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Aplicativo de transporte público, Moovit deseja triplicar sua presença no Brasil com a ajuda do cidadão, uma vez que a infraestrutura de rede e de dados do Brasil é precária

Quarta versão do Moovit chega ao Android e, ao iOS. Além das mudanças de layout, há um novo recurso que avisa o usuário quando ele tem que descer do ônibus
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Quarta versão do Moovit chega ao Android e, ao iOS. Além das mudanças de layout, há um novo recurso que avisa o usuário quando ele tem que descer do ônibus

Em São Paulo, a média de tempo gasto por dia no transporte público é de mais de duas horas. São 138 minutos, sendo que um terço desse período, 37 minutos, são de espera pelo ônibus, metrô ou trem. No Rio de Janeiro, o carioca gasta 134 minutos no trânsito, 41 deles no aguardo. 

Os minutos gastos dentro do transporte público – seja ele metrô, trem ou ônibus – podem até parecer, mas não são intransponíveis. O poder de colocar mais frota nas ruas não está nas mãos dos cidadãos, mas o de diminuir o tempo de espera, sim. É para isso, basicamente, que serve o Moovit, o "Waze do ônibus", como é comumente chamado por mostrar a situação do transporte público nas cidades com base no GPS. 

Pelo aplicativo, disponível para Android , iOS Windows Phone , é possível descobrir as melhores rotas,  procurar um lugar, endereço ou estação e comparar as opções de transporte público disponíveis, bem como ver as instruções detalhadas de todo o caminho. No mapa, também é possível explorar o que está nos arredores, as paradas mais próximas e os próximos horários de chegada das linhas ativas.

O app permite ainda que o usuário cadastre lugares favoritos, veja a próxima chegada dessas linhas e verifique o histórico de viagens. O tempo estimada de chegada também está disponível no aplicativo, que avisa quando desembarcar. Por fim, o Moovit possibilita que o usuário relate informações sobre lotação das estação, limpeza e eventos ao vivo, até mesmo incidentes, e melhore a viagem dos demais integrantes da comunidades.

O aplicativo que funciona como um assistente não é um completo desconhecido do brasileiro: no País são 4,4 milhões de usuários, 40% do total concentrado nas principais capitais: 1,4 milhão em São Paulo e 800 mil no Rio de Janeiro. Presente em 34 cidades do Brasil, o Moovit planeja triplicar a sua presença no País, segundo disse ao iG o vice-presidente Global de Marketing e Produto, Alex Torres. Não por acaso o Brasil foi o terceiro país a receber a plataforma, há cerca de um ano e meio, e já figura entre os maiores mercados do Moovit. 

Apesar de várias cidades terem governantes interessados na chegada do Moovit, a empresa precisa mesmo é da ajuda dos cidadãos e futuros usuários para ultrapassar duas barreiras: a precariedade dos dados oficiais e a pouca infraestrutura de rede, esse último um dos principais entraves do crescimento do próprio País na opinião de Torres.

Alex Torres é vice-presidente Global de Marketing e Produto do Moovit
Divulgação
Alex Torres é vice-presidente Global de Marketing e Produto do Moovit

“O Brasil é uma potência que tem tudo para se tornar número um em tecnologia, pois tem capital humano de qualidade. É uma pena que a falta de infraestrutura freie o desenvolvimento. Os pacotes de dados móveis não têm qualidade, afora que alguns aparelhos são muito caros”. Torres vai além e defende que, assim como o transporte público, a internet também precisa ser democrática, com preços acessíveis aos cidadãos. Como vários aplicativos baseados em GPS, o Moovit também precisa da rede 3G ou 4G, ou ainda de um Wi-Fi para entregar uma experiência completa ao usuário.

Nas cidades maiores, como Rio e São Paulo, o Moovit vem trabalhando com as autoridades locais para fazer uso dos dados de transporte público, mas em grande parte delas, faltam registros que possam alimentar o aplicativo. É aí que entra o usuário brasileiro, que segundo Torres é um dos mais ativos na comunidade. “O brasileiro é muito social, está no top 5 da mídia social mundial, é uma função natural. Estamos aprendendo muito com o usuário brasileiro, vocês são muito rápidos em dar feedback”, diz. Grande parte das mudanças que chegaram recentemente a versão quatro da plataforma veio de usuários.  

Com o Moovit, o usuário pode ajudar a mapear a cidade, dizer se o local onde estão os pontos de ônibus no estão corretos, ou que linha passa naquele local, por exemplo. Esse é, de acordo com Torres, o primeiro passo para criar e melhorar a informação. O grande desafio desse modelo é que o usuário de fato participe, para termos dados sobre o transporte público em quantidade e também em qualidade. “Somos muito sortudos porque temos usuários muito bons, diria que 80% dos usuários são altruístas, querem que sua cidade seja melhor. Nos últimos seis meses, recebemos muitos e-mails de prefeituras perguntando como faz para ter Moovit na cidade”, conta.

“Esse é o bonito da tecnologia que muda a vida do usuário. Ajudando, a pessoa não fica mais sem saber quando vem ou não o ônibus, ela consegue planejar seu dia, como chegar em outro lugar, e ainda se sente parte de uma comunidade de usuários.”

Sem preocupação com dinheiro, por enquanto

No momento, a monetização do Moovit não é uma preocupação. Os investidores do aplicativo ainda não estão interessados no retorno financeiro que a plataforma pode ou não dar. Porém, devagar, alguns testes já estão sendo feitos. Uma das opções é fazer a integração do Moovit com os táxis, que afinal também são um tipo de transporte público, isto é, fazem parte da infraestrutura de uma cidade. A ideia é que o usuário pudesse chamar um táxi de dentro do aplicativo, por exemplo. Nos Estados Unidos, o teste foi feito com a frota do Lyft, uma espécie de concorrente do Uber, serviço de contratação de carros executivos.

Já na Polônia foram feitos testes de pagamento móvel, com o aplicativo servindo como bilhete para o transporte público. “Não queremos colocar um banner no meio das informações que os usuários consultam. Nosso primeiro objetivo é entregar informações abertas de transporte público”.

Como ajudar o Moovit?

Para fazer a sua parte e melhorar os dados da plataforma, o usuário precisar se acostumar a reportar toda e qualquer situação. No símbolo de mais que aparece na parte inferior do aplicativo estão duas funções: Reportar e de Alertas da Estação. No primeiro, o cidadão pode reportar sobre as condições do transporte público como a lotação dos veículos, as condições das instalações da estação, algum incidente, a limpeza, ou ainda algum evento que esteja atrapalhando o tráfego. Também é possível, neste mesmo espaço, avisar sobre um ponto removido, uma estação fechada, um local marcado errôneamente, linhas faltando ou duplicadas. Já no Alertas da Estação a ideia é avisar outros usuários sobre algo específico daquele local onde o usuário se encontra.


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