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Com uso intenso de smartphones para fotografar, fabricantes tentam mudar comportamento do consumidor para garantir sobrevivência com venda de modelos mais avançados

Quanto o assunto é câmera digital, o brasileiro ainda busca o modelo mais barato. De acordo com novo estudo da consultoria GfK, divulgado na PhotoImage Brazil 2013, feira para profissionais de fotografia realizada em São Paulo, mais de 50% das câmeras digitais vendidas no Brasil ao longo dos primeiros seis meses de 2013 tinham preço igual ou inferior a R$ 400. Os modelos mais básicos, com preço abaixo de R$ 300, tiveram a maior participação de mercado no período, com 35% do total de unidades vendidas.

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Segundo Fabiano Rodrigues, gerente de negócios sênior da GfK, foram vendidas 2,3 milhões de câmeras digitais no Brasil entre janeiro e junho de 2013. O número representa uma queda de 12% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 2,6 milhões de câmeras digitais
foram vendidas no País. "Fatores econômicos influenciaram na queda, que afetou o setor de eletrônicos como um todo", diz Rodrigues.

Outro fator, no entanto, explica a falta de interesse dos consumidores em câmeras digitais: a popularidade dos celulares que, desde os modelos mais básicos, já contam com câmera integrada. Com um aparelho que fotografa na mão, o consumidor pensa duas vezes antes de pagar por outro dispositivo. De acordo com a GfK, os celulares representam 90,8% do mercado de câmeras fotográficas no Brasil, enquanto as câmeras digitais tradicionais são apenas 8,8% do total de unidades vendidas no período analisado.

"O smartphone oferece a câmera do dia a dia, mas, conforme as pessoas tomam gosto pela fotografia, tendem a buscar uma câmera mais avançada", diz Rodrigues. É por isso que, desde o ano passado, os fabricantes tentam incorporar novos recursos às câmeras digitais para diferenciá-las dos smartphones. "As câmeras digitais precisam oferecer uma experiência diferente", diz Koji Maeda, presidente da Nikon do Brasil, ao iG . Com a estratégia, os fabricantes tentam recuperar uma parte dos consumidores que abandonaram o mercado.

Alguns dos recursos avançados já presentes nas câmeras digitais incluem filmagem com resolução Full HD (1080p), tela sensível ao toque, GPS integrado, conexão Wi-Fi e suporte a 3D. Como a maior parte desses recursos também está presente nos smartphones, os fabricantes agora apresentam modelos que invistam em uma maior qualidade de imagem para atrair os consumidores. "Estamos investindo em modelos com maior zoom óptico, melhores sensores e maior quantidade de megapixels", diz Maeda.

A câmera Coolpix S3500, apresentada pela Nikon na PhotoImage, é prova disso. O modelo já está à venda no Brasil com preço de R$ 499, mas tira fotos com resolução de 20 megapixels e é equipado com um sensor maior, que aumenta a nitidez das imagens. Além disso, o produto oferece zoom óptico de 7x, o que permite fotografar objetos distantes sem obter imagens granuladas. Há uma versão, com tela sensível ao toque de 3 polegadas, por R$ 549.

Se o fotógrafo amador estiver à procura de ainda mais qualidade (e puder pagar o dobro do preço), pode levar a S9500. A câmera fotografa com resolução de 20 megapixels e vem com sensor CMOS, GPS, Wi-Fi e zoom óptico poderoso, que chega a 22 vezes. "As câmeras com sensor CMOS são mais sensíveis à luz e permitem captar mais detalhes e tirar fotos mais nítidas, mesmo em situações de baixa luminosidade", explica Daniel Rodrigues, coordenador de produtos da Nikon.

No estande da Canon na PhotoImage, a empresa também apresentou modelos com mais recursos para o público que está em transição entre as câmeras compactas e as semiprofissionais. Um dos modelos, que deve chegar ao Brasil no final de 2013, é a SX170 IS. O modelo chegará ás lojas com preço na faixa entre R$ 500 e R$ 600, mas tem lente grande angular, zoom óptico de 16x e filma vídeos com qualidade Full HD.

Aposta em nichos

Outra estratégia dos fabricantes de câmeras digitais é investir em modelos para atender públicos que procuram funcionalidades específicas. A Sony, que não está presente no PhotoImage em 2013, começa a vender sua primeira câmera digital "aventureira" nas lojas de varejo no próximo sábado (31). O modelo, chamado HDR-AS15, possui conexão Wi-Fi e tem lentes Carl Zeiss, além de proteção contra água, gelo e lama.

A nova câmera da Sony fotografa com resolução de 11.9 megapixels e filma vídeos com resolução Full HD. Ela possui cinco modos de gravação, incluindo HD super lento. Na linha de outras câmeras para esportes de aventura, como a GoPro, a HDR-AS15 pode ser afixada em pranchas de surf, na bicicleta do usuário, na cabeça e até mesmo no cachorro. O modelo já está em pré-venda no Brasil por R$ 999. Alguns acessórios podem ser adquiridos separadamente.

No estande da Nikon também é possível encontrar dois modelos para este segmento. Um dos produtos, a S31, possui proteção à prova d'água e tira fotos com resolução de 10 megapixels em uma profundidade de até cinco metros. Ela possui lente no meio do produto, ao contrário da maioria das câmeras, para facilitar o manuseio por crianças. O produto chegará às lojas do Brasil com preço de R$ 499.

A W110, com design camuflado, é indicada para quem gosta de esportes radicais e possui sensor CMOS que fotografa com resolução de 16 megapixels. O produto pode ser submerso em uma profundidade de até 18 metros, além de ter proteção contra choques e congelamento. Além disso, o produto tem conexão Wi-Fi embutida, que permite compartilhar as fotos do cartão de memória com o smartphone ou tablet por meio de um aplicativo. O preço sugerido no Brasil é de R$ 1,5 mil.

O mercado formal para as câmeras de aventura, no entanto, ainda é pequeno no Brasil. De acordo com a GfK, as vendas dessas câmeras não atingem 1% do total de unidades vendidas. "Acreditamos que este mercado vá se desenvolver rapidamente. Vamos ser a primeira empresa a produzir este tipo de câmera no Brasil", informou a Sony, por meio de sua assessoria de imprensa.

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