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16/11 - 17:56hs

Netbook à brasileira
Pequeno, bonito e com bom desempenho, netbook da CCE supera as expectativas

Henrique César Ulbrich

Branquinho e bonitinho. Seguindo a atual tendência de micros leves, diminutos e brancos, como os novos Positivo Mobo e o ainda não batizado netbook da LG, a CCE lança em dezembro - a tempo para o Natal, portanto - a sua proposta sobre o conceito de netbooks. O pequeno supera as espectativas - o que, para alguns, é surpreendente, dado o folclore em torno da empresa, quase sempre negativo.

O CCE Win 10, membro da série WinBook da empresa, briga numa arena que ainda não se decidiu sobre quais características um netbook deve ter. Os modelos com telas de 9 e 10 polegadas são muito mais confortáveis de se trabalhar, mas são um tanto mais pesados e maiores que os modelos de 7 polegadas (como o patriarca Eee PC 701), que pelo tamanho podem ser "enfiados" em quase qualquer lugar - incluindo a maioria das bolsas femininas.

Jogando no time dos de 10 polegadas, o Win 10 da CCE - que parece ser baseado no G10iL, fabricado pela asiática ECS - tem algumas vantagens sobre os concorrentes - sendo as maiores seu peso (menor que o do Eee PC 1000) e a qualidade da tela LCD. A base óbvia de comparação para esta análise é, até o mercado decidir o que quer de um netbook, a linha Eee PC, da Asus, que por enquanto é o padrão de facto para esses dispositivos.

O processador do CCE Win 10 é um Intel Atom N270 funcionando a 1,6 GHz. O micro possui 1 GB de memória RAM, suporte a redes com e sem fio e um leitor universal de cartões de memória, além de modem, saída para monitor VGA externo e três portas USB. Nada mau, se o desempenho acompanhar as especificações.

O modelo recebido para análise (cuja caixa possuía um aviso bem grande escrito AMOSTRA PARA TESTES) possuía um HD de 60 GB em vez dos 120 GB prometidos na caixa. Além disso, veio com o sistema operacional Windows Vista Starter em vez do Windows XP, como diz na etiqueta da tampa. O Vista parece ter sido instalado às pressas para o teste, já que a etiqueta da tampa não foi trocada e a de ativação do Windows parece ter sido arrancada de outro computador.

Sabemos que muita coisa pode mudar até o Natal, portanto aconselhamos ao leitor atentar para esses fatos antes de se decidir pelo Win 10. Apesar desses pontos não definidos, a nossa impressão geral sobre o produto foi ótima.

A tela de LCD de 10 polegadas tem qualidade de imagem digna de destaque. O brilho e a nitidez da tela são bons mesmo com o o notebook rodando na bateria. As cores são brilhantes e no geral tudo é mostrado com muita nitidez. Realmente, a tela TFT do Win 10 é uma das melhores dentre todos os netbooks do mercado.

A resolução, de 1024 x 600 é boa para a maioria das aplicações. A qualidade da tela (principalmente no tocante a brilho e cores) é tão boa que assistir a vídeos com o Win 10 é um prazer sem tamanho. Como "cinema pessoal" é ótimo, sendo maravilhoso para assistir a filmes na cama, com o Win 10 colocado sobre o peito. A essa distância, temos a impressão de estar em uma sala de cinema.

Entretanto, a altura de 600 pixels é um tanto curta para algumas caixas de diálogo do próprio Windows. Os botões de Ok e Cancelar presentes na maioria delas ficam escondidas e é praticamente impossível configurar certos detalhes do Windows no Win 10 - aliás, nos netbooks em geral, já que esse problema não é exclusivo do portátil da CCE.

O som também nos surpreendeu. Embora a equalização dos alto-falantes embutidos seja do tipo "radinho de pilha", o áudio é claro e bastante limpo, sem distorções aparentes. E o volume é bastante alto, mais alto do que o de muitos notebooks grandes. É possível ouvir música em ambientes barulhentos e até mesmo durante o banho, com o chuveiro ligado. Com fones de ouvido, a qualidade do som, se não espetacular, está na média dos notebooks do mercado, mesmo os mais caros.

