Pedro Cortella

Extra! Extra! A OpenAI precisa de pessoas

Criador do OpenClaw conta como a falta de foco expôs que até as gigantes de tecnologia dependem de equipes e escolhas de prioridade

Extra! Extra! A OpenAI precisa de pessoas
Foto: Imagem gerada por IA
Extra! Extra! A OpenAI precisa de pessoas

Peter Steinberger, o criador do OpenClaw, deu uma ótima entrevista ao Bruno Romani, de O Globo, nesta semana.

No final de janeiro, antes do Fantástico exibir uma reportagem sobre o OpenClaw e o Moltbook, quem estava na primeira turma da  formação em Gestão de IA ouviu deste professor que vos escreve exatamente o que Peter diz agora na entrevista.

Se você não estava lá, não se preocupe, eu também gravei um vídeo sobre o assunto pro meu canal . Eu não posto muito lá, mas em breve deve sair mais conteúdo com frequência, então, se inscreva.

Sobre a entrevista, vale prestar atenção especialmente na resposta da primeira pergunta.

Quem acompanha o mundo das big techs de IA percebeu que, ao longo deste ano, a OpenAI correu atrás do prejuízo para não ficar atrás da Anthropic . E conhecer um pouco de como essa reação aconteceu internamente ajuda a desmontar um discurso bastante repetido por aí — inclusive por gestores e líderes do nosso mercado de trabalho tradicional.

Peter diz que faltava foco à empresa. E, em determinado momento, solta esta frase:

“Nem nós temos um número ilimitado de pessoas.”

Você leu direito?

Vou repetir e colocar em negrito a parte que me choca:

“Nem nós temos um número ilimitado de pessoas .”

Uai!? Mas desde quando uma das maiores empresas de inteligência artificial do mundo precisa de pessoas? Não era para a IA fazer tudo?

A ironia é maravilhosa. Enquanto parte do mercado vende a inteligência artificial como justificativa para reduzir equipes indiscriminadamente, uma das empresas mais importantes do setor acaba de reconhecer que precisa escolher prioridades justamente porque não tem gente suficiente para fazer tudo.

Ou seja: a empresa que está na fronteira da automação continua enfrentando um problema profundamente tradicional de gestão: recursos limitados, escolhas difíceis e falta de foco.

A grande lição da IA para os gestores não é que agora podemos fazer tudo com menos gente. A verdade é que, nem mesmo com a melhor IA do mundo, nenhuma organização consegue fazer tudo ao mesmo tempo o tempo todo.


* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG