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Carro da empresa de Elon Musk fazia testes nas ruas da cidade californiana quando colidiu com viatura do Departamento de Polícia de Laguna Beach

Brasil Econômico

Carro autônomo da Tesla colidiu com viatura estacionada da Polícia de Laguna Beach, cidade litorânea da Califórnia, deixando o
Reprodução/Twitter
Carro autônomo da Tesla colidiu com viatura estacionada da Polícia de Laguna Beach, cidade litorânea da Califórnia, deixando o "condutor" ferido levemente

Um carro autônomo da Tesla colidiu com uma viatura do Departamento de Polícia de Laguna Beach que estava estacionada na manhã desta terça-feira (29). O sargento Jim Cota da polícia local informou que a vituara estava vazia no momento do acidente, mas que o condutor da Tesla sofreu ferimentos leves. Ainda assim, a viatura policial sofreu perda total após a colisão .

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Em entrevista ao jornal Los Angeles Times , o oficial relembrou que um ano atrás um outro acidente envolvendo um carro autônomo da Tesla ocorreu quando o veículo colidiu com uma caminhonete na mesma área do acidente de ontem. Ele chegou a perguntar "por que esses veículos continuam fazendo isso? Nós temos apenas sorte que as pessoas não estão se ferindo."

As investigações sobre as causas do acidente ainda estão sendo realizadas, mas um porta-voz da Tesla enviou um comunicado por email dizendo que "quando o modo piloto automático é usado, os motoristas são continuamente relembrados da sua responsabilidade de continuar com as mão nos volante e manter o controle do veículo em todos os momentos."

O comunicado também afirma que "a Tesla sempre deixou claro que o piloto automático não faz o carro insuscetível a qualquer acidente e antes que um motorista use o piloto automático, ele deve aceitar a caixa de diálogo que diz que esse modo foi projetado para uso em rodovias com um canteiro central e marcações claras de faixas."

Histórico da Tesla

Esse é apenas o último de uma extensa lista de acidentes envolvendo carros autônomos da Telas que inclui uma batida em Utah ainda esse mês que ocorreu enquanto o condutor estava olhando para o seu celular e duas batidas fatais, uma na Califórnia dois meses atra's e outra em 2016 que ocorreu na Flórida.

Lançado no final de 2015, o recurso de piloto automático da Tesla é dedicado a "aliviar os motoristas dos aspectos mais tediosos e potencialmente perigosos do deslocamento rodoviário" e inclui  recursos de segurança padrão com freios de emergência automáticos e avisos de colisão, mas não substitui a navegação por motoristas humanos.

Apesar das instruções aos motoristas antes de começar a usar o modo piloto-automático, porém, os críticos da montadora pediram que a empresa desabilite o recurso até que ele se torne mais seguro. O Consumer Reports , por exemplo, disse que o piloto automático dás aos motoristas uma "falsa sensação de segurança"e que "essas duas mensagens - seu veículo pode dirigir sozinho, mas você pode precisar assumir o controle a qualquer momento - criam potencial para confusão por parte do motorista".

A empresa de Elon Musk, porém, não passa por um bom momento acumulando dívidas e atrasos em entregas prometidas aos seus consumidores e só se mantém financeiramente estável por conta do grande otimismo do mercado com o empresário multibilionário. Essa viés otimista, no entanto, pode ser abalado por mais um acidente no histórico da Tesla. De qualquer forma, a empresa não parece determinada a fazer qualquer correção de rota nos seus planos de desenvolver um carro 100% autônomo.

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Outros acidentes recentes

Essa corrida para ver qual companhia será capaz de lançar ao mercado um carro que dispense completamente a necessidade dos motoristas está custando muito dinheiro e algumas vidas.

No começo desse mês, um acidente de carro ocorrido em Chandler, no estado de Arizona, causou polêmica nos Estados Unidos. Tudo porque um dos veículos envolvidos na colisão era um carro autônomo pertencente à Waymo, uma empresa cujo Google é dono. 

Segundo as autoridades locais, a Chrysler Pacifica da Waymo estava rodando de modo autônomo em fase de testes com um operador no banco do motorista quando um sedã Honda tentou desviar de um terceiro veículo e acabou invadindo a pista contrária onde estava o carro autônomo. A colisão na parte dianteira esquerda foi bem próxima do banco do motorista e acabou ferindo o condutor.

Na época, o investigador da polícia disse ao jornal local Phoenix New Times que “o carro da Waymo não é o veículo infrator. Ele apenas estava no lugar errado, na hora errada". No dia seguinte, porém, a polícia de Chandler divulgou uma nova versão dos fatos que indica que o outro carro envolvido no acidente entrou no cruzamento durante o sinal vermelho, mas que o algoritmo do carro do Google não foi capaz de prever a colisão e evitar o acidente. De qualquer forma, as autoridades locais concluíram que o veículo autônomo não teve culpa.

A Waymo, por sua vez, divulgou comunicado dizendo que "a missão da nossa equipe é tornar nossas estradas mais seguras – ela está no centro de tudo o que fazemos e motiva todos os membros de nossa equipe. Estamos preocupados com o bem-estar e a segurança de nosso piloto de testes e desejamos a ela uma recuperação completa .”

No vídeo abaixo é possível ver o momento em que a colisão acontece, gravada pela câmera no topo do carro do Google:

Já as imagens de helicóptero captadas pela rede ABC , do Arizona, momentos depois do acidente também dão uma noção do impacto, e dos estragos, causados pela colisão:

Esse, porém, não foi o acidente recente mais grave envolvendo carros autônomos. Em março desse ano, um veículo da Uber atropelou e matou uma mulher que atravessava fora da faixa de pedestres.

O acidente ocorreu em Tempe, subúrbio de Phoneix, no estado de Arizona. A investigação da polícia concluiu que, apesar da vítima de 42 anos, Elaine Herzberg, estar atravessando a via fora do local destinado para isso, o carro estava andando acima da velocidade máxima permitida na via e que a condutora-observadora que estava no banco do motorista parecia distraída por longos períodos, inclusive no momento imediatamente anterior ao acidente.

Além disso, a polícia também descobriu que o carro autônomo do Uber chegou a "ver" a vítima, mas decidiu não parar. Isso porque o software do veículo estava ajustado para ser mais lento nas reações e tomadas de decisão. A intenção seria preverir "falsos positivos" como uma sacola de plástico ou uma folhad e árvore que passasse pelo sensores do carro e provocassem freadas bruscas desnecessárias.

Essa atualização, no entanto, está sendo apontada como uma "causa provável" do acidente que matou a pedestre. Porém, as autoridades do Conselho Nacional de Segurança no Trânisto dos Estados Unidos estão divididas sobre a possibilidade de um condutor humano ter ou não condições de notar a mulher há tempo naquelas condições de visibilidade e velocidade.

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De qualquer forma, Uber, Tesla, Waymo e GM, as líderes desse segmento de carro autônomo se vêem às voltas com uma crise de confiança em relação a essa nova tecnologia. Resta saber se elas vão persistir até funcionar ou morrer tentando.

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