iG - Internet Group

iBest

brTurbo

NotíciasÚltimo Segundo

24/05 - 14:49hs

Com ChromeOS, Google tenta reinventar computador
Preço similar aos notebooks comuns e receio de armazenar arquivos na web, no entanto, podem limitar alcance do ChromeOS

Claudia Tozetto, iG São Paulo

Em junho, os três primeiros notebooks com o ChromeOS, sistema operacional do Google para notebooks, chegam às lojas americanas. O novo sistema, que funciona totalmente centralizado na web, é a aposta do Google para enfrentar a Microsoft, líder no mercado de sistemas operacionais com o Windows. “O ChromeOS é uma proposta de um computador mais adequado para os dias de hoje, para a navegação na web”, diz Félix Ximenes, diretor de comunicação do Google Brasil.

Divulgação
Tela de acesso do ChromeOS: janela para a web

O novo sistema do Google é baseado em computação em nuvem, uma tecnologia comumente usada pelos serviços online, mas pouco conhecida entre os usuários: arquivos e aplicativos são armazenados em servidores de grandes centros de dados (data centers) que podem ser acessados a partir de qualquer dispositivo, desde que conectado à internet. “Não é necessário ter um computador tão potente, porque o processamento mais pesado acontece no servidor, não na máquina”, explica Rafael Nunes, sócio da Yaw Tecnologia, uma empresa de treinamentos sobre computação em nuvem. A tecnologia é usada, por exemplo, em serviços de e-mail ou de compartilhamento de fotos.

Samsung e Acer são as primeiras fabricantes a levar notebooks com o ChromeOS ao mercado. Os modelos da Samsung terão tela de 12 polegadas e serão vendidos nas versões Wi-Fi e Wi-Fi + 3G a partir de R$ 695. No caso da Acer, a tela no notebook tem 11,6 polegadas, oferecerá apenas conexão Wi-Fi e custará cerca de R$ 565. Nos EUA, empresas e estudantes poderão alugar os equipamentos também mediante o pagamento de uma assinatura mensal.

Divulgação
Dois modelos da Samsung chegaram ao mercado americano com o ChromeOS

O Brasil não está entre os primeiros países que receberão os produtos. “Nas próximas semanas esta lista vai crescer”, diz Ximenes. O Google já confirmou, em evento para a imprensa da América Latina, que os notebooks com ChromeOS devem chegar às lojas do Brasil em até seis meses.

A área de trabalho é a web

No ChromeOS, o navegador Chrome se torna a área de trabalho do novo sistema. Por meio dele, o internauta usa qualquer serviço que esteja disponível por meio da web, como e-mail, processador de documentos (como Google Docs ou Office Web Apps), aplicativos para gerenciar fotos (como o Picasa ou o Flickr), entre outros. Em vez de salvar o arquivo na memória local, os arquivos são guardados nos servidores da empresa que provê o serviço ou em um disco virtual, que pode ser pago ou gratuito.

Divulgação
Nova aba do ChromeOS mostra aplicativos instalados no computador

Sem nada para processar na máquina, o sistema operacional se mantém leve e completa o boot, processo de inicialização do computador, em apenas oito segundos. “O usuário pode instalar aplicativos no navegador por meio da Chrome Web Store”, diz Ximenes. Segundo o Google,  milhares de programas são instalados a partir da loja de aplicativos para Chrome todos os dias, entre extensões, jogos e aplicativos com diversas funções. A empresa, no entanto, não divulga o total de aplicativos disponíveis, nem a quantidade de programas gratuitos ou pagos (estes estão disponíveis apenas nos EUA).

Divulgação
Chrome Web Store é a loja de aplicativos para ChromeOS

Os ícones dos aplicativos instalados aparecem reunidos cada vez que o usuário cria uma nova aba do ChromeOS. Cada aplicativo ocupa uma aba, além das páginas de web que o usuário costuma navegar, o que pode dificultar o controle do conteúdo em exibição. Ajustes personalizados, como mouse e teclado, rede Wi-Fi, além de data e hora, podem ser acessados a partir das configurações do navegador, que também mostra o nível da bateria.

