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Empresas com necessidades complementares apostam em união para competir com os rivais iPhone e Android pelo mercado de smartphones

O anúncio de que a Microsoft adquiriu a Nokia , divulgado na madrugada desta terça-feira (3), embora não fosse esperado, não representa exatamente uma surpresa para quem acompanha o setor de tecnologia. As duas empresas já atuavam de maneira muito próxima e alinhada no mercado de smartphones desde fevereiro de 2011, quando Steve Ballmer, CEO da Microsoft, e Stephen Elop, CEO da Nokia, surpreenderam o mercado com uma parceria estratégica que transformou as companhias em rivais para Apple e Google.

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A Nokia, que dominou por muitos anos as vendas de celulares em todo o mundo, viu sua participação no mercado despencar após o lançamento do iPhone, em 2007, e mais tarde dos primeiros smartphones com sistema operacional Android. A empresa ficou para trás porque adotava o sistema operacional Symbian nos celulares, pouco atrativo para usuários ávidos por acessar os e-mails e navegar na web pelo celular pela primeira vez.

Veja momentos importantes dos dois anos de parceria entre a Nokia e a Microsoft:

Os consumidores abandonaram os aparelhos da marca quando interfaces mais simples – e otimizadas para telas sensíveis ao toque – chegaram às lojas. Nessa época, a Nokia já investia no MeeGo, sistema operacional otimizado para telas sensíveis ao toque, em parceria com a Intel. O sistema baseado em código aberto, no entanto, demorou muito para chegar ao mercado e atrasou a reação da Nokia aos novos concorrentes.

A Microsoft, por outro lado, passou por situação semelhante no mercado de celulares. O sistema operacional Windows Mobile concorria apenas com a BlackBerry até a chegada do iPhone. A Microsoft demorou a reagir aos smartphones com tela sensível ao toque: a empresa só anunciou o Windows Phone, sistema totalmente remodelado e com interface distinta do iPhone e Android, em fevereiro de 2011.

Quando os primeiros aparelhos com Windows Phone chegaram às lojas, em novembro do mesmo ano, muitos analistas avaliavam que a Microsoft havia “perdido o bonde”. De acordo com dados da consultoria IDC, o Android já liderava o mercado de smartphones, com 39,5% de participação nas vendas realizadas ao longo de 2011. O Symbian, da Nokia, ficava em segundo lugar com 20,9% das unidades vendidas, porém em queda. O iPhone, com 15,7% das vendas, estava em terceiro lugar no ranking global de maiores fabricantes.

Passo estratégico

Enquanto a Microsoft precisava de fabricantes que acreditassem no Windows Phone, num momento em que a maioria deles inundava as lojas com aparelhos com Android, a Nokia precisava de um sistema operacional moderno, que pudesse competir de igual para igual com a Apple e o Google. A parceria entre as duas empresas fazia sentido e foi anunciada em fevereiro de 2011.

Com o acordo, a Nokia assumiu o compromisso de adotar o Windows Phone como plataforma principal para smartphones. Após a decisão, a empresa reduziu drasticamente os investimentos no MeeGo, até então sua aposta para o futuro, e gradativamente reduziu o número de celulares com Symbian à venda no mercado. O último aparelho com o antigo sistema da Nokia anunciado foi o 808 Pureview, primeiro com câmera de 41 megapixels.

Naquele mesmo ano, durante o Mobile World Congress, maior congresso de mobilidade do mundo, Ballmer e Elop falaram juntos para uma plateia lotada sobre as suas expectativas em relação à parceria. “A parceria com a Nokia vai acelerar a adoção da plataforma Windows Phone”, disse Ballmer. O discurso de Elop durante o evento reforçou a percepção da Microsoft. “A batalha de dispositivos está se transformando em uma batalha de ecossistemas”, disse Elop.

Devagar e sempre

Entre o anúncio da parceria estratégica e a aquisição da Nokia pela Microsoft, a Nokia é, de longe, a fabricante de celulares que mais colocou novos modelos com sistema Windows Phone no mercado. Os aparelhos integram a linha Lumia , que tem entre os destaques smartphones como o recém-lançado 1020, com câmera de 41 megapixels, e o 925, com design sofisticado feito de policarbonato e laterais em alumínio. Além da Nokia, a Samsung e HTC também lançaram aparelhos com Windows Phone no período.

Veja smartphones da linha Lumia, fruto da parceria entre Nokia e Microsoft

Apesar dos investimentos da Nokia e da Microsoft para popularizar a plataforma, o Windows Phone representou apenas 3,3% das vendas de smartphones em todo o mundo, de acordo com a consultoria Gartner. Os dados, referentes ao segundo trimestre de 2013, apontam a liderança do sistema operacional Android, com 79% das unidades vendidas. O iPhone fica em segundo lugar, com 14,2% das vendas.

No ranking de maiores fabricantes de smartphones, a Nokia nem aparece entre os cinco maiores, lista que inclui Samsung, Apple e LG. Contudo, apesar da queda nas vendas nos últimos anos, a Nokia ainda se mantém em segundo lugar entre os maiores fabricantes de celulares, com 14% do mercado no segundo trimestre de 2012. A Samsung lidera o ranking geral, com mais de 107,5 milhões de aparelhos vendidos no período ou 24,7% do total.

Um dos motivos é a quantidade de aplicativos disponíveis na loja Windows Store, bastante inferior às lojas dos concorrentes iPhone e Android. Enquanto a Apple o Google reúnem cerca de 700 mil aplicativos cada em suas respectivas lojas, a Windows Store oferece cerca de 170 mil aplicativos. O problema é ainda mais grave, já que opções populares, como o aplicativo Instagram, não possuem versões para Windows Phone – o que acaba por atrair os usuários para os rivais.

Apesar da desvantagem em relação aos concorrentes, o Windows Phone alcançou recentemente alguns resultados importantes. De acordo com a consultoria IDC, a plataforma superou o iPhone na América Latina e se tornou o segundo sistema operacional mais popular na região . Na Colômbia, o sistema da Microsoft alcançou a maior participação de mercado na região, com 25,6% das vendas. No Brasil, o sistema ainda fica em terceiro lugar.

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