Aparelho se destaca também por recursos interessantes da câmera

Celular de tela grande nunca será popular. Essa era a conclusão de muitos analistas em 2011, quando a Samsung lançou o primeiro Galaxy Note com tela de 5,3 polegadas. As previsões, porém, estavam erradas. A série Note foi e ainda é um sucesso de vendas e outros fabricantes correram para se adaptar ao mercado e lançar seus aparelhos grandalhões.

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Entre os grandes nomes do mundo da tecnologia, a última a lançar um aparelho com tela grande é a Apple. Com o iPhone 6 (a partir de R$ 3.200) e o iPhone 6 Plus (a partir de R$ 3.600), a empresa finalmente tem o que muitos de seus usuários queriam. A tela maior e o design são as maiores diferenças em relação ao modelo anterior. Fora isso, a Apple fez os costumeiros upgrades de configuração, mas os preços continuam altos, principalmente no Brasil. Veja mais detalhes sobre o novo iPhone 6 no teste a seguir.

A favor:

- Extremamente rápido e fácil de usar;
- Excelente variedade e qualidade de aplicativos;
- Câmera com diversas novidades interessantes;
- Leve e com design elegante e sofisticado.

Contra:

- Preço alto;
- Apple Pay não funciona no Brasil;
- Modelo de entrada com apenas 16 GB de memória.

Design

Quando o iPhone 5S foi lançado, não havia muito o que comentar nesse quesito. Ele era exatamente igual ao iPhone 5, que por sua vez usava um estilo de design criado pela Apple para o iPhone 4.

Já o iPhone 6 traz uma mudança radical em termos visuais. As arestas, que no iPhone 5S têm ângulos retos, foram radicalmente suavizadas. No iPhone 6 todos os cantos são arredondados. A peça de alumínio traseira se curva suavemente nas bordas e se une à tela de uma forma muito precisa. É praticamente impossível ver a divisão entre a borda e o começo da tela.

As bordas mais suaves fazem com que o aparelho seja mais agradável de segurar, e a Apple conseguiu diminuir ainda mais a espessura do aparelho, para 71 milímetros. Com 129 gramas, o aparelho também é extremamente leve. 

Câmera do iPhone 6 salta ligeiramente do corpo do aparelho
André Cardozo/iG
Câmera do iPhone 6 salta ligeiramente do corpo do aparelho

Na parte traseira, alguns detalhes chamam a atenção. O primeiro é que a câmera salta ligeiramente para fora do corpo do smartphone.

Por isso, não deixa de ser um pouco preocupante deixar o iPhone sobre a mesa, embora a lente seja protegida por safira e teoricamente esteja muito bem protegida contra danos. 

O segundo detalhe está na forma de duas linhas horizontais na traseira. Elas são de plástico e servem para que o iPhone tenha uma recepção de sinal de celular de melhor qualidade, já que o metal da traseira costuma interferir no sinal. Por um lado, é bom observar que a Apple não privilegiou o design em detrimento da função de celular. Por outro, não dá para deixar de observar que as pequenas faixas estragam um pouco o visual clean do aparelho.

Outra novidade é a mudança do botão liga/desliga do alto para o lado direito. O botão do lado direito já é praticamente padrão em smartphones Android e Windows Phone há um bom tempo e nesse caso a Apple apenas seguiu a tendência do mercado. 

Configuração

O iPhone 6 tem chip A8 dual core de 1,4 GHz e arquitetura 64 bits (é o segundo processador da Apple com suporte a essa arquitetura), além de 1 GB de RAM. No mundo Android, um chip dual core e 1 GB de RAM é uma combinação bem modesta, mas no mundo da Apple a história é outra. 

A ótima integração entre iOS e o hardware do iPhone e a arquitetura 64 bits fazem a diferença, e, como esperado, o iPhone 6 é um aparelho extremamente rápido. O iG testou o aparelho com vários jogos pesados, além de apps mais comuns, e não houve "engasgos" em nenhum momento.

Segundo a Apple, o A8 é 25% mais rápido em tarefas comuns e 50% mais rápido em tarefas gráficas (GPU) em relação ao chip do iPhone 5S. No entanto, na prática, é difícil notar a diferença de desempenho. O poder de processamento do iPhone 6 pode até fazer a diferença em games muito pesados com a nova tecnologia Metal (exclusiva do chip A8), mas em tarefas comuns não dá para realmente notar uma diferença de rapidez em relação ao 5S.

iPhone 6 básico tem 16 GB de memória RAM
André Cardozo/iG
iPhone 6 básico tem 16 GB de memória RAM

Um dos pontos negativos do iPhone 6 está na memória de armazenamento. O modelo mais básico tem apenas 16 GB, o mesmo valor mínimo do iPhone 5, lançado há dois anos.

