Líder no país asiático, empresa dobrou número de funcionários em dois anos e agora amplia atuação no Brasil

Com cerca de 80% do mercado de buscas na China, o Baidu é um dos gigantes da internet no país, ao lado do Alibaba e do Tencent. Como quase tudo que envolve o país de mais de 1,3 bilhão de habitantes, o crescimento da empresa impressiona. Em 2012, o Baidu tinha 20 mil funcionários. Em 2014, esse número já é de 40 mil, dos quais 25 mil são engenheiros.

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O iG visitou a sede do Baidu em Beijing. O prédio fica na região conhecida como “Vale do Silício da China”. A área tem esse nome devido à grande concentração de empresas de tecnologia, que recebem incentivos do governo chinês para construírem seus escritórios no local.

Fundado em 2000, o Baidu é uma empresa jovem e essa atmosfera permeia seu escritório. Como ocorre em companhias americanas, a sede tem vários espaços informais para reuniões, restaurante 24 horas, e até mesmo "cápsulas de descanso", estruturas que lembram um iglu e estão à disposição dos funcionários que desejam tirar uma soneca depois do almoço – hábito muito comum na China.

Atuação no Brasil

No Brasil, a empresa abriu seu escritório em novembro do ano passado. O Baidu iniciou sua atuação no País distribuindo alguns programas grátis, como antivírus e software para aperfeiçoar o desempenho do PC.

Segundo o gerente de marketing da empresa no Brasil, Felipe Zmoginski, essa foi uma forma de conhecer melhor o usuário brasileiro e estudar o mercado. Há alguns meses, o Baidu estreou a versão em português de seu principal produto, a ferramenta de busca .

Baidu estreou ferramenta de busca no Brasil
Reprodução
Baidu estreou ferramenta de busca no Brasil

Para crescer no Brasil, porém, o Baidu terá que enfrentar o Google, que atualmente possui mais de 90% do mercado de buscas do País e também domina o mercado publicitário na área de links patrocinados.

Para tentar ganhar uma fatia desse bolo, o Baidu aposta em uma ferramenta que fornece mais informações logo na página de resultados. Um exemplo disso é uma busca por "metro de são Paulo". Em vez de exibir apenas uma lista de links, o Baidu traz um mapa completo e navegável das estações do metrô.

Outro exemplo é a busca por artista. O Baidu mostra, na página de resultados, links para letras de músicas e vídeos. Vídeos do YouTube podem ser abertos na própria página de resultados, sem a necessidade de visitar outros sites. Em buscas por cidades, o Baidu oferece uma caixa para procurar por passagens de ônibus, além dos tradicionais links.

A ideia em todos esses casos é que o usuário possa ver mais informações na própria página de buscas, sem ter que clicar nos links dos resultados para chegar até o conteúdo desejado. Por enquanto, a página de resultados do Baidu não tem publicidade na forma de links patrocinados. Segundo Zmoginski, essa plataforma deve chegar em breve e vai funcionar de modo similar ao Google AdWords.

Investimentos no Brasil

Em julho deste ano, em um acordo assinado em Brasília com a presença da presidente Dilma Rousseff e do presidente da China, Xi Jinping, o Baidu se comprometeu a investir US$ 50 milhões no Brasil nos próximos anos.

Esse valor inclui a construção de um centro de pesquisa no País. "É um projeto que criará empregos de alta qualificação e que mostra que a presença do Baidu no Brasil é um projeto de longo prazo", afirma Richard Lee, diretor de expansão internacional do Baidu. O centro de desenvolvimento será o primeiro do Baidu na América Latina.

A empresa pretende ainda apoiar o programa Ciência Sem Fronteiras, com bolsas para estudantes, e participar de iniciativas de suporte ao cenário de startups no Brasil. Além disso, segundo Yan Di, diretor-geral do Baidu no Brasil, a empresa pretende anunciar em breve a aquisição de uma grande empresa de internet do País.

* O jornalista viajou a Beijing a convite do Baidu.

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