Implante cerebral permite a recuperação de 5 pessoas com traumatismo
Fidel Forato
Implante cerebral permite a recuperação de 5 pessoas com traumatismo

Após acidentes de carro, os pacientes sobreviventes correm o risco de desenvolver algum tipo de lesão cerebral traumática, também conhecida como traumatismo cranioencefálico . Dependendo da intensidade do problema, a pessoa pode ficar terminantemente incapacitada. Para casos moderados e graves, pesquisadores começam a testar uma nova terapia com o uso de implantes cerebrais e eletroestimulação.

Em um estudo clínico de Fase 1, pesquisadores dos Estados Unidos, incluindo membros do Weill Cornell Medicine, recrutaram seis pacientes que sofreram um tipo de traumatismo, moderado ou grave, após acidentes. Em cinco deles, a terapia com implantes demonstrou ser bastante promissora, segundo estudo publicado na revista Nature Medicine .

Traumatismo cranioencefálico

Quando a cabeça é atingida por um golpe violento, como uma batida de carro ou uma pancada durante atividades esportivas, há o risco do cérebro ser permanente afetado. As pessoas que sobrevivem com esse tipo de traumatismo podem apresentar confusão mental, perda de memória e dificuldade de concentração.

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Em alguns casos, o comprometimento das redes e das conexões entre e neurônios são rompidas de tal modo, especialmente no tálamo, que o indivíduo não consegue mais realizar atividades do dia a dia, como trabalhar ou frequentar a escola.

Este era o caso de Gina Arata, paciente que sofreu um acidente aos 22 anos. Como consequência da lesão, largou os estudos em direito e o emprego, além de voltar a morar com os pais. Por 18 anos, conviveu com esses problemas até que foi recrutada para o novo estudo. Com o implante cerebral, recuperou parte das suas capacidades, incluindo a melhora da memória e do foco.

De modo geral, “esses participantes haviam sofrido lesões cerebrais anos ou décadas antes, e pensava-se que o tempo para qualquer processo de recuperação possível já tivesse sido esgotado. Por isso, ficamos surpresos e satisfeitos ao ver o quanto eles melhoraram”, afirma Jerold B. Katz, professor do centro de pesquisa e um dos autores do estudo, em nota.

Implante cerebral

Com a proposta de ser uma nova terapia para casos de traumatismo, os médicos estão testando o uso do implante cerebral que estimula locais específicos na região do cérebro conhecida como tálamo. São vários eletrodos que promovem a estimulação cerebral profunda por 12 horas, diariamente.

Após o primeiro mês de eletroestimulação, os pacientes obtiveram melhores resultados nos testes que mediam a função executiva do cérebro, o que envolve a capacidade de gerenciamento, de memória, de raciocínio e de resolução de problemas. Os índices melhoraram de 15% a 55%, mas sendo sempre superiores a 10%.

Embora seja bastante benéfico, o uso dos implantes não é isento de riscos, já que envolve uma cirurgia bastante invasiva. Inclusive, um dos recrutados desenvolveu uma infecção no couro cabeludo e teve a sua participação descontinuada na pesquisa. Só que o quadro infeccioso ocorreu no pós-operatório, garantindo a segurança da intervenção, segundo os autores. Eventualmente, também podem causar mudanças de personalidade.

Próximos passos

Após completar com sucesso essa primeira etapa, os pesquisadores desenham a Fase 2 do estudo clínico, na qual poderão ser recrutados até 50 pessoas com traumatismo nos EUA. O objetivo é entender se o uso dos implantes continua a ser benéfico em populações maiores e se não é associado com efeitos adversos indesejados.

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