Para impulsionar o OLED no Brasil, LG reduz preço de TVs em 75%

Por Emily Canto Nunes - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Três novos modelos de televisão inteligente com tela OLED passam a custar R$ 9.999

Divulgação
LG Curve com tela OLED modelo 55EA9800 de 55 polegadas passa a custar R$ 9.999,00

Em uma estratégia que pode ser considerada ousada, a LG decidiu reduzir em 75% o preço das suas televisões com tecnologia OLED vendidas no Brasil. Quando lançadas, em meados de 2013, as TVs OLED da LG de 55 polegadas custavam cerca de R$ 40 mil. A partir de novembro, essas mesmas televisões poderão ser encontradas nas lojas cerca de R$ 10 mil. O novo preço vale para as SmartTVs 55EA9850, 55EA9800 (com tela curva) e para a 55EA8800, que tem moldura similar a de um quadro.

O objetivo? Impulsionar a popularização da tecnologia que, na opinião de Rogerio Molina, gerente de televisores da LG, deixará o LCD para trás, assim como o LCD fez com o plasma. A iniciativa é lançada poucos dias depois da LG comunicar ao mercado que deixaria de produzir aparelhos com plasma.

O esforço para tornar o OLED uma demanda não só de fabricantes, mas também de clientes, não é de hoje. Desde que lançou as primeiras TVs com essa tecnologia a LG vem propagandeando a inovação. NA IFA 2014, por exemplo, as TVs OLED ocupavam os espaços de maior destaque no estande da empresa, e estavam sempre acompanhadas de explicações das razões da superioridade do OLED sobre o LCD.

O OLED não é uma invenção da LG. A Sony já tinha uma TV OLED pequena no início dos anos 2000, mas não continuou a investir na tecnologia. Painéis OLED já são usados há alguns anos em alguns smartphones e outros aparelhos pequenos, mas a fabricação de telas grandes ainda é um desafio industrial que começou a ser resolvido apenas nos últimos dois anos. Atualmente, Samsung e LG têm TVs OLED no mercado.

FOTOS: telas OLED flexíveis e transparentes da LG

Tela flexível de 18 polegadas da LG. Foto: Divulgação/LG DisplayTela flexível de 18 polegadas da LG. Foto: Divulgação/LG DisplayTela flexível de 18 polegadas da LG. Foto: Divulgação/LG DisplayTela OLED transparente da LG. Foto: Divulgação/LG DisplayTela OLED transparente da LG. Foto: Divulgação/LG Display

OLED x LCD

Em termos técnicos, o OLED é superior ao LCD. Mais finos, o painéis de OLED podem chegar, atualmente, a quatro milímetros de espessura, mais finos do que várias telas de smartphones. Neste tipo de display, cada pixel possui uma iluminação própria, o que resulta em uma qualidade de imagem superior, com contraste infinito, onde o preto é realmente preto – e não uma luz bloqueada como no LCD – e as cores são mais vivas e reais. Devido a sua altíssima capacidade de atualização dos pixels (tempo de reposta do painel), a tecnologia OLED diminui os borrões e rastros de imagens em movimento.

Os benefícios são cores mais próximas do mundo real e um menor impacto ao meio ambiente, pois o OLED tem menor consumo de energia. Além disso, por serem mais finos, esses displays são mais ecológicos, na medida em que usam menos material durante a fabricação. A tela também mostra imagens nítidas com menos de 0.001 milissegundo, o que significa que uma TV OLED é cinco mil vezes mais rápida que uma LCD.

Segundo Molina, em conversa com o iG, a estratégia de redução de preços é global e o objetivo é chamar a atenção do consumidor para os benefícios da tecnologia. Só no Brasil, os investimentos em marketing, mídia, eventos e treinamento com promotores a LG estima gastar R$ 5 milhões. Para este ano, a expectativa é vender um total de 2.500 unidades, mas para o próximo ano a LG já espera bater a casa dos 50 mil. E, segundo Molina, em 2018, o OLED deve chegar a 30% das televisões vendidas em todo o mundo.

Divulgação
LG Gallery 55EA8800 também saíra por menos

Risco de prejuízo em prol da maturidade

Entre as grandes fabricantes, a LG é a que vem investindo mais forte para divulgar o OLED. Mas, para Molina, a popularização da tecnologia não depende apenas da LG, que tem esse painel mais acessível por meio da sua coirmã LG Display.

Se outras fabricantes fizerem como a LG e trouxerem o OLED para a sua linha de produtos, a tecnologia alcançará o nível de maturidade necessário para baratear mais rapidamente. É o princípio da oferta e da demanda: quanto mais empresas precisarem dessa tela, mais as fábricas vão produzir. Quanto mais as fabricantes fizerem esse tipo de tela mais irão aprender como diminuir os custos. Isso até o ponto em que a produção dessa inovação esteja madura e seja mais interessante de fabricar do que o LCD, seu maior concorrente atualmente.

OLED e 4K são complementares

Nesse primeiro momento, as TVs da LG com tela OLED vão concorrer, em preço, com os aparelhos com resolução 4K. Porém, Molina ressalta que o Ultra HD, como também é chamado “o 4K é uma resolução de imagem, que impacta na qualidade, é claro, mas que o OLED é uma tela que inclusive beneficia a experiência com 4K”. “Além da resolução Ultra HD, uma TV da LG com OLED entrega uma imagem com mais contraste e cores bens mais vivas que as LCD”, explica o executivo.

O preço agressivo, reconhece Molina, pode resultar em algum prejuízo para a empresa, ainda que as TVs sejam montadas no Brasil, na fábrica da LG em Manaus. No entanto, segundo ele, o investimento compensa, uma vez que a previsão do volume de vendas não é expressiva a ponto de comprometer as vendas de toda a categoria de televisões da LG. “E conforme a demanda aumentar, não só o prejuízo é absorvido, como também o investimento que estamos fazendo”, diz.

As três TVs que terão o preço reduzido já estão no mercado, e diferentemente das últimas unidades lançadas, elas são televisões inteligentes, mas não trazem o sistema WebOS. Molina diz que seria ainda melhor se elas trouxessem a plataforma que vem sendo bem-recebida pelos usuários, mas que essa ausência não deve comprometer as vendas. O foco dessa campanha é o OLED, que para a LG é sinônimo de qualidade de imagem e uma tecnologia que naturalmente vai substituir as demais nos próximos dez anos.

Ponto quântico pode complementar linha de TVs

Apesar dos esforços da LG, o OLED ainda deve demorar alguns anos para se tornar realmente popular. Enquanto isso, a empresa estuda também investir na tecnologia de ponto quântico. Essa tecnologia é aplicada a TVs LCD e melhora a qualidade de imagens em relação a LCDs tradicionais. 

Leia tudo sobre: lgoledteladisplay

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas