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22/01 - 23:31hs

Campus Party 2011: "Sentíamos que o Apple-I faria parte de algo grande", diz co-fundador da Apple
Steve Wozniak palestrou durante duas horas na última noite do evento

Claudia Tozetto, iG São Paulo

Em sua segunda visita ao Brasil, Steve Wozniak, co-fundador da Apple, lotou a área do palco principal da Campus Party 2011 na noite deste sábado (22). Em cerca de duas horas de bate-papo com os campuseiros, ele falou sobre seu amor pela computação, sobre a epifania de criar o primeiro computador do mundo e sobre a amizade com Steve Jobs, CEO da Apple, mesmo depois de anos desde que Wozniak se afastou da companhia. "Não somos melhores amigos, mas nos falamos por telefone", disse.

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Steve Wozniak, co-fundador da Apple, prometeu atender todos os campuseiros que quisessem autógrafos

Conhecido pela simpatia, Wozniak elogiou o evento por ser o ponto de partida para novas ideias e também por poder visitar o evento com roupas comuns em vez de terno e gravata. “Quando eu criei o Apple-I, eu era assim como vocês”, disse Wozniak. Para ele, os jovens entusiastas de tecnologia não devem brigar por usar uma plataforma ou outra, como Mac OS, Linux e Windows. “O mais importante é acreditar em você, não precisa haver rivalidade.”

Olhando para o passado, Wozniak disse que boa parte das coisas que aprendeu sobre eletrônica foi seu pai que ensinou e que ele só ganhou prêmios e se tornou conhecido, pois “ama a eletrônica”. “É o que decidi fazer para o resto da minha vida.” Este, inclusive, foi o motivo pelo qual ele decidiu deixar a Apple há 25 anos. “Eu quis me dedicar às coisas que são importantes para mim”, diz Wozniak. Depois de sua saída, Wozniak se tornou consultor e voltou para a universidade.

O início da Apple

Na maior parte de sua palestra, Wozniak falou sobre o período anterior à fundação da Apple, história que ele conta em detalhes no livro iWoz, lançado recentemente. Durante o ensino médio, ele começou a alimentar a ideia de construir o seu próprio computador, com uma memória de 4 Kb, de modo que ele conseguisse rodar um sistema. “Eu desenhei todas as conexões necessárias .” Contudo, só mais tarde, quando Wozniak já estava na universidade e conheceu Steve Jobs e a Arpanet surgiu, que o projeto começou a tomar forma. “Jobs ficou impressionado com minha habilidade para programar.”

Wozniak havia adaptado uma TV para funcionar com um terminal, de modo que ele pudesse trocar palavras com estudantes de outras universidades pela Arpanet, rede que anteceu a internet. Quando Jobs viu o terminal funcionando pela primeira vez, segundo Wozniak, foi a primeira vez que eles acreditaram que poderiam vender aquilo. Posteriormente, ele teve a ideia de desenvolver um sistema que dotasse o terminal de uma nova interface, que tornasse o uso do computador simples para qualquer pessoa. “Não tinha ideia de que ia funcionar”, lembra Wozniak.

Ao terminal de TV, ele adicionou 4 Kb de memória e um microprocessador, além do sistema que desenvolveu. Com isso, eles conseguiram criar um computador muito mais barato em relação aos que já existiam: nascia o Apple-I.  “Nós sentíamos que o Apple-I faria parte de algo grande. Jobs me disse que precisávamos criar uma empresa”, conta Wozniak. Logo depois, eles já tinham US$ 50 mil dólares em pedidos. Uma loja de eletrônicos local comprou diversos Apple-I por US$ 500 cada. Em seis meses, eles já tinham US$ 10 mil na conta bancária.

Internet e neutralidade

Nos minutos finais de sua apresentação, Wozniak, que também já foi engenheiro de redes, comentou sobre a neutralidade da rede, assunto debatido fortemente em diversos painéis da Campus Party 2011, como no debate entre Al-Gore, ex-vice-presidente dos EUA na gestão Bill Clinton, e Tim Berners-Lee, criador da web. “A internet deve ser neutra, mas deve haver regulação para as empresas de internet”, disse. Para ele, todos os internautas devem ter o direito assegurado de acessar qualquer conteúdo na internet na mesma velocidade.


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