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20/07 - 14:39hs

Amazon apaga livro "1984" de todos os Kindles sem pedir permissão
Tal qual o Grande Irmão, empresa retira conteúdo sem avisar proprietários do leitor de e-books

Geek

Por Fábio Resende

A Amazon começou um processo para apagar todas as cópias do livro 1984, de George Orwell, de todos os Kindles conectados à web nos EUA. A alteração foi feita sem a autorização dos usuários, o que causou indignação e protestos. A empresa foi comparada pelo jornal The New York Times ao Grande Irmão, personagem autoritário e onisciente do livro.

Em uma nota oficial reproduzida pelo site Pocket-lint, a empresa afirmou que a obra foi publicada por engano pela companhia Mobile Reference, junto com outro livro chamado Animal Farm (em português, A Revolução dos Bichos). A nota também avisa que “os livros constam como não disponíveis na loja e os usuários que efetuaram a compra serão reembolsados”.

Os representantes do site afirmaram que os livros continuarão sendo apagados, mas que a remoção do conteúdo sem aviso não deve mais acontecer no futuro. Segundo o jornal The New York Times, o problema todo deveu-se ao fato de que a editora online MobileReference, que vendeu os livros, não tinha direito sobre eles. 1984 ainda está disponível para o Kindle em outra editora, a Houghton Mifflin Harcourt, mas apenas para os Estados Unidos. Não há, entretanto, oferta para o outro livro de Orwell, Animal Farm.

David Pogue, em sua coluna no The New York Times, critica a Amazon: “isso é uma pouca-vergonha por um sem-número de motivos. A Amazon diz que esse tipo de coisa é ‘rara’, mas o fato de ter a possibilidade de acontecer é desconcertante. Fomos ensinados a acreditar que um e-book é igual a um livro normal, só que melhor. Ledo engano: já havíamos percebido que eles não são livros de verdade, já que depois de ler não podemos presenteá-lo a ninguém ou vendê-lo. Agora, percebemos que não somos nem donos do livro após comprá-lo”.

Pogue continua: “Um dos meus leitores fez uma comparação interessante: é como se a Barnes & Noble invadisse a minha casa no meio da noite, pegasse o livro que estivéssemos lendo nas noites de insônia e deixasse um cheque no lugar”.

O site Make apresentou uma solução interessante para o caso. A página diz que na Austrália, direitos sobre obras de autores que morreram antes de 1955 já expiraram e são de domínio público no país.


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