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Smartphone voltado à produtividade, Galaxy Note 5 abriu mão da bateria removível e do microSD para se tornar um produto muito mais bonito e ainda mais completo em funcionalidade

O Galaxy Note 5 chegou recentemente por R$ 3.799 em uma clara tentativa da Samsung de não perder o espaço que o phablet voltado à produtividade conquistou no Brasil nos últimos anos. Quase R$ 1 mil mais caro que a versão anterior – quando a realidade do dólar era completamente outra –, o Note 5 chega como mais um topo de linha da sul-coreana, mas ainda assim estrategicamente posicionado abaixo do seu irmão de configurações semelhantes e bordas curvas, o Galaxy S6 Edge Plus. A decisão não só favorece o Note 5 como prova que o amadurecimento de uma linha pode ser muito mais interessante para uma empresa do que a tão buscada e pouca alcançada inovação.

A favor

- design e acabamento premium;
- S Pen melhorada e com mais recursos;
- bateria com carregamento rápido;

Contra 

- interface TouchWiz antiquada;
- sem entrada para cartão microSD;
- compatível apenas com um chip de operadora.

Design

Dizer que o design de um smartphone é tão essencial quanto suas configurações de hardware pode soar exagero, mas não é. Não mais. Por isso, a decisão da Samsung de levar o acabamento de vidro para a quinta versão do Galaxy Note foi tão acertada. Desde seu nascimento, o Note sempre foi um dos mais poderosos aparelhos do extenso portfólio da sul-coreana, mas apenas por dentro. Design não era seu forte. Tanto que até a quarta versão o celular trazia uma traseira de plástico e uma padronagem que o deixava com uma cara bastante conservadora, de "smartphone de trabalho". Agora, o Note 5 é um aparelho que como outros topos de linha pode ser ostentado pela sua beleza, e, mais do que isso, exibido pelo dono como um acessório fashion. 

No iG , testamos uma versão chamada de Black Sapphire, que mais parece azul-marinho do que preto como o nome sugere, e que por isso mesmo é ainda mais bonita, uma vez que a cor do aparelho muda conforme a iluminação. Além de ser mais robusto, o vidro empresta ao celular um brilho diferenciado, que aliado à moldura metalizada tem mais estilo. Em termos de dimensões, o Galaxy Note 5 é praticamente do mesmo tamanho que seu antecessor, a diferença é que sua pegada está um pouco diferente, para melhor. No Galaxy Note 5, a Samsung fez uso da sua tecnologia de curvar o vidro para dar mais ergonomia à traseira do produto, que encaixa bem na palma da mão. 

Um ponto controverso a respeito do Galaxy Note 5 é a S Pen, a caneta stylus que vem embutida no aparelho. Alguns usuários acharam ruim o fato do acessório não entrar no espaço destinado de qualquer jeito, isto é, com a ponta para fora. Por aqui, entendemos que um usuário mais distraído pode até cometer esse erro e colocar a caneta invertida, porém, vale lembrar que ao deixar a ponta da caneta stylus para fora do aparelho a S Pen fica bastante vulnerável. Trata-se de um acessório sensível que merece proteção, logo, nada de emprestar para crianças que vão tentar colocar a caneta ao contrário. O mais importante, a Samsung fez: deixou a caneta com as mesmas dimensões para que possa ser encaixada com o botão para cima ou para baixo, mas não invertida. Além disso, agora a base da S Pen funciona como um botão que, quando pressionado de leve, empurra a caneta para fora em um mecanismo de empurre e puxe.

Afora isso, a Samsung optou por uma outra disposição de botões no Galaxy Note 5: o liga e desliga na lado direito, os de volume no lado esquerdo, o de voltar no lado direito abaixo da tela, enquanto o botão de acesso às janelas fica do lado esquerdo do botão inicial, também abaixo da tela. Como a posição dos botões pouco muda de marca para marca — com exceção da LG e de alguns modelos da Asus, é claro, que possuem os botões de volume na traseira — é mais uma questão de praticar. 

