
O jornalista André Rocha, formado pela Universidade Mackenzie e mestre em Sociedade Digital pela Universidade Nova de Lisboa, traz ao Inteligência Orgânica uma análise aprofundada sobre os impactos sociopolíticos da tecnologia na infraestrutura urbana . Em sua pesquisa acadêmica, ele investiga a convergência entre as Smart Cities (cidades inteligentes) e o conceito de proximidade das "Cidades de 15 Minutos" de Carlos Moreno, elegendo o bairro de Alvalade, em Lisboa, como estudo de caso onde a digitalização de serviços públicos praticamente eliminou as burocracias notariais. André contrapõe a eficácia de sistemas tecnológicos de vigilância — como as câmeras de reconhecimento facial que reduziram a criminalidade no centro de São Paulo — com o rígido modelo regulatório europeu (GDPR) que, em nome da privacidade, por vezes estagna a inovação em comparação à flexibilidade do mercado americano.
Residindo em Portugal há quase cinco anos, Rocha detalha o panorama complexo da imigração e o crescimento exponencial do partido de extrema-direita Chega, liderado por André Ventura, que utiliza táticas midiáticas inspiradas em Donald Trump para alimentar a xenofobia contra imigrantes asiáticos e africanos. De volta ao contexto nacional, o jornalista atua como consultor da FeComércio na plataforma multimídia Um Brasil, capitaneando um "jornalismo artesanal" de entrevistas densas com intelectuais fora do mainstream em busca de soluções estruturais para o país. Ele conclui que o acúmulo de vivências e o refinamento do repertório pessoal são os trunfos humanos insubstituíveis e as únicas defesas possíveis para navegar com autonomia em uma era inteiramente dominada por códigos sintéticos.
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