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Smartphone da LG chegou ao Brasil na faixa dos R$ 3 mil

De forma geral, os topos de linha das grandes fabricantes de smartphones presentes no Brasil são vendidos e vistos como sinônimo de premium e, por consequência, de algo caro. Com a alta do dólar, o que antes ficava na casa dos R$ 2 mil, agora chegou a R$ 3 mil, até mesmo R$ 4 mil. Ao investir na evolução do seu principal aparelho, melhorando o software e atualizando configurações ao invés de reiventar o produto, a LG conseguiu lançar um smartphone premium, sim, mas que oferece mais opções para o usuário que deseja customizar seu celular, ao raro na categoria. Além das opções de traseira – metalizada, policarbonato ceramizado ou de couro – há também uma versão dual chip. 

A favor

- versão dual chip, algo pouco visto na categoria;
- interface própria para o Android finalmente simplificada;
- câmera traseira de alto nível e com bom modo manual;

Contra

- bateria com desempenho abaixo do esperado;
- acabamento inferior aos demais premiuns do mercado;
- perfomance abaixo da média em jogos;

Design

O LG G4 é um bom exemplo de quanto apostar na evolução de um produto pode ser mais interessante do que reinventar a roda. Na quarta versão, o design foi aprimorado, especialmente com a chegada de novas opções de traseiras. O aparelho é levemente curvado, entregando uma ótima pegada para o usuário, enquanto os botões continuam na parte de trás, o que exige prática, mas passa longe de ser um ponto negativo do produto. Além disso, eles foram levemente reformulados e ficaram mais bonitos. 

A tela, de 5,5 polegadas, ocupa 72% da parte frontal, indo quase até as bordas laterais, deixando o aparelho apenas um pouco maior do que se espera de uma tela grande. As áreas maiores estão na parte superior, onde estão o alto-falante e a câmera frontal, e na parte inferior, que carrega o logotipo da LG. Os botões do sistema são virtuais, e reside aí um dos grandes problemas de design do aparelho dual chip na minha opinão, mas é um detalhe do qual falaremos mais no tópico sobre sistema operacional.

Quanto às opções de traseira, há seis bem diversificadas: couro marrom, preto ou vermelho, ou de policarbonato ceramizado nas cores titânio, branco ou dourado. Embora muitas pessoas achem o couro brega, eu particularmente gosto desse acabamento não só porque é mais elegante, como porque é diferente da maioria. Mas, é bom lembrar, que couro desgasta, e que a traseira destacável pode, com o tempo, sofrer ação do uso.

Configurações

Na camada superior do mercado de smartphones a briga é sempre pelas especificações. A cada novo lançamento, as fabricantes escolhem uma configuração alta para apostar. Quem acompanha esse setor sabe, porém, que o equilíbrio entre as especificações entrega aparelhos muito melhores. Esse é o caso do LG G4, que com 3 GB de memória RAM, 32 GB de memória de armazenamento, expansível para até 128 GB via cartão microSD, GPU Adreno 418 e um chipset Hexa-core da Qualcomm, o Snapdragon 808 – formando por um Quad-core de 1.44 GHz Cortex-A53 e um Dual-core de 1.82 GHz Cortex-A57 –, entrega uma experiência bastante satisfatória, mesmo sem ter as maiores numerações do mercado. 

Nos testes de benchamark, o G4 se saiu à altura de outros topo de linha. No Vellamo, seus números foram muito bons: 4.177 pontos no Vellamo HTML 5, pouco abaixo do Galaxy Note 5, no Vellamo Metal foram 2.252 pontos, acima do Note 5 e do Galaxy S6 Edge, ambos da Samsung, enquanto no Vellamo Multicore foram 2.528 pontos, próximo dos resultados do Note 5 e do S6 Edge, os novos topos de linha da outra sul-coreana.

No AnTuTu 5X foram 47.107 pontos, bastante abaixo do Note 5, mas muito acima de vários intermediários como o Zenfone 6 ou Positivo Octa, o que demonstra que o aparelho está mesmo em uma categoria premium. No Quadrant Standart foram 24.110, pouco acima do Moto X 2014, mas abaixo do Galaxy Note 5.

