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23/10 - 18:50hs

A menor "SLR" do mundo?
Baseada no novo sistema "Micro Four Thirds", a Panasonic Lumix G1 tem tamanho compacto, mas tira fotos impressionantes com qualidade profissional

David Pogue / New York Times

OK, OK, nós entendemos. Há algumas coisas que simplesmente não podemos ter. Coisas como um celular pequeno com uma tela enorme, um carrão possante com baixíssimo consumo de combustível ou uma câmera pequena que tire fotos com qualidade profissional. Ops, espera aí, há esperança neste último item.

A maioria das pessoas – cerca de 92 porcento de nós – compra câmeras compactas que tiram fotos “mais ou menos”. Apenas cerca de 8 porcento compram aquelas SLR (Single-Lens Reflex) grandes, pretas e pesadas que tiram fotos dignas de uma capa de revista.

Não é que as pessoas não queiram fotos melhores. É que elas não estão a fim de pendurar no pescoço algo que parece uma bigorna para consegui-las. No próximo mês, entretanto, a Panasonic irá colocar no mercado a primeira câmera em um novo formato batizado de “Micro Four Thirds”. Sua missão: colocar a qualidade de imagem de uma SLR em uma câmera de corpo compacto. Se der certo, esta câmera será coberta de adjetivos como “revolucionária”, “importante” e “popular”.

A câmera Lumix DMC-G1, da Panasonic (US$ 800 nos EUA), é realmente pequena comparada a SLRs populares como a Rebel, da Canon, ou a nova Nikon D90. Tanto o corpo quanto as lentes são menores em todas as dimensões. Como resultado, a nova G1 ocupa um volume de 475 cm3, contra os 1048 cm3 do modelo da Nikon. Também é mais leve, 226 gramas, contra as 623 gramas da D90. Ela é, de fato, a menor câmera com lentes intercambiáveis em todo o mundo.

Então, porque não dizer de uma vez que ela é a menor SLR do mundo? Porque tecnicamente ela não é uma SLR. A Panasonic conseguiu economizar espaço fazendo uma “caixotomia” radical. Ou seja, removeu a caixa contendo o espelho e o prisma que tradicionalmente refletem a luz que entra pela objetiva para seu olho (ou seja, o sistema “reflex” da sigla SLR). Sem essa traquitana, a câmera fica quase 2.5 centímetros mais curta. A lente pode ser colocada muito mais próxima do sensor, e portanto também pode ser muito menor.

E ainda assim o sensor propriamente dito – um fato crucial na qualidade de imagem – retém o tamanho original. Com 2,28 centímetros na diagonal, este sensor de 12 megapixels não é tão grande quando o da D90 (2,8 centímetros), mas ainda é digno de uma SLR, e muito maior que o sensor de uma câmera compacta típica (que normalmente mede cerca de 1 centímetro).

Mas se a ideia é tão simples, porque ninguém tentou até agora? Dois motivos. O primeiro é que isto significa jogar pela janela o design básico de uma SLR, que está em uso há 50 anos. Significa que várias gerações de lentes “full-size” não irão caber na nova máquina sem o uso de um adaptador.

Segundo, se o espelho e prisma já eram, como diabos você vai fazer para compor a cena? Na máquina da Panasonic, quando você coloca seu olho no visor, na verdade você não está vendo através da lente. Você está olhando para uma tela minúscula. Os fotógrafos geralmente odeiam estes visores eletrônicos porque eles tem uma imagem granulada e com atraso em relação à ação. Mas a Panasonic, reconhecendo a importância desta questão, adaptou uma tecnologia de alta resolução de seus equipamentos profissionais para TV. O resultado: uma tela minúscula com 1.4 milhões de pixels, comparada aos míseros 200 mil em um visor eletrônico comum.

Como resultado, olhar através do visor da G1 é assustadoramente próximo de olhar através da lente. Não tão nítido ou realista, mas bom o suficiente para a maioria das pessoas. Além disso, você sequer precisa usar o visor. Você também pode usar a enorme tela LCD na traseira da câmera para compor as fotos. Ele também tem resolução muito mais alta que os similares na maioria das câmeras, e a imagem é atualizada 60 vezes por segundo, duas vezes mais rápido que o normal, então o “preview” da cena é incrivelmente suave.

A tela também pode ser girada e reposicionada, então você pode tirar fotos com a câmera acima da sua cabeça ou na altura dos joelhos sem ter de subir em banquinhos ou se abaixar. Você pode até mesmo enquadrar auto-retratos, algo impossível na maioria das SLRs.