O Wi-Fi está sempre desligado no Win 10 - é preciso ligar toda vez que se vai usar. Talvez isso seja de propósito, para economizar bateria, mas é bastante irritante. Não há no corpo do netbook uma chave de posição fixa para ligar e desligar a placa de rede Wi-Fi. Em vez disso, o recurso é ativado e desativado pela combinação [Fn] + [F2] no teclado. Por outro lado, a sensibilidade é excelente e foi possível navegar na internet e transferir arquivos na rede local sem gargalos, mesmo com o roteador muito longe.

Falando em teclado, no CCE Win 10 ele é ao mesmo tempo a salvação e a perdição dos digitadores. Como a digitação de textos é um dos principais usos de um netbook atualmente (seja para produzir um documento, redigir um email ou bater papo em mensageiros instantâneos), é de suma importância que este seja um item muito bem pensado no projeto da máquina. Claro, sempre temos de nos lembrar que o tamanho das teclas num netbook sempre vai dificultar a digitação, se comparado a um teclado maior.

Levando tudo isso em consideração, o Win10 se sai muito bem em alguns pontos e deixa a desejar em outros. Há que se louvar a disposição das teclas mais usadas nas línguas ocidentais, bem como a presença da cedilha. Em verdade o layout lembra bastante o padrão ABNT2, com aspas logo abaixo da tecla [Esc], trema sobre o 6 e o conjunto cedilha, til e circunflexo logo ao lado da tecla [Enter]. Também é digno de nota o fato de não ser preciso fazer malabarismos com a tecla Alt Gr para produzir os símbolos "/" e "?", como acontece em alguns notebooks por aí - portanto, espaço reduzido não seria desculpa, e é ponto positivo para a CCE.

Entretanto, três teclas estão em lugares deveras inconvenientes: o dois pontos ( ":" ) está à direita das setas de direção, e demora um pouco para encontrá-los. A tecla com os sinais de + e = está logo acima do [Enter] e logo abaixo do [Backspace], que são pequenos. Isso "faz= com qu=e mui=tos finais de fras=e e palavr=s corr=igida=s ten=am" um "=" como apêndice=. Por fim, a tecla "]", que se espera estar próxima à "[", está, na verdade, no extremo oposto do teclado (ao lado do Z).

Mas o problema mais grave mesmo está no formato das teclas. Em vez daquela superfície côncava, para "encaixar" o dedo, as teclas são completamente planas ("chatas") na face superior, numa tentativa (talvez) de imitar os teclados dos MacBooks e de alguns modelos de Sony Vaio. Infelizmente, apesar do apelo visual, qualquer teclado de teclas planas tem o inconveniente da falta de precisão: se você "errar a pontaria" e calcar o dedo não no centro, mas na beirada da tecla, a digitação daquela letra falha. Isso é verdade nos MacBooks e nos Vaios, mas em muito maior grau no tecladinho do Win 10 da CCE. Em especial, a tecla de espaço falha constantemente. Combinado com o problema da tecla "=", "tem=osumtext=semespaç=osecheiod=esuj=eira".

Comparando com o teclado do Eee PC de 10 polegadas, o do Win 10 ganha na disposição das teclas, mais apropriadas para o usuário brasileiro, e no tamanho (o do Eee PC de 7 polegadas é ainda mais apertadinho), mas perde na precisão do teclado.

Em termos de desempenho, o CCE Win 10 saiu-se bem. O desempenho subjetivo (ou seja, a impressão de velocidade que o usuário tem ao usar o micro no dia-a-dia) é muito bom. Em absolutamente nenhum momento o Win 10 ficou "pensando" ou "engasgando". É bastante agradável brincar com o bichinho.

Como um extra (quase obrigatório nos dias de hoje), o Win 10 vem com uma webcam supostamente de 1,3 megapixels. Entretanto, a webcam não funcionou no Windows Vista (e nem no Windows XP, que instalamos para testar). Obviamente faltam drivers, mas é de se esperar que um produto liberado para análise da imprensa venha completamente configurado de fábrica. Aqui, novamente, temos que lembrar ao leitor que o CCE Win 10 que chegou a nossas mão é um produto preliminar e que deve estar bem melhor lapidado em dezembro, quando deve chegar às prateleiras.

