Empresa de comércio eletrônico quer levar ofertas aos consumidores por meio de aplicativos móveis e sociais para ampliar negócios na América Latina

Depois de quase dois anos de trabalho, o Mercado Livre anunciou nesta quarta-feira (31) a abertura de sua plataforma para desenvolvedores de aplicativos. A empresa de comércio eletrônico oferecerá interfaces de programação de aplicativos (API), além de suporte técnico por meio de um novo site para desenvolvedores para criar novos serviços que ajudem a disseminar os produtos vendidos por meio do Mercado Livre em toda a América Latina.

Nova API do Mercado Livre permitirá desenvolver aplicativos para oferecer produtos vendidos pelo site
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Nova API do Mercado Livre permitirá desenvolver aplicativos para oferecer produtos vendidos pelo site

"Percebemos que não iriamos conseguir desenvolver tudo, apesar de o Mercado Livre ter uma equipe de mais de 300 programadores em cinco centros de tecnologia", disse Helisson Lemos, diretor geral do Mercado Livre no Brasil.

Após tomar esta decisão, a empresa passou cerca de um ano e meio reescrevendo o código do site para oferecer APIs mais modernas para os desenvolvedores - as mesmas usadas pelos programadores da empresa ao criar novos recursos.

No último ano, de acordo com Marcos Galperin, CEO do Mercado Livre, as transações realizadas por meio da plataforma só no Brasil resultaram em R$ 10 bilhões. A comunidade de compra e venda de produtos reúne 60 milhões de pessoas. "Cerca de 140 mil pessoas no Brasil usam o Mercado Livre para vender produtos como sua principal fonte de renda", disse Galperin, em seu discurso de abertura da conferência de desenvolvedores.

Comércio social e móvel

Uma das apostas do Mercado Livre ao abrir a plataforma é permitir o acesso às ofertas de seu catálogo de formas inovadoras. Em um dos países onde alguns desenvolvedores de empresas tiveram acesso à API, dizem os executivos, alguns projetos inovadores já surgiram, como um aplicativo que permite ver ofertas do Mercado Livre em um formato similar ao da rede social Pinterest, que mostra fotos compartilhadas por amigos.

"Precisamos que os desenvolvedores criem novas formas de navegar no inventário do Mercado Livre", disse Galperin à plateia de desenvolvedores. Os desenvolvedores que criarem aplicativos usando a plataforma do Mercado Livre receberão uma comissão a cada compra realizada no site por meio de seu aplicativo. O modelo é parecido com o já adotado pela empresa para remunerar blogs e sites que embarcam ofertas do Mercado Livre em suas páginas.

Expandir o alcance dos produtos vendidos no Mercado Livre para dispositivos móveis, como smartphones e tablets, também é um dos objetivos. "As pessoas estão mudando os dispositivos que usam para comprar pela internet. Hoje são os smartphones e tablets, amanhã serão geladeiras e carros", diz Galperin.

Segundo números divulgados pela empresa, atualmente cerca de 10% das vendas do varejo acontecem pela internet no mundo. Na América Latina, a porcentagem é ainda menor: cerca de 5%. "São mais de 1 mil buscas por segundo e duas compras são realizadas por segundo. Temos uma grande oportunidade ao criar produtos e conectar o Mercado Livre com outras APIs disponíveis no mercado", diz Galperin.

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