Levando em conta queda de preço de memória, a falta de uma entrada para cartão de memória e o aumento do tamanho de apps e sistema, é lamentável que a Apple não ofereça o modelo básico com 32 GB.

Em termos de conectividade, o iPhone 6 conta com 20 bandas de 4G, incluindo a brasileira (banda 7). Isso significa que um iPhone comprado nos Estados Unidos ou Europa têm suporte para o 4G do Brasil.

O smartphone tem ainda Wi-Fi do padrão ac, o mais veloz do mercado e sensor NFC, usado exclusivamente no sistema de pagamento Apple Pay (mais detalhes no tópico Sistema). A porta de conexão é a Lightning, já usada desde o iPhone 5.

Tela

Os mais exigentes vão logo notar na ficha técnica que o iPhone 6 não tem uma tela Full HD. Com resolução de 1.336 x 750, ela é pouco superior ao padrão HD (1.280 x 720) e tem densidade de pixels de 326 ppp, a mesma do iPhone 5S.

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Na prática, porém, não há do que reclamar. A tela atende à classificação Retina da Apple, que classifica telas nesse padrão quando não é possível ver os pixels a olho nu. No caso do iPhone 6, nem com uma lupa conseguimos identificar pixels individuais. A tela também tem ótimo nível de brilho e fidelidade de cores muito boa. Resumindo, é ótima.

Câmera

Nesse quesito, a Apple acertou. A empresa não entrou na "guerra dos megapixels" e manteve os 8 MP da câmera traseira, um valor baixo quando consideramos que muitos smartphones rivais já passam de 20 MP em suas câmeras.

Por outro lado, a qualidade da câmera do iPhone sempre foi das melhores e certamente esse é o caso aqui. Para começar, a câmera é muito rápida. Uma tecnologia da Apple chamada Focus Pixels atualiza o foco da câmera praticamente de modo instantâneo a cada movimento do usuário. Não dá para dizer se ela é mais rápida do que outras boas câmeras, mas a câmera praticamente elimina as fotos borradas.

Outro detalhe bem interessante e útil é que é possível ajustar a exposição da câmera simplesmente tocando na tela e regulando um ajuste. Assim, evita-se facilmente fotos muito claras ou escuras.

Depois de tirar as fotos, o usuário conta ainda com as novas ferramentas de edição do iOS 8. Elas permitem recortar e fazer outros ajustes simples de forma rápida e intuitiva.

A gravação de vídeo também é ótima e ganhou dois modos interessantes. O primeiro é o Time Lapse, que condensa horas de gravação em minutos. O outro é o modo de câmera lenta, com gravação de vídeo em Full HD e 240 fps. O usuário pode facilmente escolher o trecho que quer deixar em câmera lenta e o grau de detalhes capturados é realmente impressionante. Nenhum desses recursos é inédito em smartphones, mas a implementação da Apple é realmente muito boa.

A câmera do iPhone 6 fica devendo apenas a estabilização óptica. Nos vídeos gravados pelo iG a câmera se mostrou muito estável, mas esse recurso mais avançado está presente apenas no iPhone 6 Plus.

Sistema

iOS 8 é o sistema usado no iPhone 6
Reprodução
iOS 8 é o sistema usado no iPhone 6


O iPhone 6 vem com o iOS 8, nova versão do sistema operacional da Apple. Logo ao ligar o aparelho o sistema já oferece a atualização para a versão 8.1. O visual do iOS 8 é idêntico ao da versão 7 e não é novidade para quem já usa um produto da Apple.

O iOS 8 é rápido e fácil de usar, mas os recursos mais modernos são úteis apenas para grupos específicos de usuários. É o caso do app Saúde (Health), que coleta dados de atividades físicas do usuário.

O iPhone 6 tem como novidade um barômetro, que permite diferenciar entre caminhadas em lugares planos e subidas ou escadas. Mas o app Saúde é praticamente inútil se o usuário não tiver algum relógio ou pulseira inteligente, e nem todo mundo vai usar o iPhone para medir suas atividades físicas. Por isso, é uma novidade pouco relevante para boa parte dos usuários.

