Notebook é rápido, leve e bonito. Mas também é caro

NYT

Por David Pogue

Se você pudesse criar seu notebook dos sonhos, como ele seria?

Extremamente rápido e leve. Bateria com longa duração. Espaço de sobra para arquivos. Memória para manter vários programas abertos sem problemas. Tela espetacular, teclado confortável, som de primeira. Rápido para ligar, corpo robusto, design impecável.

E, claro, barato.

O novo notebook da Apple que começou a ser vendido na última segunda-feira (11) tem quase todas essas características. Como você já deve ter adivinhado, o único problema é o preço.

Mas é preciso considerar que o novo MacBook Pro de 15 polegadas com tela Retina é um produto voltado para profissionais, fotógrafos, editores de vídeo, músicos e outras pessoas que usam o notebook para o trabalho.

Se eles conseguirem desembolsar US$ 2.200 pelo modelo de entrada ate US$ 3.750 pelo modelo completo, serão recompensados ( nota da redação: no Brasil, o novo MacBook Pro é vendido por preços a partir de R$ 10.000 ). E a reação em sites e redes sociais mostra que muitos desses profissionais já estão babando para ter um.

MacBook Air, o início

Faz quatro anos desde a última modificação radical nos notebooks da Apple. Foi há quatro anos que a Apple lançou o MacBook Air. É um laptop ultrafino e levíssimo, rápido para iniciar e com design elegante.

Para criar um laptop tão fino a Apple abriu mão de alguns recursos obrigatórios na época: drive para CD/DVD, porta de rede (Ethernet) e, principalmente, disco rígido.

Em vez de usar um HD convencional, o MacBook Air tem memória Flash, ou seja chips de memória que guardam programas e arquivos.

A memória Flash tem vários benefícios. Ela é mais resistente, já que não há partes móveis. É rápida, especialmente para iniciar o computador e abrir programas. Economiza bateria, já que não há discos mecânicos para girar. É silenciosa e pequena.

Mas a memória Flash é bem mais cara do que HDs convencionais. Os preços vêm caindo, mas em termos de custo/espaço de armazenamento, a memória Flash não consegue ainda competir com um HD.

Enfim, apesar do preço (nos EUA, de US$ 1.000 para cima), o MacBook Air se tornou um sucesso. E agora há também notebooks ultrafinos e leves com Windows, chamados de ultrabooks.

Do Air para o Pro

Tudo isso nos traz para o novo MacBook Pro. A Apple claramente viu que o preço da memória Flash chegou a um ponto em que ela poderia substituir HDs comuns na linha de notebooks mais sofisticados da empresa. Nos EUA, US$ 500 a mais em qualquer modelo são suficientes para comprar 768 GB de memória Flash para armazenamento. É um pouco menos do que o 1 TB de HD comum oferecido em modelos top da Apple. Mas ainda assim é muito espaço.

Como não há HD nem drive de CD/DVD, a Apple conseguiu fazer um notebook mais fino e leve do que o MacBook antigo. O novo laptop tem espessura de 1,77 centímetro, e pesa dois quilos. Não é o mais fino ou leve entre laptops de 15 polegadas (o Samsung Series 9 é um pouco mais fino e leve), mas é certamente um notebook confortável.

A Apple diz que a nova máquina é o “notebook mais lindo que já fizemos”. Alguns preferem o MacBook Air, mas não há dúvidas de que o novo Pro é muito bonito.

Notebook é ultrarrápido e tem bateria de fôlego

A configuração é parruda: o mais novo chip de quatro núcleos da Intel, Bluetooth 4.0 e até um ventilador com pás assimétricas (o que, segundo a empresa, deixa o notebook mais silencioso).

Não marquei com um cronômetro, mas posso garantir que a bateria dura um longo dia de trabalho, levando em conta uma parada para o almoço. Pela primeira vez, uma porta HDMI aparece em um notebook Pro.

O som também é de primeira. Alto-falantes poderosos e dois microfones. Por que dois? Porque o recurso de ditar um texto para o computador estará no novo sistema da Apple, o Mountain Lion. E a empresa afirma que dois microfones eliminam com mais eficiência o som de fundo, deixando apenas a voz.

Tela é o destaque

Mas, sabe do que mais? Configuração que nada. O aspecto que chama mais atenção quando se olha o notebook é a tela Retina.

Retina é o termo criado pela Apple para qualificar uma tela de resolução tão alta que é impossível identificar pixels, mesmo com os olhos colados na tela. A tela Retina já está no iPhone 4S e no novo iPad, e agora faz sua primeira aparição em notebooks.

A resolução é de 2.880 x 1.800. São 5,1 milhões de minúsculos pontos na tela, comparados com 1 ou 2 milhões na maioria dos laptops. É o notebook com maior resolução do mercado, disparado.

Vídeos, fotos e texto se beneficiam dessa tela espetacular. Mas tenha em mente que os programas só terão um visual melhor se forem atualizados para a nova tela. Os programas feitos pela Apple ganharão atualização em breve: Safari, Mail. Aperture, iMovie, Final Cut, iPhoto. Atualizações para Photoshop e AutoCAD também estão a caminho.

Na maioria dos programas ainda sem atualização, menus, caixas de texto e outros elementos têm os benefícios da nova tela. Mas, em alguns programas, o texto fica borrado e horrível na tela. O aplicativo do Kindle e o navegador Chrome caem nessa categoria (Amazon e Google dizem que uma atualização está a caminho).

Pequenos problemas podem incomodar

Esperar por atualizações não é um grande problema. Mas outros aspectos podem incomodar alguns usuários.

Por exemplo, esse laptop só tem duas portas USB. Sim, elas são compatíveis tanto com USB 2.0 quanto com USB 3.0 (o notebook detecta o periférico conectado e escolhe a conexão adequada). Mas outros laptops do mesmo tamanho têm mais portas.

Para compensar, o notebook tem duas portas Thunderbolt, um padrão ultrarrápido para conectar HDs externos, monitores e outros aparelhos. Entretanto, há pouquíssimos periféricos com suporte a Thunderbolt no momento.

Lembre também que esse laptop não tem drive de CD/DVD e porta de rede. O argumento da Apple é que todo lugar tem Wi-Fi agora e quem quiser assistir a um filme pode vê-lo na internet.

Francamente, essa é uma típica resposta otimista demais da Apple. Não há Wi-Fi em todo o lugar, e muitos filmes não estão disponíveis legalmente na internet Além disso, e no avião? Não dá nem pra acessar a internet se não tiver conexão na cabine.

Para contornar o problema, só comprando um drive de DVD externo e um adaptador de rede.

Mudança no carregador

Último problema: o novo MacBook vem com um novo tipo de adaptador de energia. O conector do tipo MagSafe sempre foi uma vantagem dos notebooks da Apple. O conector é magnético, o que evita acidentes quando se tropeça no fio (em vez de arrastar o computador, o conector se solta). Até agora, todos os notebooks da Apple tinham o mesmo conector MagSafe.

Agora não. A nova linha de notebooks da Apple requer um cabo mais fino. Carregadores antigos não servem nesses novos modelos (a não ser com um adaptador de US$ 10 da Apple) e vice-versa. É uma ducha de água fria para quem gastou dinheiro com cabos extras para locais diferentes.

No geral, então, como o novo laptop se sai? Muito bem. Ele está na liderança em quesitos como tela, som, teclado, rapidez no boot, bateria e peso. E pode ter memória gigantesca (até 16 GB) por uma grana a mais.

É barato? Nem pensar. Mas, como acontece com carros, casas e parceiros, não dá para ter tudo.

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