Sem o espelho, a Panasonic também teve que se livrar do sistema de foco automático usado pela maioria das SLRs. O substituto, batizado de “Detecção de Contraste”, não é novo: todas as SLRs que tem o recurso de “Live View” o utilizam. Mas a maioria delas, entretanto, é horrivelmente lenta nesta hora. Pode demorar até três segundos para o foco automático funcionar. Mas a G1 consegue focalizar a cena em cerca de um terço de um segundo, mais ou menos o mesmo tempo de outras SLRs tradicionais sem Live View em sua faixa de preço.

Tudo bem, agora você já conhece os segredos da G1. A pergunta é: tudo isso funciona? Como um relógio. Você pode deixá-la no automático e tirar fotos impressionantes, a câmera escolhe os modos de cena (como Macro, Natureza e por aí vai) automaticamente. Se preferir, você pode usar todos os tipos de controle manual imagináveis: velocidade do obturador, exposição, ajuste de ISO (até 3200), compensação de exposição, balanço de branco, temporizador e por aí vai.

Há uma lâmpada auxiliar para o sistema de foco automático que funciona que é uma maravilha em salas escuras, um modo de disparo contínuo (Burst) que captura três fotos por segundo, um modo de detecção de faces que é capaz de identificar até 15 rostos em uma cena e um conector HDMI para mostrar suas fotos em uma TV de alta definição.

Tudo isto é facilmente acessível e bem projetado. A exceção é a alavanca de seleção do modo de disparo (foto única, disparo contínuo, temporizador) que, no escuro, se parece exatamente com a alavanca de liga-desliga que fica bem ao lado.
 
As imagens são lindas. As cores são ricas e realistas. O desempenho em cenas com pouca luz deixa as câmeras compactas morrendo de vergonha de si mesmas. E todos os efeitos que seriam impossíveis em uma câmera compacta típica, como faixas de luz no farol de carros ou “splashes” de água que parecem congelados no tempo, são muito fáceis de conseguir com a G1.

Ou seja, é tudo verdade: a Panasonic estraçalhou as barreiras técnicas de longa data, virou o senso comum de ponta cabeça e criou a tão cobiçada “câmera híbrida”, uma SLR com jeitão de compacta. Mas ainda assim, acredite se quiser, você não deve comprá-la.

Primeiro motivo: a maior vantagem de uma SLR são as lentes intercambiáveis, e até o momento só há duas para a G1. Uma é uma lente de 14-45 mm, zoom de 3x, e a outra é uma de 45-200 mm, zoom de 4.5x. Para calcular o equivalente em uma lente acoplada a uma câmera de 35 mm, multiplique os valores por 2.

Mais lentes devem chegar em 2009. Neste meio tempo, você pode comprar um adaptador e usar uma das muitas lentes comuns, não compatíveis com o sistema Micro Four Thirds, já disponíveis no mercado. Mas a maioria delas requer foco manual quando usadas na G1. E claro, como são modelos antigos, elas são grandes. Você acaba perdendo a maior vantagem da câmera, o tamanho.

Segundo motivo: Sem querer ser ingrato, mas a G1 não é tão pequena assim. Você não vai dizer “Ahh, que gracinha, é tão pequenininha!” quando vê-la. Na verdade, a Olympus 420, uma SLR “de verdade”, é só alguns milímetros maior, e ainda pesa menos.

Mas o formato Micro Four Thirds é novo, e ainda tem espaço para crescer, ou melhor ainda, encolher. Durante a exposição Photo Plus em Nova Iorque nesta semana, a Olympus mostrou um protótipo de câmera Micro Four Thirds que é mais ou menos do tamanho de um sabonete. Sem as lentes, você provavelmente conseguiria guardá-la no bolso de uma calça jeans.

Terceiro motivo: O formato Micro Four Thirds praticamente grita “também posso filmar!”. Afinal de contas, a luz já incide diretamente sobre o sensor (em vez de ser refletida por um espelho), então as câmeras deveriam ser capazes de gravar vídeo sem fazer esforço. Mas a G1 não consegue. Segundo a Panasonic, vídeo será o ponto chave de seus modelos na linha 2009. Eles serão as primeiras câmeras estilo SLR não só capazes de gravar vídeo em alta definição (como a Nikon D90 já faz), mas também capazes de mudar foco e usar o zoom enquanto você grava. O protótipo da Olympus, por exemplo, também faz isso.

Estas promessas me deixam animado. Se for mesmo verdade, então estas máquinas serão as primeiras de uma geração de híbridos entre uma câmera fotográfica e câmera de vídeo sem os “poréns” dos modelos atuais. O mundo dos eletrônicos vai virar de cabeça para baixo. Fiquem de olho.

Até lá, vamos dar as boas-vindas à Panasonic Lumix DMC-G1 – tanto pelo que ela é, a menor câmera com lentes intercambiáveis em todo o mundo, como pela nova era que ela representa. Se você é um fã da fotografia que passou os últimos anos frustrados por uma ou outra limitação dos modelos atuais, se prepare: sua vida está prestes a ficar muito mais interessante.


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