Configurações

Por dentro, o Galaxy Note 5 é igualmente robusto, e traz configurações acima da média do mercado. O chipset é o Exynos 7420, da própria Samsung, formado por um processador Quad core de 1.5 GHz Cortex-A53 e Quad core de 2.1 GHz Cortex-A57 e por uma GPU chamada Mali-T760MP8. A memória RAM é uma das mais atrativas do mercado, 4 GB, que aliada ao armazenamento de 32 GB – única versão que virá ao País por enquanto –, mostrou-se mais do que suficiente. Diferente das gerações anteriores, o Note 5 não possui entrada para cartão microSD, o que pode frustrar alguns usuários acostumados a guardar tudo no cartão. Porém, vale dizer, a ausência de espaço para cartão microSD é uma tendência, especialmente entre aparelhos topo de linha onde preocupação com o design é maior.

De forma geral, podemos dizer que o aparelho não trava e a experiência de mudar de um aplicativo para o outro é bastante fluída. Os testes de benchmarks feitos pelo iG  comprovam que se trata de um aparelho potente: foram 64.436 pontos no AnTuTu, acima do Z4, Moto X Style, LG G4, fortes concorrentes, 34.783 pontos no Quadrant Standart, bem acima de concorrentes, mas 1.810 pontos no Vellamo Metal, número abaixo do Moto X 2014 e do LG G4, 4.944 pontos no Vellamo HTML 5 e 2.968 pontos no Vellamo Multicore. E, talvez uma dos aspectos mais importantes, o aparelho pouca esquenta durante os jogos. Testamos com o Epic Citadel e Dungeon Hunter 5 e a experiência foi bastante satisfatória.

Câmera traseira de 16 megapixels do Galaxy Note 5 surpreende
Emily Canto Nunes/iG
Câmera traseira de 16 megapixels do Galaxy Note 5 surpreende

Câmeras

Por ser um aparelho topo de linha irmão da linha Galaxy S6, o Note 5 traz o mesmo e bem-sucedido conjunto de câmeras. Na traseira, a câmera de 16 megapixels é capaz de produzir imagens com resolução de 5312 x 2988 pixels, e tem abertura de f1.9, flash LED estabilização óptica de imagem, HDR em tempo real e foco automático.

Câmera traseira conta com foco automático, HDR em tempo real, estabilizador óptico de imagem e Flash LED
Emily Canto Nunes/iG
Câmera traseira conta com foco automático, HDR em tempo real, estabilizador óptico de imagem e Flash LED

Um conjunto de hardware e software que funciona muito bem tanto em ambientes com pouca luz quanto para capturar imagens em movimento. A Apple, e outras fabricantes, já provaram que o conjunto da obra é que interessa: é claro que as lentes são importantes, porque é atráves delas que a luz entra, possibilitando a fotografia, porém, diante de aparelhos tão finos, a ajuda do software para compensar eventuais ausências é mais do que necessário.

Ou seja, com a câmera traseira, o Android e o aplicativo próprio da Samsung fazem um ótimo trabalho. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo da câmera frontal. No modo automático, o programa força a barra em fotos tomadas em ambientes de pouca luz, deixando as imagens borradas para esconder a ausência de pixels. A solução é mudar para a câmera traseira ou mudar as configurações da frontal. De dia, porém, não há reclamações. Em termos de hardware, a câmera frontal fica na média: com cinco megapixels e abertura de f 1.9, faz selfies satisfatórias, mas não brilha como a traseira. 

Uma novidade do aplicativo de câmera presente no Galaxy Note 5 e que ele não só permite que o usuário filme em 4K, mas também transmita ao vivo pelo YouTube. A função chega para fazer frente a aplicativos como Periscope, do Twitter, mas também para simplificar o streaming ao vivo de vídeos e para deixá-lo mais privado. A ideia do recurso é permitir que o usuário faça transmissões para os seus amigos. 

Mas a inovação mais importante quando o assunto é câmera é o atalho que a Samsung criou no Galaxy S6 e que está presente também no Galaxy Note 5: basta dar dois cliques no botão Iniciar para o aplicativo de câmera abrir. Parece bobo, e até simples, mas é uma mudança pequena que faz toda a diferença no dia a dia do usuário. Quem já testou aparelhos da Motorola que ativam a câmera com um simples gestos sabem que todo o atalho para a funcionalidade mais utilizada de um smartphone é válido.

