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31/05 - 19:16hs

Facebook tenta superar ataques sobre privacidade
Site mais acessado do mundo enfrentou dois meses de polêmica sobre a privacidade dos usuários

Claudia Tozetto, iG São Paulo

Usuários e órgãos reguladores de diversos países pressionam o Facebook desde o início de abril, quando Mark Zuckerberg, CEO da rede social, anunciou diversas mudanças nas configurações de privacidade. Na ocasião, o Facebook tornou diversos dados pessoais dos usuários, como cidade atual, emprego, escola e interesses, públicos por padrão.

Leia mais: Privacidade mais simples do Facebook agrada reguladores

Com isso, outros usuários passaram a encontrar essas informações quando, por exemplo, digitam o nome de alguém na busca. Outro novo recurso, de personalização instantânea, autorizou sites parceiros do Facebook a extrair algumas informações de cadastro dos usuários para que eles não precisassem cadastrá-las novamente ao acessá-los pela primeira vez.

Reprodução
Recurso de personalização instantânea do Facebook

Ao expor mais as informações dos usuários, o objetivo do Facebook era relacionar mais informações dos usuários, de modo a aproximá-lo mais de informações importantes para ele, mas que estão espalhadas pela web. Contudo, ao mesmo tempo em que o usuário quer acessar essas informações de forma fácil, querem proteger suas informações pessoais, o que cria um paradoxo. “Precisamos fornecer dados para ter inteligência, mas inteligência na web só existe se houver dados ligados entre si por significado”, diz Daniela Bertocchi, pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) em comunicação digital.

Apesar das mudanças, os usuários do Facebook tinham a opção de alterar cada recurso de privacidade. Para isso, no entanto, precisavam navegar entre 50 itens de configuração com, ao todo, cerca de 170 opções, conforme infográfico do jornal The New York Times.
Revoltados, alguns usuários instituíram o Dia de Sair do Facebook em 31 de maio. Eles criaram um site para reunir outros usuários simpatizantes com a causa. Até o fechamento desta reportagem, o site reunia 31.844 usuários do Facebook que se comprometeram a cancelar suas contas no Facebook até a meia-noite de hoje.

Atualização: O Dia de Sair do Facebook terminou ontem e reuniu 34.618 usuários, apenas 0,007% do total de usuários do Facebook.

Reprodução
Quit Facebook Day; em relação ao total de usuários, poucos se inscreveram

Uma das reclamações dos usuários é que o Facebook alterou os termos de privacidade muitas vezes depois que eles se cadastraram na rede social. Segundo o The New York Times, em 2005 o texto da política de privacidade do Facebook tinha cerca de mil palavras; em 2010, soma 5.830 - mais que a constituição dos Estados Unidos. Contudo, a maioria dos usuários não lê a política antes de se cadastrar numa rede social.

Segundo Daniela, da USP, um estudo apresentado na conferência anual sobre web semântica, realizada hoje na Grécia, mostra que os usuários tendem fornecer dados pessoais (como nome, e-mail e endereço) que deduzem ser confiáveis. “É bom que as pessoas se indignem com a falta de privacidade de uma rede, mas o problema é que se trata mais de barulho do que de amadurecimento.”

O Facebook não demorou a reagir às críticas e anunciou que trabalhava em configurações de privacidade mais simples. Enquanto isso, lançou novos recursos de segurança para as contas: o usuário cadastra os dispositivos que usa com mais frequência para acessar a rede social e, em caso de login suspeito, o Facebook bloqueia o acesso e notifica o dono da conta por e-mail ou mensagem de texto (SMS).

Dias após o lançamento, Zuckerberg escreveu uma carta ao jornal The Washington Post, para anunciar configurações de privacidade mais simples. Na carta, o executivo justificou que tentava oferecer diversos controles “granulares” para os usuários, por isso o Facebook tinha tantas opções de privacidade. “A maior mensagem que ouvimos recentemente é que as pessoas querem controlar facilmente suas informações”, diz Zuckerberg.


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