Mas o subjetivo é sujeito a ser embotado pelas preferências pessoais - e, na computação como no zodíaco, os números não mentem jamais. Em nossos testes objetivos, o Win 10 alcançou marcas razoavelmente boas, levando em conta os limites do hardware e, principalmente, do processador.

Embora não tenha atingido marcas espetaculates no desempenho geral, foi razoavelmente bem nos testes, dadas as devidas proporções. Um de nossos testes, por exemplo, é o de fazer uma renderização padrão no software PovRay, usando um arquivo especial de testes. Pois bem: o Win 10 completou a renderização em 42 min. Num PC normal ela levaria entre 6 e 10 minutos. Ou seja, demora mais, mas dá sim pra usar o CCE Win 10 para algumas dessas tarefas.

A bateria foi a grande decepção. O teclado, sobre o qual escrevemos três parágrafos para reclamar, tem sim seus problemas mas é fácil acostumar-se com ele. A bateria, contudo, é o calcanhar de Aquiles do Win 10. Um netbook digno desse nome precisa ter grande autonomia de carga para poder atender aos usuários nômades, que são os maiores clientes dessa categoria computacional. Infelizmente, a carga durou apenas duas horas em uso normal (apenas texto, sem exibição de vídeos ou reprodução de arquivos sonoros e com os recursos de economia do Windows todos ligados) e míseros 1h 15 min em uso contínuo com alto consumo.

Esperávamos um mínimo de quatro horas de autonomia, dadas a configuração e o tamanho do aparelho. Se a CCE pretende brigar com seu concorrente direto, o Positivo Mobo série 1000 (cuja autonomia, diga-se de passagem, é bastante satisfatória), precisa resolver pelo menos esse ponto.

O saldo é positivo para o micrinho da CCE, ainda mais se considerarmos que, por aqui, o Eee PC ainda é encontrável apenas nas mãos de importadores e contrabandistas, embora a Asus possua escritório no Brasil. O também excelente Positivo Mobo de 10 polegadas é um senhor concorrente ao CCE Win 10, mas embora a Positivo o tenha prometido para a segunda quinzena de outubro, ele não é muito fácil de se achar por aí, ainda.

O único motivo para não comprar o Win 10 é a duração da bateria, e somente se isso for um problema para você. De resto, é um excelente netbook e merece ser considerado em sua lista de Natal. A propósito, este texto foi todo produzido no próprio CCE Win 10.

Serviço
Nome: Winbook Win 10

Fabricante: CCE Info

Preço: R$ 1.500 (sugerido)

Principais características: Processador Intel Atom N270 de 1.6 GHz, 1 GB de RAM, 120 GB de espaço em disco, monitor LCD widescreen de 10 polegadas e resolução de 1024 x 600, modem 56 K, interfaces de rede ethernet e wireless, peso de 1,2 kg
Prós: pouco peso, tamanho, desempenho, beleza.

Contras: decepcionante autonomia da bateria, webcam não funcionou durante o teste, preço um tanto salgado (mas compatível com os concorrentes).


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Henrique Cesar Ulbrich

Branquinho, o CCE Win 10 tem processador Atom de 1,6 GHz, 1 GB de RAM e HD de 120 GB

CCE Win 10 Pequeno, bonito e com excelente desempenho, netbook da CCE supera as expectativas

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Branquinho, o CCE Win 10 tem processador Atom de 1,6 GHz, 1 GB de RAM e HD de 120 GB

O teclado é confortável, mas algumas teclas importantes estão fora da posição padrão, o que é um ...

Na frente, ficam apenas a saída de fone de ouvido (verde) e a entrada de microfone. Note a grade ...

Na lateral direita temos trava de segurança, modem, leitor de cartões, porta USB e conector de força

Na lateral esquerda, duas portas USB, saída para monitor VGA e conector de rede

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