não é um aparelho perfeito, mas tem características muito bem equilibradas e destaques como o design elegante por dentro e por fora que podem conquistar o usuário de cara. 

Ficha técnica

Configuração: tela AMOLED de 5,2 polegadas e resolução Full HD de 1080 x 1920 pixels, sistema Android 5.0 Lollipop, processador Qualcomm Snapdragon 801 com 2.5 GHz quad core, 2GB de RAM, 4G, 32 GB de armazenamento, câmera traseira de 13 megapixels com flash LED duplo em formato de anel, câmera frontal de 2 megapixels, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac dual band, Bluetooth 4.0, NFC.
Dimensões: 14,0 x 7,2 x 1,0 cm
Peso: 144g

Preço: R$ 1.299 (lançado a R$ 1.499)

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