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Preocupado com polêmica que acabou se envolvendo na eleição presidencial americana, Facebook exporta recurso pela primeira vez para o Brasil. Confira

Facebook está preocupada com difamação entre candidatos sem autoria clara, problema que já enfrentou nas eleições presidenciais americanas
Reprodução/Facebook
Facebook está preocupada com difamação entre candidatos sem autoria clara, problema que já enfrentou nas eleições presidenciais americanas

As fake news são uma preocupação real. Sobretudo em época de eleições. Pelo menos é isso que o Facebook demonstra ao anunciar nesta quinta-feira (28) que implementará novas medidas de transparência para anúncios exibidos na rede social sendo a principal delas tornar explícito quando um conteúdo é propaganda eleitoral ou política.

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O Brasil será o primeiro país fora dos Estados Unidos a receber a atualização, mas a novidade chegará em duas fases. Primeiro, entre julho e agosto, com a inscrição dos políticos que desejam concorrer a cargos nas eleições de outubro. Depois, entre agosto e setembro, quando a campanha começa oficialmente e a propaganda eleitoral ou política será marcada na rede social.

A mudança que será chamada de "Categorização de Anúncios Políticos" quer informar os eleitores sobre quais peças publicitárias estão sendo bancadas por qual candidato. Dessa forma, o Facebook espera se isentar um pouco da responsabilidade pelas calúnias, difamações e mentiras que um candidato espalha sobre o outro em corridas eleitorais.

A ferramenta já funciona nos Estados Unidos, mas chegou tarde: durante as eleições presidenciais americanas em 2016, a campanha republicana do atual presidente Donald Trump abusou do recurso ainda pouco regulado para impulsionar anúncios no qual contava mentiras sobre a sua principal adversária, a democrata Hillary Clinton que também utilizou-se dessa artimanha, mas em escala menor e notadamente menos efetiva.

O chefe operacional do Facebook, Sheryl Sandberg, afirmou que esta "é uma ferramenta nova, então ainda estamos vendo mais detalhes e devemos obter mais feedbacks para aperfeiçoar." Ele também admitiu durante divulgação da novidade por videoconferência para jornalistas presentes nas sedes do Facebook em São Paulo, Nova York, Cidade do México e Menlo Park que a rede social vem "aumentando bastante seus esforços para reduzir abusos na rede social desde 2016, anos em que Donald Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos."

Acusada também de ter permitido a influência de russos na eleição americana, Sandemberg respondeu em nome do Facebook que prefiria não comentar sobre o assunto já que a investigação segue em andamento, mas reforçou que "estamps procurando mais contas falsas. Fizemos muito isso nas eleições na França, mas os atrasos nas checagens ainda ocorrerão, devido à necessidade da equipe do Facebook de apurar os detalhes das denúncias de abusos e obter cópias dos documentos dos envolvidos."

Como a propaganda eleitoral será marcada?

No vídeo abaixo, o Facebook demonstrou com mais exatidão como a nova ferramenta irá funcionar. Nele é possível notar que todos os anúncios políticos serão identificados com uma marcação no canto superior direito que identificará quem pagou para impulsionar tal conteúdo.

O Facebook também explicou que partidos e coligações autorizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a participar das eleições terão direito a realizar essa marcação e demonstrou que nos Estados Unidos, já é possíbel buscar, através de um URL dedicada só para isso, todos os anúncios políticos segmentados por palavra-chave o que, inclusive, deve ajudar jornalistas a catalogarem todos os anúncios ativos ou inativos publicados ou impulsionados por candidatos.

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Nessa URL, porém, as informações sobre cada anúncio serão um pouco mais limitadas do que as acessíveis em uma peça de cada vez. Neles, clicando na marca que ficará no canto superior direito da imagem ou texto de caráter eleitoral, será possível ver a segmentação do anúncio, isto é, ao público de qual idade, região, gênero ou interesses esse anúncio se destina, além de poder visualizar quem pagou por ele e uma estimativa do valor investido nessa publicidade.

Outras empresas e aplicativos que pertencem ao Facebook também receberão o mesmo nível de transparência nos anúncios ou propaganda eleitoral, entre eles o Instagram e o Facebook Messenger. Dessa forma, o vice-presidente do Facebook na América Latina, Diego Dzodan, afirmou:

"Essa transparência é boa para todos. O espírito é promover o uso correto da plataforma. Sempre haverá pessoas mal intencionadas na plataforma, mas estamos tentando minimizar os riscos com essas novidades."

Apesar disso, ainda restam muitas dúvidas sobre o funcionamento da ferramenta sobre as quais o Facebook limitou-se a dizer que "serão respondidas nas próximas semanas". A equipe de comunicação da rede social afirmou que ainda cabe ao TSE apurar determinados tipos de abusos, como entidades e pessoas não cadastradas realizando propaganda dissimulada ou extra-oficial (algo que deve acontecer bastante), por isso mesmo detalhes sobre como o recurso será utilizado na prática permanecem em aberto.

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De qualquer forma, a tentativa do Facebook de dar mais transparência aos anúncios e a propaganda eleitoral parece válida. Vale dizer que a rede já tinha anunciado que agências que realizam a chegagem de fatos como a Agência Lupa e a Aos Fatos trabalharão em conjunto com a plataforma para tentar minimizar o impacto das fake news nas eleições brasileiras.

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