O caso é o mesmo do Homekit, recurso do iOS 8 voltado para automação residencial. A ideia aqui é que o usuário possa usar o iPhone para abrir a porta de casa, controlar luzes, alarmes eletrônicos e outros dispositivos caseiros. Mas para que isso se torne realidade será necessário que outras empresas produzam acessórios compatíveis com o Homekit. Mesmo nos Estados Unidos esses acessórios ainda são escassos e não funcionam de forma ideal. 

A história se repete com o Apple Pay. Esse é talvez o recurso mais ambicioso do sistema e representa a tentativa da Apple de entrar no promissor mercado de pagamentos móveis, até o momento explorado com pouco sucesso por empresas como Square e Google (com o Google Wallet).

O iPhone 6 tem um módulo NFC, o que permite que o usuário pague compras apenas aproximando o iPhone do terminal de pagamento. Mas, como ocorre com o Homekit, para que o Apple Pay funcione é necessário que toda a cadeia de pagamento (lojista, empresas de cartão, bancos) tenham serviços compatíveis. Nos Estados Unidos a Apple criou parcerias com empresas famosas, como McDonald´s. Mas não há previsão de quando o serviço estará disponível no Brasil.

Entre as novidades que podem ser usadas, a mais útil é o modo de uso com uma só mão. Em aparelhos com telas grandes, é praticamente impossível alcançar todas as áreas da tela só com o polegar. Nos novos iPhones, bastam dois leves toques no botão Home para que a tela seja "empurrada" para baixo, podendo então ser acessada pelo dedo polegar. Esse modo de uma só mão funciona tanto na tela de apps quanto dentro dos aplicativos. Vale notar que Samsung e LG também têm modos de acessibilidade, mas a implementação é um pouco diferente.

Aplicativos

Essa é uma área em que a Apple leva vantagem em relação ao Android. Para começar, a Apple inclui poucos e úteis apps em seus aparelhos e não permite que operadoras interfiram no sistema de nenhuma forma. O único ponto negativo é que não dá para desinstalar os apps da Apple. O máximo que dá para fazer é esconder os indesejáveis em uma pasta.

Apesar da grande variedade de apps do Android, a loja da Apple ainda é a melhor em qualidade. A variedade de conteúdo nas lojas de música e vídeo também é bem maior do que nas lojas do Google. 

Bateria

No teste de estresse de bateria do iG , com vídeo em tela cheia, brilho no máximo e Wi-Fi ligado, a bateria do iPhone 6 durou 7h30, um valor pouco superior à média. No uso diário convencional, ela durou cerca de um dia e meio. De modo geral, não foi um desempenho ruim, mas também não espetacular. 

Conclusão

Com o iPhone 6, a Apple mudou o design de seu principal smartphone, mas manteve o resto. O iPhone 6 é maior e tem configuração superior ao seu antecessor, mas continua com o altíssimo nível de experiência de usuário da Apple. Por outro lado, o aparelho continua caro, principalmente no Brasil, e com algumas limitações de sistema, em relação ao Android.

Para quem tem iPhone 5S ou 5 a troca vale a pena somente se o tamanho da tela for um item decisivo, já que o ganho de desempenho na prática é pequeno. Já quem tem um iPhone 4S ou anterior deve estudar a compra.

Para quem não está no mundo da Apple, porém, o iPhone 6 não é um aparelho atraente. O preço é alto e por menos de um terço do valor é possível comprar aparelhos com Android ou Windows Phone que fazem praticamente a mesma coisa e dão conta do recado nas tarefas mais comuns com rapidez e boa experiência de uso. Para quem está com folga no orçamento e quer gastar em um smartphone top, há opções de alto nível e preço menor de fabricantes como LG, Motorola, Samsung, Sony e Microsoft.

Ficha técnica

iPhone 6

Configuração: processador A8 dual core de 1,4 Ghz e 64 bits, 1 GB de RAM, sistema iOS 8.1, tela LED IPS de 4,7 polegadas com resolução de 1.334 x 750, Wi-Fi b/g/n/ac, câmera traseira de 8 MP com flash LED duplo (branco e âmbar), câmera frontal de 1,2 MP, Bluetooth 4.0, 3G/4G, chip do padrão nanoSIM.
Preço: a partir de R$ 3.199 (versão com 16 GB)
Dimensões:  13,8 x 6,7 x 0,71 cm
Peso: 129 gramas 

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