Tela

Como acontece com vários outros aparelhos da Samsung, o Galaxy Note 5 também chama atenção por sua tela. E não apenas pelo tamanho, de 5,7 polegadas, mas principalmente pela qualidade do display Super AMOLED com 16 milhões de cores, resolução de 2.560x1.440 pixels e 518 ppi de densidade. Graças a tecnologia Super AMOLED, a tela do Note 5 é mais fina, possui uma resposta mais rápida e uma nitidez que é perceptível, especialmente em um dia ensolarado.

Sem dúvida, a tela do Note 5 é um dos principais atrativos para quem busca uma melhor experiência de vídeos e jogos, pois sua resposta é rápida, eliminando os possíveis rastros nas imagens em movimento, e bastante nítida. Quando comparamos com um iPhone 6, porém, percebemos que o branco do Note 5 é um pouco mais acinzentado, mas obviamente a diferença só é perceptível quando colocamos os aparelhos lado a lado. No dia a dia, pouco se percebe essa tonalidade mais sóbria que, na minha opinião, agrada mais aos olhos do que aquele branco mais azulado de outros celulares.

Conectividade

O Galaxy Note 5 em nada deixa a desejar em termos de conexão, afora, é claro, se você não abre mão de um smartphone com espaço para dois chips de operadoras, os famosos dual chip ou dual sim. Se para você é importante, esqueça: por enquanto, não há previsão de uma versão com essa característica. Afora isso, o Note 5 possui todo tipo de conexão que um aparelho topo de linha deve ter: compatibilidade com a rede 4G, Bluetooth 4.2, Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, leitor de impressão digital junto ao botão Inicial, GPS e NFC, que continua pouco usado, mas já virou padrão na indústria.

No quesito sensores o Note 5 também entrega o que se espera: o aparelho possui acelerômetro, giroscópio, sensor de proximidade, bússola, barômetro, frequência cardíaca, que ajuda bastante na hora de tirar uma selfie – basta colocar e tirar o dedo de cima do sensor que a câmera dispara –, e ainda o SpO2, também chamado de oximetria de pulso, que mede a pulsação e ajuda no registros de atividades do usuário.

Bateria

Com 3.000 mAh, a bateria do Galaxy Note 5 surpreendeu nos testes, especialmente o intensivo. Rodando vídeo em tela cheia, brilho no máximo e Wi-Fi ligado, a bateria do aparelho durou cerca de dez horas. Nos dias normais ela variou bastante, de 8 a 14 horas, o que pode ser um desafio para o usuário. Nesse sentido, vale dizer que sou uma usuária pesada de redes sociais e que por isso a bateria teve um desempenho tão irregular. Porém, houve dias que ela superou as 14 horas, algo pouco visto atualmente. 

Nos dias de pouca duração, o jeito é apelar para os modos de economia, que no caso do Note 5 se mostraram bastante satisfatórios. O Modo Economia de Energia limita o desempenho da CPU, reduz o brilho da tela e a taxa de quadros, desligando também a iluminação das teclas de toque, a vibração e reduzindo o tempo que a tela leva para ser desligada após o recebimento de uma notificação. Esse modo já salva o usuário. O segundo Modo, de baixo consumo, aplica uma escala em cinza a tela e limita o número de aplicativos em uso. Recomendo para casos extremos. Esses dois modos são realmente úteis, mas seriam ainda melhores se o usuário pudesse configurar para que um deles começasse a funcionar quando a bateria chegasse em determinado nível, ou seja, pudesse programar. Comigo é assim: quando vejo, às vezes, é tarde demais.

Outra forma de driblar a questão da bateria é com o carregamento rápido, que é realmente eficaz. No caso do Galaxy Note 5, o carregador de parede que vem na caixa é capaz de carregar o aparelho totalmente em apenas 90 minutos. A bateria também é compatível com a tecnologia de carregamento rápido e sem fio, mas esse tipo é vendido apenas com acessório. 

