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Em estudo da Alemanha, a dupla de pesquisadores acompanhou o comportamento da página neonazista "Alternative for Germany", popularmente conhecida por movimentar discursos antirrefugiados

Pesquisa pontua que não é o discurso de ódio no Facebook responsável pelos casos de agressão fíísica contra refugiados
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Pesquisa pontua que não é o discurso de ódio no Facebook responsável pelos casos de agressão fíísica contra refugiados

Você já deve ter ouvido alguém justificar alguma ideia com a frase: 'só estou dando minha opinião?'. Uma pesquisa conduzida por Karsten Müller e Carlo Schawarz, da Universidade de Warnick, na Alemanha, revelou que o aumento de postagens de discurso de ódio no Facebook contra refugiados estão intimamente ligados ao crescimento de crimes contra o grupo.

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A reportagem publicada pelo portal internacional TechCrunch explica que, inicialmente, os pesquisadores tinham a teoria de que o discurso de ódio no Facebook são como ondas do “sentimento antirrefugiados” por parte da direita, que resultam em crimes reais. E, como ondas, se propagam como qualquer outra, seja pela TV, por boca a boca, rádio e redes sociais.

Na hipótese, a dupla então se perguntou: se o discurso contra refugiados se espalha pelas redes sociais, então podemos esperar que mais crimes contra esses grupos aconteçam em locais onde há mais uso de mídia social, certo?

A fim de responderem essa questão, Müller e Schawarz usaram duas páginas do Facebook para medir o uso da mídia social, uma relacionada ao público em geral e outra específica, voltada para grupos neonazistas da Alemanha .

Para medir a atividade da extrema-direita , eles acompanharam a página xenofóbica Alternative for Germany (Alternativa para a Alemanha, em tradução livre), que é a facção política anti-refugiados mais popular do país, muito conhecida pelos alemães por não conter a violência de seus seguidores. Já para medir o uso geral do Facebook, eles usaram a página alemã da Nutella.

“Descobrimos que os crimes de ódio contra refugiados aumentam desproporcionalmente em áreas com maior uso do Facebook durante períodos de expressão de sentimentos xenofóbicos contra esses grupos. Este efeito fica ainda mais nítido com incidentes violentos contra o grupo de imigrantes, como incêndio criminoso e violência física”, apontam os estudiosos no artigo.

Além disso, os pesquisadores chegaram à estimativa de que a atividade na mídia social pode ter aumentado ataques em 13%.

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 Não é o discurso de ódio no Facebook que gera a violência física

Discurso de ódio no Facebook acontece mais em locais historicamente marcados pela xenofobia
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Discurso de ódio no Facebook acontece mais em locais historicamente marcados pela xenofobia

Ainda no artigo, os pesquisadores pontuam que, ao contrário do que se pode pensar, não são as mídias sociais que causam crimes contra refugiados.

“Nosso argumento é que as mídias sociais podem funcionar como um mecanismo de propagação para o surto de sentimentos de ódio. As evidências que apresentamos sugerem que tais sentimentos nas redes sociais podem aumentar seu efeito sobre os ataques xenofóbicos”, dizem.

Para reforçar esse ponto, Müller e Schawarz afirmaram que os lugares onde os ataques acontecem são, com frequência, aqueles já marcados historicamente pelo nazismo e neonazismo.

Contudo, o Facebook tem um papel fundamental na hora de ‘espalhar o ódio’, uma vez que ficou evidenciado também que, quando a rede social não está disponível, os índices de agressão caem.

Durante a pesquisa, houve momentos em que a rede social saiu do ar e que afetou consideravelmente os padrões até então analisados. “Os efeitos das postagens com discurso de ódio contra refugiados em relação aos crimes de ódio desaparecem essencialmente durante semanas de grandes interrupções do Facebook”, apontam.

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