Rodando vídeos e jogos, o LG G4 pouco esquentou, o que é um ponto positivo. Mas ao testarmos o desempenho do hardware com o game Dungen Hunter 5, o aparelho apresentou um tempo de resposta mais lento que outros topos de linha testados pelo iG , o que pode incomodar aquele público que é mais fã de games. 

Câmera traseira de 16 megapixels é um dos destaques do aparelho, que conta com modo manual bastante completo
Emily Canto Nunes/iG
Câmera traseira de 16 megapixels é um dos destaques do aparelho, que conta com modo manual bastante completo

Câmeras

Mesmo sendo um topo de linha bem equilibrado, sem tantas especificações nas alturas, a LG também escolheu uma configuração para apostar: as das câmeras. A começar pela frontal, que tem 8 megapixels, abertura de f 2.0 e é capaz de fazer videos de 1080p com 30fps. Já a traseira vem com 16 megapixels, abertura de f 1.8 e é capaz de fazer imagens de 5.312x 2.988 pixels, conta com foco automático a laser, estabilização óptica de imagem e flash LED. Segundo a fabricante, o G4 vem equipado com um sensor que capta 80% mais luz ao atingir o objeto a ser fotografado, em comparação ao LG G3.

Mas são as melhorias no software de câmera que mais chamam a atenção. Além do modo panorama, a câmera traseira oferece ao usuário o modo dual, que fotografa com a frontal e a traseira ao mesmo tempo, e o um modo de câmera lenta. Já no modo manual é possível configurar o Balanço de Branco (WB), alternar entre o Foco Manual (MF) e o Foco Automático (AF),  escolher a velocidade do disparador, o brilho (nos sinais de mais e menos), o ISO da imagem e acionar ou não a trava de auto exposição (AE-L).

De fato, nos testes feitos iG , os resultados foram bastante satisfatórios, acima da média. Para quem deseja aprender fotografia, ter uma câmera de smartphone com tantas possibilidades é uma porta de entrada e tanto. Eu diria até que para quem está começando pode ser mais interessante treinar com as configurações de um celular como o G4 do que investir em uma câmera fotográfica profissional de cara. O LG G4 funciona bem como um primeiro equipamento. A câmera frontal é um pouco mais limitada em termos de configurações, mas conta com recursos como modo embelezamento e de flash, que na verdade é uma moldura mais clara que melhora o resultado da imagem feita com a câmera frontal.

Outro destaque do software de câmera da LG são as ações que facilitam o ato de fotografar. Existe, por exemplo, um pacote de palavras que ativam o disparo por comando de voz: é só ligar a função e falar "Cheese", "Smile", "Whisky", "Kimchi" ou "LG". Há, também, a opção de usar o disparo por gestos com a câmera frontal: abra e feche a mão uma vez que após três segundos a captura da imagem será feita – o chamado Quick Selfie – ou, então, abra e feche a mão duas vezes para fazer quatro disparos em sequência – o Quick Interval Shot. Também é possível fazer fotos em sequência com a câmera traseira segurando o botão de disparo por alguns segundos.

O G4 também conta com um atalho físico para a câmera que embora não seja dos melhores, dá alguma agilidade ao usuário: quando a tela estiver bloqueada, basta apertar duas vezes no botão de diminuir o volume que o aplicativo abre imediatamente. 

Tela

A tela LCD IPS de 5,5 polegadas é um dos grandes destaques do G4: com resolução QuadHD, 2.560x1.440 pixels e 538 ppi de densidade, o display do aparelho chama atenção pelo bom brilho e pelas cores nítidas e consistentes, o que é ótimo para quem gosta de jogar e ver vídeos no celular. Comparando com a tela do iPhone 6, pode-se dizer que o branco do G4 é mais opaco e mais próximo do cinza, mas está longe de produzir uma página escura, pelo contrário, dá impressão de incomodar menos a visão.

Conectividade

Em termos de conectividade, o G4 oferece tudo que se espera de um topo de linha: Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac, dual-band, Wi-Fi Direct, DLNA, hotspot, conectividade Bluetooth 4.1, NFC e até mesmo infravermelho para você fazer do seu celular o controle remoto da TV. Há também rádio FM e sensores como acelerômetro, giroscópio, bússola, barômetro e espectro de cor, um sensor que percebe a intensidade de luz da cena que será capturada e, por isso, ajuda a câmera e seu software a reproduzir a imagem de forma mais fiel, uma vez que percebe a fonte de iluminação. 

