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13/03 - 08:45hs

Internet completa 20 anos com futuro em aberto
A rede mundial de computadores (World Wide Web, WWW) completa 20 anos de existência nesta sexta-feira. A data marca o dia em que Tim Berners-Lee inventou a fórmula que transformou uma rede de trocas de informações militares na plataforma de comunicação que atinge, hoje, cerca de 25% da população mundial e 24,5 milhões de residências brasileiras, segundo dados do Ibope.

Marina Morena Costa, repórter do Último Segundo

 

Lee inventou o WWW quando trabalhava como cientista no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN). O pesquisador descobriu uma forma fácil e prática de físicos do instituto trocarem documentos eletrônicos. Até então, a comunicação por meio do que desde a década de 50 era chamado de internet, restringia-se à troca de textos dentro de grupos fechados, como organismos militares e intitiuições acadêmicas.

A descoberta de Lee abriu a rede. Criou a possibilidade de o sistema de informações ser usado por qualquer pessoa e deu as coordenadas para a criação do HTML (Hypertext Markup Language), código usado para transformar texto e imagens em um formato eletrônico.

O código, combinado com a URL (Uniform Resource Locator) e o HTTP (Hypertext Transfer Protocol, Protocolo que controla o envio de uma página em HTML de um servidor para um cliente), transformou-se no que conhecemos por internet hoje: uma rede de milhões de pessoas que se comunicam com outras pessoas por meio de computadores pessoais.

A descoberta de Lee abriu a rede. Criou a possibilidade de o sistema de informações ser usado por qualquer pessoa

Em 1991, o sistema entrou em funcionamento para os pesquisadores do CERN. Dois anos depois, os endereços puderam ser registrados e o número de servidores aumentou vertiginosamente, passando de 250, em 1993, para 73 mil, em 1995. “A internet é uma obra inacabada. Seus arquitetos permitiram que ela fosse reconfigurada pela prática do uso, o que permite a criação de novos formatos e tecnologias. Isso é fantástico”, afirma Sergio Amadeu, sociólogo e professor da pós-graduação da Faculdade de Comunicação Cásper Líbero. Para o sociólogo, a rede mundial promoveu uma “profunda alteração na comunicação das sociedades contemporâneas”.

Realidade virtual

Na avaliação de Amadeu, a internet é um processo de criação “ainda em curso”. “Ela tem protocolos que garantem a distribuição anônima de conteúdos e concentra a inteligência na última camada. A qualquer momento podemos inventar novos protocolos nesta forma de comunicação aberta e não proprietária”, avalia.

Silvio Mieli, especialista em análise de conteúdos áudios-visuais e professor da Faculdade de Comunicação da Pontifícia Universidade Católica (PUC), vê a internet como um “novo nível de realidade” e ressalta a importância da “interação” entre os meios real e virtual. “A internet criou uma nova cultura, que precisa ser analisada e refletida profundamente. A cultura molda o imaginário, por isso é importante ter as experiências do real e do virtual para estabelecer uma relação”, diz o professor da PUC.

“A internet é uma obra inacabada. Seus arquitetos permitiram que ela fosse reconfigurada pela prática do uso, o que permite a criação de novos formatos e tecnologias. Isso é fantástico” 

Segundo Mieli, a internet deve ser discutida e ensinada desde cedo: “temos que começar a ensinar nas escolas a relação entre o homem e a máquina, entre o homem e a tecnologia. Desta forma, vamos construir redes mais interessantes e mais democráticas”.

Para o especialista, o fato de a rede mundial ter começado em um centro de pesquisa, para a troca de conhecimento, deu escopo para que ela crescesse. “As pessoas dão pouca atenção para isso, mas se a rede não tivesse ligada às universidades, ao conhecimento, provavelmente teria se esgotado como forma de troca de informações. O importante é que ela continue enriquecendo, não seja apenas vitrine de venda de produtos.”

Outro ponto destacado por Amadeu é a inversão do processo de comunicação. “A internet criou um problema para os intermediários do jornalismo e da indústria cultural ao garantir uma maior quantidade de falantes. Antes, a grande dificuldade era falar. Hoje é ser visto, ser ouvido, conseguir chamar a atenção”, diz.

Embora os conceitos de internet e a rede mundial de computadores se confundam, elas guardam uma diferença de origem. A internet existe desde os anos 50 em diversos formatos e trata-se de uma série de redes interligadas que permite a troca de dados por meio do protocolo de transmissão, conhecidos como TCP/IP. Já a rede mundial (WWW) é uma rede de servidores que permite a troca de informações hospedadas num sistema, acessado por meio da conexão pela internet.

Web semântica

Durante a Campus Party, feira de tecnologia realizada em janeiro deste ano, na cidade de São Paulo, Tim Berners-Lee apresentou em sua palestra a chamada “web semântica”. Para o cientista, o futuro da internet está na forma como os dados são organizados, em um conceito de internet inteligente, que possa procurar respostas aos usuários, em vez de apenas listar sites onde os termos pesquisados apareçam.

Partindo do conceito básico de que cada “pedaço” de informação tem um identificador único e ponteiros para outros pedaços relacionados, é possível mudar a forma como os dados são visualizados, combiná-los, reorganizá-los e apresentá-los de formas antes não imaginadas.

Segundo o jornal norte-americano “The New York Times”, o National Computing Centre (Centro de Computação do Reino Unido) acredita que em 10 anos a “web semântica” será uma realidade.

"A internet criou um problema para os intermediários do jornalismo e da indústria cultural ao garantir uma maior quantidade de falantes" 

No entanto, engenheiros especialistas em segurança e privacidade na web afirmam que a rede tem ficado tão vulnerável que a única forma de corrigir o problema seria acabar com internet e começar tudo novamente. Um artigo publicado no NYT, do jornalista John Markoff, que cobre tecnologia há 33 anos, aponta que esta “nova internet” segue em debate. Uma das perspectivas reveladas pelo articulista é de que na nova rede o anonimato e certas liberdades percam espaço em nome da segurança – o que já acontece em muitas empresas e sedes governamentais.

Opinião

 

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Rafael Rigues

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