Pedro Cortella

Nilma Sladkevicius: A Alfabetização Libertadora na Prática

Como a pedagogia de Paulo Freire transforma histórias de vida em currículo e devolve dignidade a quem nunca aprendeu a ler

Nilma Sladkevicius no podcast Inteligência Orgânica
Foto: Reprodução/Youtube
Nilma Sladkevicius no podcast Inteligência Orgânica

A professora Nilma Sladkevicius, educadora multipremiada e militante da Educação de Jovens e Adultos (EJA), traz ao Inteligência Orgânica uma visão apaixonada da alfabetização como fermento de liberdade e cidadania. Em contraponto à "educação bancária" e meramente depositária, Nilma aplica a metodologia de Paulo Freire no chão da sala de aula, transformando a história de vida e o cotidiano dos alunos no próprio currículo escolar. A professora compartilha projetos marcantes de seu livro, como "Não Provoque a Cor de Rosa Choque", nascido do relato de uma aluna que teve seus cadernos rasgados pelo marido sob o estigma de ter "nascido burra", e "Um Sorriso Negro, Um Abraço Negro", premiado pelo Educador Nota 10 ao transformar a investigação do preconceito racial e social na comunidade em autobiografias emancipatórias.

Nilma desmistifica os ataques ideológicos a Paulo Freire, ressaltando o pragmatismo de uma pedagogia que simplesmente funciona e devolve a dignidade a adultos que desenvolveram "mil estratégias" para sobreviver sem saber ler — como o motorista de carro de som de 83 anos cuja maior vitória foi assinar o próprio nome. Sobre os avanços tecnológicos, a educadora conta como integrou o WhatsApp durante a pandemia no projeto "Isolados, mas Lado a Lado" e defende a Inteligência Artificial como uma aliada na pesquisa e no aprendizado. Ela conclui que nenhuma máquina ou algoritmo é capaz de substituir a empatia do professor, a escuta atenta e o brilho nos olhos de um aluno quando percebe que a "janela do mundo" se abriu.

Se você quer entender o impacto humano e transformador da alfabetização de adultos, assista ao episódio completo no YouTube.


* Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal iG