Sistema

O Galaxy Note 5 roda uma das últimas versões do Android, a v5.1.1, codinome Lollipop, e em breve será atualizado para a sexta versão do sistema operacional do Google, o Marshmallow. O layout da plataforma ainda é bastante modificado pela interface TouchWiz, que a Samsung parece estar modificando ao poucos para não assustar os usuários. Mais de uma vez os porta-vozes da empresa sul-coreana defenderam a interface própria dizendo que os fãs da marca gostam. Eu, particularmente, nunca fui fã.

Desde o S6, lançado em março, alguns aplicativos próprios estão mais bonitos, como o de Telefone, Contatos e Mensagem. Outra novidade em termos de sistema é que são poucos os aplicativos pré-embarcados, outra evolução em se tratando de Samsung. Grande parte dos apps próprios são realmente interessantes como o Gerenciador Inteligente – que cuida da bateria, armazenamento, RAM e também da proteção do aparelho –, o S Health, que registra as atividades do usuário, o S Voice, que funciona em conjunto com o recurso de comando de voz do próprio Android, o SideSync, que espelha a tela do smartphone em outros aparelhos, estejam eles rodando Windows ou Mac OS, entre alguns outros.

S Pen permite que usuário desenhe e escreva na tela do Galaxy Note 5
Reprodução
S Pen permite que usuário desenhe e escreva na tela do Galaxy Note 5

S Pen

Principal diferencial do Galaxy Note 5, a S Pen é o acessório que torna o aparelho praticamente único no mercado. Não apenas pela sua existência, mas pelas funções que oferece, fruto de um amadurecimento do produto. Uma das novidades da S Pen é que agora ela possue um mecanismo de empurre e puxe que traz a caneta stylus para fora, sem que o usuário precise usar as unhas para tirá-la do seu compartimento. Além disso, ao ser retirada do seu espaço, a S Pen é automaticamente acionada. Agora, é possível escrever na tela bloqueada, função ideal para uma anotação rápida. Essa, com certeza, é uma das pequenas novidades que fazem toda a diferença para quem escolhe o Note.

Além disso, a Samsung finalmente entendeu que a caneta não é utilizada pelo usuário apenas quando ele quer desenhar ou escrever na tela. Por isso, melhorou o Comando suspenso que aparece quando o usuário retira a caneta stylus do seu local de origem ou aperta seu botão. Além das funções ligadas à S Pen, como Lembrete de ação, Seleção Inteligente, Escrita na tela, é possível adicionar atalhos de mais três aplicativos que são bastante usados. Pode parecer pouco, mas já melhora a experiência de quem, como eu, começa a usar a S Pen para uma anotação e, quando vê, está navegando na internet com ajuda do acessório.

Conclusão

Foi preciso cinco gerações de Note para a Samsung compreender que mesmo um celular voltado à produtividade deve ser bonito e que design é tão importante quanto funcionalidade. Com acabamento de vidro, o Galaxy Note 5 é o phablet mais completo dessa categoria, não só porque possui uma tela grande de qualidade, mas porque vem equipado com uma caneta stylus que oferece vários recursos interessantes e que já se provou um acessório importante para quem deseja fazer tudo em um dispositivo só. Mais delicado e bonito que as versões anterioes, o Galaxy Note 5 exige investimento alto e algum cuidado do usuário, mas entrega exatamente o que promete.

Especificações

Preço: R$ 3.799

Configuração: processador octa-core formado por um Quad-core 1.5 GHz Cortex-A53 & Quad-core 2.1 GHz Cortex-A57, 4 GB de RAM, 32 GB de memória interna, chip nano-SIM, Android 5.1.1 Lollipop, tela de 5,7 polegadas com resolução Quad HD Super AMOLED 2560 x 1440 (518ppi), Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, dual-band, Wi-Fi Direct, hotspot, Bluetooth 4.2, GPS, NFC. Câmera traseira 16 MP, auto-foco, HDR em tempo real, e Flash LED, e câmera frontal de 5 MP. Bateria não removível de 3.000 mAh. Carregador de tomada para carregamento rápido e fone de ouvido na caixa.

Dimensões (cm): 15,3 x 7,6 x 0,7 

Peso (g): 171

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