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17/02 - 08:58hs

Mobile World Congress: Download de aplicativos deve dobrar em 2011
Instituto Gartner prevê que 17,7 bilhões de programas serão baixados este ano. Em 2010, o total foi de 8,2 bilhões

Claudia Tozetto, enviada a Barcelona

Os aplicativos para smartphones se tornaram o elemento principal a indústria móvel, de acordo com especialistas da área, que debateram o assunto no Mobile World Congress. O evento, realizado em Barcelona (Espanha), termina hoje (17).

Só em 2010, os donos de smartphones baixaram cerca de 8,2 bilhões de aplicativos, número que deve chegar a 17,7 bilhões em 2011, de acordo com a consultoria Gartner. O número representa alta de 117%. “Dentro do ecossistema de smartphones, os aplicativos são a parte central”, diz Peter Chou, presidente da HTC.

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Junto com iOS, Android é uma das plataformas que oferece mais aplicativos

Android e iPhone no topo do mercado

O Android e o iOS, sistemas operacionais desenvolvidos pelo Google e pela Apple, respectivamente, concentram a maior parte dos aplicativos disponíveis. Dos aplicativos disponíveis em 2011, o Gartner estima que 81% deles sejam gratuitos – na maioria das vezes, possuem espaço para publicidade. Vale lembrar que, no caso dos aplicativos pagos de lojas como a App Store e a BlackBerry App World, o desenvolvedor paga 30% do valor recebido para a empresa que mantém a loja.

O número de aplicativos disponíveis deve aumentar nos próximos anos, de acordo com Hans Vestber, presidente da Ericsson. Segundo estimativas internas da empresa, em 20 anos, o número de usuários de telefonia celular deve chegar a 5 bilhões de pessoas em todo o mundo. “Em muitos países, os aplicativos serão a ponte entre as pessoas e a internet”, disse durante debate no congresso.

O executivo também afirma que 20% das pessoas que possuem smartphone em todo o mundo já baixem pelo menos um aplicativo por dia. Se as previsões da Ericsson estiverem certas, as lojas de aplicativos deverão vender, juntas, cerca de 1 bilhão de aplicativos por dia em 2031 - sem contar os downloads para tablets e, até mesmo, computadores.

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Vestber, da Ericsson: "Aplicativos serão ponte entre as pessoas e a internet"

Mercado fragmentado

Para chegar a tais resultados no futuro, todas as empresas que participam do mercado de smartphones têm uma série de problemas para superar, de acordo com os especialistas. “O mercado está fragmentado entre diversas plataformas”, diz Peters Suh, presidente da Wholesale Applications Community (WAC), entidade que defende os interesses da indústria de aplicativos.

Na prática, Suh quer dizer que, com Android, iOS, BlackBerry OS, Windows Phone 7 e Symbian -só para citar as plataformas principais-, os desenvolvedores são obrigados a desenvolver o mesmo aplicativo várias vezes. Por conta disso, é comum que eles optem por desenvolver seus aplicativos apenas para uma ou duas plataformas. “Defendemos que exista um modelo de software agnóstico”, diz Suh.

Caso as empresas de software aceitassem usar a mesma base de software em todas as plataformas, os desenvolvedores criariam o aplicativo apenas uma vez e usuários de qualquer aparelho ou plataforma poderiam utilizá-lo. Outra corrente da indústria, porém, defende que os aplicativos sejam baseados em web, ou seja, que o código instalado no aparelho seja apenas uma “máscara” para acessar os recursos do aplicativo que estão, na verdade, rodando a partir da internet.

Este modelo já é usado, por exemplo, pelo aplicativo Kindle da Amazon. Por meio dele, usuários de outros dispositivos podem acessar o conteúdo que compraram por meio da loja ou do Kindle em aparelho que não são compatíveis com o formato de arquivo.

Nova geração de aplicativos

Com os aplicativos baseados em web, os aplicativos tradicionais perderão espaço se não oferecerem vantagens aos usuários. “Os aplicativos nativos só sobreviverão se proverem uma experiência mais pessoal e rica do que a experiência básica oferecida pelos aplicativos baseados em web”, diz Stephanie Baghdassarian, diretora de pesquisas do Gartner.

É por isso que aplicativos com recursos de realidade aumentada devem se popularizar nos próximos anos. Esses aplicativos usam sensores existentes no celular, como GPS, sensor de movimento, barômetro e até reconhecimento facial para “prever” as necessidades do usuário.

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Aplicativos baseados em geolocalização, como o Foursquare, são tendência

Com informações do mundo real, os aplicativos oferecem informações que estão na web, mas que são relevantes para o contexto do usuário, até mesmo sem que ele solicite. “Quando você está fora do seu país, por exemplo, precisa de informações simples que te ajudem no dia a dia, como onde encontrar um táxi”, explica Jeremy Kreitler, vice-presidente de mobilidade da Lonely Planet, editora de guias de viagem.

Outros aplicativos que devem se beneficiar da realidade aumentada são games e aplicativos sociais que permitem, por exemplo, pedir a opinião dos amigos em tempo real sobre, por exemplo, um produto que o usuário está comprando naquele momento.

As interfaces pelas quais o usuário receberá este conteúdo também mudarão. Kreitler explica que, num aplicativo de guia de viagem, por exemplo, faz mais sentido identificar a localização do usuário e enviar conteúdo por meio de uma gravação, já que ele não estará olhando para a tela do smartphone. “Se ele estiver andando pela cidade, é mais provável que esteja usando o fone de ouvido.” Para Philipp Schloter, CEO da Abukai, empresa que desenvolve aplicativos, novas tecnologias como telas 3D em smartphones, como o lançado pela LG, também devem ajudar.

Inovação virá de países emergentes

Para Vestber, da Ericsson, é provável que os aplicativos mais inovadores dos próximos anos não sejam desenvolvidos em países tradicionalmente avançados em tecnologia, como Estados Unidos. Entre os motivos está a cultura desses países, bastante presa à web. “Os novos aplicativos virão de países com Índia e China, onde a maior parte da população teve o primeiro contato com a internet por meio do celular.”


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