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Guitarrista e compositor radicado nos Estados Unidos, Heitor Pereira ficou conhecido pelas trilhas sonoras de 'Meu Malvado Favorito 2' e 'Os Smurfs', entre outros títulos para o cinema

Heitor Pereira é compositor de trilhas sonoras para o cinema e, agora, para os games
Divulgação
Heitor Pereira é compositor de trilhas sonoras para o cinema e, agora, para os games

Brasileiro radicado nos Estados Unidos e há mais de 30 anos vivendo fora do País, Heitor Pereira ficou conhecido nos anos de 1980 e 1990 por sua participação como guitarrista no grupo Simply Red e, recentemente, pelas trilhas que compôs para grandes sucessos do cinema como 'Meu Malvado Favorito 2' (2014) e 'Os Smurfs' (2011). A partir de agora, Pereira poderá ser reconhecido por suas contribuições à indústria de games.

Convidado do Slush, evento de empreendedorismo e inovação que acontece nos dias 11 e 12 de novembro na Finlândia, o brasileiro falou sobre sua primeira composição para um jogo, no caso, o game mobile  Best Fiends  para Android e iOS da Seriously Digital Entertainment, empresa criada por ex-funcionários da Rovio, de Angry Birds. O tema que começa com grilos e termina com a execução de uma peça por uma orquestra acompanha o usuário durante o jogo lançado em 2014.

O convite chegou depois de Pereira assinar a trilha sonora de 'Meu Malvado Favorito 2' e, na sua opinião, tem relação com o tipo de música que faz. "Eles poderiam ter chamado compositores da área, com mais experiência do que eu, mas eles gostaram de como soa a minha música. Eu defendo que a música é para todo mundo, e que mesmo eu sendo brasileiro minhas composições para estes projetos não podem soar como uma Bossa Nova, com todo respeito. Elas precisam soar como uma música que é internacional, que transporta o usuário para dentro do jogo, não para uma região do planeta". 

Além disso, o Pereira contou que foi convidado para criar a trilha sonora do primeiro filme da franquia Angry Birds, popular jogo da Rovio, previsto para chegar aos cinemas em 2016. "Muito embora a ideia seja usar os temas dos games, celebrar o que já foi escrito, as canções dos filmes serão originais. O jogo nunca foi um filme, logo é preciso entender a melodia que funcionou para o game, mas também criar algo totalmente novo para o filme pois agora existe uma história por trás, os personagens falam, é outro universo", adiantou.

Compondo para games

O compositor gaúcho disse ainda que o processo de criação de um tema para um jogo é similar ao desenvolvimento da trilha sonora de um filme, mas com mais intensidade e, de certa forma, mais liberdade. "Tudo acontece em um ou dois meses. Entre escrever a melodia, gravar com a orquestra, mixar e colocar no game é tudo muito rápido, e eu gosto disso, pois é preciso ter ainda mais certeza do que se está fazendo. Você precisa ser responsável pela suas escolhas e sustentar suas posições uma vez que não há várias chances", explica Pereira. 

Apesar de não ser um fã de games, e de conhecer os títulos mais populares por aproximação – por meio de seus filhos e de sua esposa que têm o costume de jogar –, Pereira já entende o negócio e a dinâmica. "Sou o primeiro a defender que o game ofereça para o usuário a opção de silenciar a música, mas é claro que como compositor não quero que isso aconteça. Por isso, você não pode criar uma melodia que satisfaça apenas você, ela precisa ter longevidade. E na hora de escolher as notas eu tenho isso em mente, que essa melodia vai se repetir constantemente, por isso também tomo decisões musicais com o objetivo de não deixar a música chata", explica.

Para o compositor é tudo uma questão de fazer uma bom trabalho: "para ter uma boa melodia é preciso que ela seja feita por músicos com emoção. Quando as pessoas me escrevem e-mails dizendo que nunca desligam uma música eu vejo isso como um reflexo do trabalho da orquestra que escolhi, dos músicos que foram chamados, até do que eu disse para eles, de não tocar tão forte por exemplo. Para que uma música permaneça na vida das pessoas ela deve ser agradável desde o início", resume Pereira.

*A jornalista viajou para a Finlândia a convite da F-Secure.

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