O grande trunfo do G4 frente aos seus concorrentes está, porém, na versão dual chip, isto é, compatível com dois SIMs de diferentes operadoras. Assim como espaço para cartão microSD, que permite ao usuário aumentar o tamanho de armazenamento do seu aparelho, o dual chip ou dual SIM têm se tornado cada vez mais raro entre os topos de linha. Logo, ter uma versão dual chip disponível no mercado brasileiro pode ser um diferencial e tanto uma vez que muitos usuários ainda dão valor a essa funcionalidade.

Carregador rápido leva a bateria de 0% a 60% em apenas 30 minutos
Emily Canto Nunes/iG
Carregador rápido leva a bateria de 0% a 60% em apenas 30 minutos

Bateria

A bateria do LG G4 fica na média dos demais aparelhos dessa categoria: tem 2.900 mah e recurso de carregamento rápido que leva a bateria a 60% em apenas 30 minutos, algo essencial nos dias atuais. No dia a dia, seu desempenho foi abaixo do esperado, por vezes nem chegando a 12 horas por dia, já no teste intensivo do iG , com Wi-Fi ligado, brilho no máximo e vídeo rodando na tela cheia, a bateria chegou a nove horas. Nada muito surpreendente. Nesse sentido, um ponto positivo do G4 é que ele possui bateria removível, e se você for do tipo que gosta de andar com uma bateria sobressalente de lítio no bolso ao invés do carregador do aparelho ou de um carregador portátil, esse celular é uma boa opção. Ainda que hoje existem alternativas melhores, convenhamos.

Sistema

O LG G4 roda Android 5.1, finalmente com poucas modificações. Essa versão do sistema operacional do Google é uma das mais bem resolvidas em termos de design – graças ao conceito de Material Design – e por isso mesmo as fabricantes deveriam se preocupar menos em modificar sua interface. Foi o que fez a LG em seus mais recentes aparelhos, inclusive com o G4. 

A nova versão UX 4.0 da LG é mais simples, com o Android mais aparente, e um número bem menor de aplicativos pré-instalados como o Event Pocket, que permite que o usuário unifique todos os seus compromissos em um único calendário, arrastando seus compromissos de e-mails e redes sociais; ou Smart Notice, que traz notificações de clima e viagens e infelizmente ocupa o lugar do Google Now; e o Quick Help, que tira as dúvidas dos usuários sobre o aparelho.

Um grande porém no design do sistema é que a LG decidiu, na versão dual chip, colocar um botão virtual para o usuário trocar de operadora mais facilmente, mas que foge totalmente do padrão dos três botões do Android. Eu, particularmente, achei bastante desnecessário e feio. Poderia ser um atalho no menu de notificações, não um botão fixo no pé da tela que estraga o design da plataforma.

Conclusão

Menos premium do que outros concorrentes quando pensamos na sua carcaça, que tem um acabamento mais convencional, apesar da versão de couro, o LG G4 é uma opção para quem deseja ter um aparelho topo de linha, mas com mais liberdade de escolha. Traseiras diferentes, armazenamento e quantidade de chips são configurações que agradam os usuários brasileiros e que estão se tornando cada vez mais raras entre os smartphones do topo da pirâmide. 

Especificações

Preço: até R$ 3 mil

Configurações: processador Qualcomm Snapdragon 808 com X10 LTE, tela 5,5 polegadas Quad HD IPS Quantum Display (2560 x 1440, 538ppi), memória de armazenamento de 32 GB eMMC ROM, 3GB LPDDR3 RAM com espaço para microSD de até 128 GB, câmera traseira de 16 megapixels com abertura de f 1.8 com estabilizador óptica de imagem OIS 2.0, câmera frontal de 8 megapixels com abertura f 2.0, bateria de 2.900 mAh , Android 5.1 Lollipop, versões 3G e 4G,  Wi-Fi 802.11 a, b, g, n, ac / Bluetooth 4.1LE / NFC / USB 2.0, acabamento em couro marrom e preto; metalizado titanium e dourado; policarbonato ceramizado branco.

Dimensões: 14,8 x 7,6 x 0,6 cm
Peso: 155g

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