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16/12 - 16:02hs

Nexus S: a nova aposta do Google
Aparelho é o primeiro a vir com versão 2.3 do Android

New York Times

Por David Pogue

O ano termina e aqui nos Estados Unidos temos todo tipo de problema. Crise econômica. Guerras. Desemprego.

Mas olhe pelo lado bom: nunca houve uma oferta tão boa de smartphones. De fato, no mundo do Android parece que a cada semana um aparelho novo aparece do nada e supera os outros.

Um aparelho que chegou essa semana aqui nos Estados Unidos é particularmente atraente, porque o próprio Google o projetou (nota do editor: o Nexus S deve chegar ao Brasil no primeiro trimestre do ano que vem). E dessa vez não foi somente o software, foi o próprio aparelho. Sim, o nome “Google” está na parte de trás do aparelho, jundo com “Samsung”, responsável pela fabricação.

O aparelho

Esse aparelho, o Nexus S, não lembra muito o primeiro aparelho do Google, o fracassado Nexus One (O S vem dos modelos Galaxy S da Samsung).

NYT
Nexus S: a nova aposta do Google em smartphones
Nexus S: a nova aposta do Google em smartphones

A nova tentativa do Google é importante por algumas razões. Primeiro, ela indica que o Google “jogou a toalha” no modelo de vendas radical que adotou com o primeiro aparelho. A empresa tentou criar um modelo em que os aparelhos eram comprados diretamente por um site, desbloquados. Mas não colou.

Dessa vez, é possível comprar os aparelhos em lojas da rede Best Buy (nos Estados Unidos, US$ 530 desbloqueado ou US$ 200 com contrato da operadora T-Mobile).

No geral, o novo Nexus é parecido com rivais: é um retângulo preto (maior do que o iPhone) com uma tela multitoque, teclado virtual e um chip muito poderoso.

Na parte de trás há um flash de LED, mas a qualidade da câmera é apenas média e ela não grava vídeos em alta definição. A câmera frontal de baixa resolução é feita para videoconferências ou para ver se há algum pedaço de comida entre seus dentes. O software para chamadas com vídeo não vem com o aparelho, embora seja possível baixar alguns aplicativos (meio capengas) da loja do Android para essa função.

A tela de 4 polegadas é nítida e tem bom nível de brilho. A parte externa do aparelho é de plástico, o que a deixa mais vulnerável a arranhões do que o iPhone 4. É um aparelho elegante, mas bem genérico. O único diferncial de design é uma ondulação na parte de trás, que na teoria ajuda a saber em que posição o telefone está sem ter que olhar.

A Samsung também afirma que a tela é ligeiramente curvada para se encaixar melhor nos rostos dos usuários. Sério? Seria necessário um microscópio para notar a curva, ela é praticamente inexistente. Se esse ângulo diminuto de curva serve pra você, bom, sua cabeça deve ser do tamanho de uma bola de gás.

O Nexus S não traz alguns recursos presentes no Nexus One, como dois microfones para cancelamento de ruído (não que isso importe, pois o som do S é de primeira), uma trackball para navegação no aparelho e uma entrada para cartões de memória. Dessa vez a capacidade é limitada a 16 GB, embutidos no aparelho, dos quais apenas 1 GB está disponível para guardar aplicativos.

Códigos NFC

A novidade mais interessante em termos de recurso é que o Nexus S pode ler códigos NFC. Se você não é um engenheiro de telecomunicações, a sigla quer dizer Near Field Communications. É possível que, um dia, seja possível simplesmente passar o aparelho sobre um código desses para efetuar um pagamento. Também seria possível aproximar um aparelho de alguém para trocar cartões de visita. Outra possibilidade é receber links e outras informações a partir de posters de filme com códigos embutidos.

E, claro, chegaria a hora de embarcar em sua nave espacial e voar para casa.

Infelizmente, não há códigos NFC nos Estados Unidos (a não ser em um experimento de teste feito pelo Google em Portland), então, por enquanto, o recurso não serve pra nada. É claro, dá pra argumentar que, quando o NFC chegar, o Nexus S estará pronto. Mas, até chegar esse momento, o aparelho provavelmente já terá sido ultrapassado.

Android puro

O maior atrativo do Nexus S não é o hardware, é o software. Ele traz o Android puro, do jeito do Google.  O software não vem com nenhuma alteração feita por operadoras de celular e nem com aplicativos que não servem pra nada. E é o primeiro aparelho com Android 2.3.

Isso é importante. O Google atualiza o software com freqüência, Mas quem compra aparelhos de operadoras pode não conseguir atualizar o aparelho, já que a operadora é a intermediária. O Android 2.2, por exemplo, trouxe o recurso de vídeos em Flash no navegador. Mas até hoje muitos aparelhos não têm acesso à essa função porque as operadoras não liberaram a atualização. Esse problema não existe se o aparelho for do Google.

No caso do Android 2.3, as novidades são poucas. Entre as novidades dessa versão estão um tema de cores escuras, agrupamento de histórico de chamadas (chamadas para um mesmo contato aparecem juntas), uma página que lista downloads e uma página que mostra consumo de memória e bateria. A bateria aliás, é boa. É capaz de durar um dia inteiro, até dois, sem recarga.

Quando se quer um símbolo ou número, o teclado agora funciona como no iPhone. Quando se pressiona uma tecla por alguns segundos, surge um menu com variações com acentos.

Bons recursos e caos

Além disso, há os excelentes recursos típicos do Android: aplicativo de GPS completo com navegação, microfone e recurso de voz—para-texto e integração perfeita com produtos do Google, como Gmail e Picasa.

Claro, também há os problemas do Android, mais especificamente uma dose de caos. Isso, claro, é um ponto positivo e ao mesmo tempo negativo da filosofia aberta do sistema.

É por isso, por exemplo, que há um programa para contas do Gmail e outro para serviços concorrentes.

Também é por isso que os avanços do Android 2.3 na área de copiar e colar são enganosos. Na teoria, dá para selecionar um texto pressionando a palavra por alguns segundos e movendo as alças. Então, basta tocar na área marcada para copiá-la.

Pelo menos é assim que deveria funcionar no navegador. Infelizmente, o mecanismo de copiar e colar é diferente para cada programa e muda até de uma página para outra. Em alguns aplicativos, pressionar a tela por alguns segundos não adianta nada, é necessário tocar no botão Menu, depois em Mais, depois em Selecionar texto. Em outros programas, como o de mensagens de texto, não há alças nas palavras. Só dá para copiar o texto inteiro, e vai por aí.

Se você escolhe um iPhone, a história é outra. Uma comunidade fechada, controlada, mas 100% consistente.

O mundo do Android é mais caótico, menos controlado. Os fabricantes de aparelhos podem criar os aplicativos que quiserem, até aqueles que a Apple rejeitaria por serem pornográficos ou inadequados.

Se você gosta do estilo do Android, então seu mundo melhorou bastante. Não, o Nexus S não é perfeito. Mas está entre os melhores aparelhos com Android, e vai durar pelo menos umas duas semanas.


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