Primeiros produtos prestes a chegar ao mercado foram apresentados na CES 2013, enquanto grandes empresas, como Apple e Olympus, trabalham em seus próprios projetos

Em pouco tempo não só os engenheiros do Google chamarão a atenção nas ruas de San Francisco e Nova York, nos Estados Unidos, por conta de seus exóticos óculos futuristas com sistema operacional Android. O produto, que ainda não chegou ao mercado , já começa a ganhar novos concorrentes. Três deles foram apresentados durante a Consumer Electronics Show (CES) 2013 , maior feira de tecnologia do mundo, realizada no início de janeiro em Las Vegas (EUA).

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Os dispositivos que o usuário pode “vestir”, como óculos e relógios de pulso conectados , devem representar uma boa parte do mercado de tecnologia no futuro. De acordo com a consultoria Juniper Research, em um estudo publicado no início deste mês, o mercado total para estes dispositivos, que inclui aparelhos médicos e corporativos além dos acessórios conectados para pessoas comuns, alcance 70 milhões de unidades em quatro anos.

Os produtos mais populares no futuro, segundo a Juniper, serão aqueles que tiverem funções relacionadas a esportes ou saúde, como aplicativos para monitorar a frequência cardíaca durante uma corrida ou mapas para traçar o percurso da bicicleta. De acordo com o estudo, os aparelhos com estas características devem representar 80% do mercado em 2017. A maior parte das vendas, como normalmente ocorre, ficará concentrada nos EUA e Europa.

“O desenvolvimento simultâneo dos dispositivos e do ecossistema de aplicativos integrará novas tecnologias, como realidade aumentada, na vida humana”, escreve Nithin Bhas, analista sênior da Juniper, no estudo. Ele prevê que, em 2017, o preço de dispositivos como os óculos conectados -- que chegam a custar mais de R$ 5 mil atualmente -- comece a cair e mais pessoas possam adotar estes aparelhos em seu dia a dia.

Veja abaixo os detalhes dos três novos rivais do Project Glass, do Google:

"Companhia" para smartphone

O mais badalado entre os óculos conectados apresentados na CES 2013 foi o M100, fabricado pela Vuzix. A empresa apresentou um protótipo do dispositivo, que roda o sistema operacional Android na versão 4.0, e deve ser preso à orelha do usuário. Eles funcionam sincronizados com o smartphone por meio de Bluetooth e mostram notificações de chamadas recebidas, mensagens de texto (SMS) e e-mails.

De acordo com a fabricante, o produto final terá câmera que grava vídeos com alta resolução (720p), memória interna de 4 GB, GPS, conexão Wi-Fi e Bluetooth. Na CES 2012, no entanto, os visitantes se contentaram em assistir um vídeo de demonstração na pequena tela localizada à frente do olho direito.

Segundo a Vuzix, as primeiras unidades do M100 devem chegar ao mercado até a metade de 2013. O preço estimado do produto é de cerca de US$ 500 (por volta de R$ 1.021), bem mais barato que os óculos com Android do Google, que estão à venda apenas para alguns desenvolvedores por cerca de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 3,1 mil) desde julho de 2012.

Da mesma forma que em outras tecnologias que o usuário pode "vestir", como o relógio de pulso Pebble, os óculos da Vuzix suportarão aplicativos. A empresa já liberou o kit de desenvolvimento de aplicativos (SDK) para os desenvolvedores: os apps poderão ser controlados por meio de um pequeno trackpad ou por meio da tela do smartphone.

Projetores oculares

Outro protótipo apresentado na feira de tecnologia em Las Vegas (EUA) foi desenvolvido pela Innovega, uma startup que participou do evento pela primeira vez. A empresa criou um conjunto que combina uma lente de contato com microprojetores que exibem as imagens nas lentes dos óculos.

Nesta tela, os usuários poderão ver informações de realidade aumentada: ao olhar para qualquer direção, por exemplo, será possível enxergar os pontos de interesse baseados em um serviço de mapas. A tecnologia também permitirá mostrar notificações de aplicativos e até exibir vídeos.

O iOptik, por enquanto, ainda está em testes e o objetivo principal da empresa é oferecer a tecnologia para aplicações militares - o Pentágono está entre os clientes com quem a Innovega negocia. No entanto, a empresa pretende desenvolver uma versão do conjunto para usuários domésticos até 2015.

Windows na cabeça

Único entre os três produtos que já está no mercado, o Golden-i é um PC com Windows CE -- sistema operacional da Microsoft para dispositivos móveis anterior ao Windows Mobile e Windows Phone. O Golden-i ainda custa caro: para sair por aí com o dispositivo futurista, o consumidor paga US$ 2,5 mil (cerca de R$ 5,1 mil). O produto só está à venda nos EUA.

Dispositivo Golden-i tem pequena tela presa à cabeça por duas tiras
Getty Images
Dispositivo Golden-i tem pequena tela presa à cabeça por duas tiras

Em vez de ter formato parecido com um óculos, como dos concorrentes, este dispositivo é preso à cabeça do usuário por meio de dois suportes e possui uma tela na frente do olho direito. A tecnologia foi desenvolvida pela Kopin e Ikanos, mas o Golden-i é atualmente fabricado pela Motorola.

O produto é comandado por voz e movimentos da cabeça e, por isso, é equipado com quatro acelerômetros e dois microfones, além do sistema de reconhecimento de voz da Nuance, o mesmo encontrado no Siri , aplicativo de assistente pessoal da Apple. O produto é compatível com conexão Wi-Fi e Bluetooth e terá uma versão 4G, em parceria com a operadora Verizon.

Outros projetos

Além dos óculos lançados na CES 2013, outras grandes empresas, como Apple e Olympus, trabalham em seus próprios óculos com conexão de internet e acesso a aplicativos. Em julho do ano passado, logo após o Google apresentar oficialmente o Project Glass, a Olympus apresentou o protótipo do Meg 4.0, um óculos "para ser usado no dia a dia". Ele pesa apenas 30 gramas, já com a bateria.

A tela do aparelho não obstrui a lente do óculos, de modo que o usuário pode usar suas próprias lentes corretivas. A Olympus, no entanto, não divulgou nada sobre o preço ou quando o produto deve chegar ao mercado.

A Apple, fabricante do iPhone e iPad, também trabalha em seu próprio óculos conectado. De acordo com uma patente registrada na metade de 2012, a empresa planeja inserir telas em óculos comuns e em óculos de proteção, usados por trabalhadores em fábricas. Ainda não há informações de quando os produtos podem chegar ao mercado.

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