Apesar de trazer inovações, ao mesmo tempo em que o ChromeOS amplia os recursos para o usuário -- já que o limite de instalação e de acessos a novos conteúdos é a própria web -- acaba por deixar de oferecer todos os outros recursos de um computador comum. “O sistema é inviável para quem usa vários sistemas instalados no computador, mas pode ser vantajoso para quem está acostumado a usar ferramentas pela web”, diz Nunes, da Yaw.

Essa limitação está entre as principais críticas da imprensa internacional após o anúncio da chegada dos primeiros notebooks com ChromeOS. “A ideia do ChromeOS soa interessante em teoria, mas não é a melhor coisa para as empresas nem para usuários comuns”, escreveu Mike Elgan, colunista da revista Computerworld.

A segurança no ChromeOS

A ideia de manter toda a vida digital na internet é outro fator que assusta grande parte dos usuários. Se por um lado, os arquivos estarão a salvo caso o notebook quebre ou seja roubado, poderão ficar inacessíveis por alguns períodos, seja por problemas na conexão de internet ou falhas de serviço. Recentemente, uma falha tirou o Gmail do ar por três dias para parte dos usuários e o Blogger deixou de funcionar por quase 24 horas. Durante este período, todo o conteúdo armazenado na web ficou inacessível. “Colocamos os serviços no ar novamente o mais rápido possível”, diz Ximenes, do Google.

Divulgação
Arquivos armazenados em serviços baseados em nuvem, como o Google Docs, podem ficar inacessíveis se a rede ou serviço falhar

Com relação a vírus e malware, o ChromeOS oferece diversas ferramentas para proteger o sistema. O controle do usuário sobre o sistema é mínimo, o que permite, por exemplo, que Google o atualize sem que o usuário saiba. “Quando os usuários podem optar, acabam deixando de fazer atualizações importantes”, diz Fábio Assolini, analista de malware da empresa de segurança Kaspersky. Segundo o Google, as atualizações tornarão o ChromeOS mais leve e rápido, o que significa que o usuário poderá manter seu notebook por mais tempo.

Entre os recursos de segurança, alguns já adotados por outros sistemas operacionais, há o “sandboxing” (caixa de areia, em tradução livre), que isola um processo em execução quando algo ameaça a segurança da máquina, além do boot verificado, em que um software valida todo o ChromeOS antes de iniciá-lo. Apesar disso, novos tipos de malware podem ser desenvolvidos para superar as barreiras do ChromeOS. “Hospedar dados na nuvem não é um processo isento de riscos”, diz Assolini.

O ChromeOS evita que programas maliciosos se instalem na máquina, porém os usuários continuam sujeitos ao roubo de identidade, os chamados ataques de phishing. Como o usuário precisa informar seu login e senha para acessar seus arquivos, estejam eles armazenados em qualquer serviço, basta que o hacker descubra as credenciais para colocar em risco toda a vida digital da pessoa. “Se alguém obtém a senha da sua conta no Google, por exemplo, pode comprometer os dados armazenados por meio de todos os outros serviços”, diz Assolini. Este tipo de roubo de identidade pode acontecer por meio de mensagens de spam ou mesmo ao acessar um site com código malicioso.

Hackers também podem atacar os provedores de serviços baseados em web para roubar credenciais de acesso de seus usuários. Nesse caso, os hackers roubam dados pessoais de grande parte dos usuários de uma só vez, o que pode dar acesso aos arquivos e até mesmo a informações pessoais, como endereço, conta bancária ou número do cartão de crédito. O caso mais recente envolve a Sony, fabricante do console PlayStation 3. Hackers roubaram as credenciais dos usuários para acessar a PlayStation Network, o que tirou o serviço do ar durante três semanas, além de expor dados pessoais dos usuários.

Se o usuário optar por usar o novo sistema operacional do Google, a dica é manter um backup local dos dados, em um HD externo, DVD ou mesmo em pen-drive. “É sempre bom manter uma cópia dos dados, já que o usuário conhece os riscos envolvidos”, diz Assolini. Outro conselho recorrente é manter senhas diferentes para acessar cada um dos serviços de armazenamento de dados na web, de modo que um invasor falhe ao tentar acessar todos os serviços usados pelos internautas com uma mesma senha. “Quanto mais camadas de segurança forem usadas, menos exposto o usuário estará.”

Siga o iG Tecnologia no Twitter Siga o iG Tecnologia no Twitter


? Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG


Contador de notícias