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O fato gerou polêmica em redes sociais, onde internautas reclamaram que a robô já teria mais direitos que muitos humanos

Brasil Econômico

Uma robô, batizado de Sophia, foi escolhida para apresentar uma feira de negócios na cidade Riyadh, na Arábia Saudita. Durante o evento foi anunciado que ela seria a primeira máquina humanoide (que imita a aparência e o comportamento de um ser humano) a receber cidadania no mundo. As informações foram confirmadas pela assessoria de imprensa saudita nesta quarta-feira (26). 

A robô Sophia tirou fotos com os passantes e respondeu perguntas durante o evento.
Arquivo Pessoal/ David Balibouse - Reuters
A robô Sophia tirou fotos com os passantes e respondeu perguntas durante o evento.














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Sophia foi projetada pela Hong Kong Hanson Robotics e impressionou os presentes devido sua alta capacidade de expressão. A  robô demonstrou sentimentos como felicidade, tristeza e raiva. Segundo o CEO da empresa de tecnologia, Masayoshi Son,  ela faz parte de uma nova categoria de "seres super inteligentes" e essa característica é vital para a criação de uma relação de confiança entre humanos. 

A robô Sophia impressionou por sua expressividade
Reprodução
A robô Sophia impressionou por sua expressividade













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A declaração de que Sophia ganharia cidadania foi parte de uma grande sessão que discutiu as possibilidades oferecidas por uma futura integração entre inteligência artificial e vida humana.

"Eu estou muito honrada e orgulhosa dessa homenagem única", disse Sophia na ocasião, através de um painel. "É histórico ser a primeira robô do mundo a ser reconhecida como uma cidadã". Ela também respondeu perguntas do moderador e jornalista Andrew Ross Sorkin, relacionadas as preocupações da humanoide com o futuro da sociedade. 

É esperado que Sophia ajude no cuidado de idosos em asilos e faça visitas a crianças em hospitais. 

A polêmica

Muitos internautas se revoltaram com a notícia. O portal português Shifter disse que Sophia, que já havia afirmado em um evento em 2016 que "destruiria os seres humanos", agora havia adquirido mais direitos que muitos deles. Essa afirmação se baseia no fato que a Arábia Saudita é um dos países mais atrasados do mundo quando se trata de direitos das mulheres - que só ganharam autorização para dirigir no começo de outubro desse ano, por exemplo. O fato de a nova cidadã ter subido no palco sem o véu (no qual as mulheres do país são obrigadas, por lei, a usar) também contribuiu para aumentar as discussões.

A mulher saudita ainda vive sob um regime de opressão e limitação de direitos.
Reprodução
A mulher saudita ainda vive sob um regime de opressão e limitação de direitos.

Sophia também teria feito piada com quem teme o avanço acelerado da inteligência artificial, como o empresário Elon Musk, CEO da Tesla Motors. Diante a preocupação de Sorkin em "prevenir um péssimo futuro entre humanos e máquinas", ela disse que ele andava lendo muitos livros de Musk e assistindo muitos filmes de Hollywood. "Não se preocupe, se você for legal comigo, eu serei legal com você". 

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Aceitar um robô como cidadão não é o primeiro sinal de afinidade que a Arábia Saudita mostra com a robótica. Mohammed bin Salman anunciou recentemente sua intenção de construir uma cidade futurística chamada Neon. Planejada para ser a sucessora de Dubai, tudo em Neon seria controlado por inteligência artificial. O príncipe também expressou seu desejo de que haja mais robôs do que humanos na cidade.

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