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Ativar certos mecanismos nos dispositivos eletrônicos e manter um diálogo com os filhos é um caminho para garantir que tenham segurança virtual

Nos últimos anos, as redes sociais foram tomadas diversas vezes pelo desespero de pais e responsáveis diante de desafios como o da  Boneca Momo e da Baleia Azul. Ambos tinham como o foco crianças e adolescentes, induzindo-os a comportamentos violentos que incitavam o suicídio. Nesse contexto, saber como garantir a segurança na internet passou a ser fundamental.

Menina assustada olhando o celular
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Desafios como o da Boneca Momo e da Baleia Azul ameaçam a segurança na internet de crianças e adolescentes

Afinal, acredita-se que os desafios estavam presentes em sites e aplicativos que crianças e adolescentes se conectam diariamente para se divertir ou conversar com os amigos – como o WhatsApp e YouTube. No entanto, apesar de existir a preocupação com a segurança na internet , nem sempre os pais sabem como agir.

“É possível impedir o acesso a certos sites?”, “Como saber que meu filho não acessará um conteúdo violento?” e “Devo controlar tudo o que meu filho acessa?” são algumas dúvidas que afligem os adultos.

Principalmente porque não necessariamente os filhos terão acesso ao desafio da Baleia Azul ou da Boneca Momo completo. Eles podem nem mesmo saber que se trata de um desafio. Na verdade, uma simples imagem da Momo na timeline pode ser o suficiente para assustar uma criança.

Cenas violentas de filmes, novelas e seriados também podem ser acessados, tendo um impacto forte. Além disso, há sempre a ameaça de estranhos mal intencionados entrarem em contato com seu filho nas redes sociais.

Como garantir a segurança na internet?

Família usando tablet
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Manter o diálogo e se aproximar dos hábitos virtuais dos seus filhos é uma maneira de garantir a segurança na internet

Diante de tudo isso, é possível garantir a segurança na internet? Sim, é possível. Adotar algumas condutas no dia a dia da família e ativar mecanismos de proteção nos dispositivos eletrônicos são caminhos para impedir que crianças e adolescentes acessem conteúdos impróprios e violentos.

Além disso, apesar do desespero ao ficar sabendo dos desafios e outras situações de abuso, tudo isso pode ser encarado como um bom momento para construir um diálogo com os filhos e reavaliar o uso da internet.

Em entrevista ao site “O Globo”, a educadora Andrea Ramal reforça a necessidade de diálogo para introduzir a segurança na internet aos hábitos dos filhos diante das telas. “A mesma postura dos pais, que já orientam a não conversar com estranhos no mundo real, deve ser tomada em relação à internet”.

Para Darlise Neves, psicóloga especialista em saúde mental, é fundamental ensinar aos filhos a importância do “não” para mantê-los longe dos desafios que incitam a violência. “Como vivemos em uma sociedade competitiva, é importante frisar que não ceder a esses tipos de desafios é ser inteligente e que dizer ‘não’ também é um ato de coragem”, afirma em entrevista ao mesmo veículo.

Muitas vezes, o primeiro impulso dos pais é proibir e manter os filhos longe dos dispositivos móveis. No entanto, a proibição nunca é o melhor caminho. Deixar o canal da comunicação aberto é a melhor forma de fortalecer o vínculo de confiança. Dessa forma, crianças e adolescentes se sentirão mais seguros para contar algo que viram na internet que foge do normal.

Uma alternativa à proibição é o controle do tempo de acesso à internet. Segundo a Academia Americana de Pediatria (AAP), indica-se no máximo uma hora de tela dos 18 meses aos cindo anos de idade. O período deve ser fracionado ao longo do dia e com conteúdo pedagogicamente responsável – que deve ser sempre analisado e aprovado pelos pais.

A partir dos seis anos de idade, cabe aos responsáveis estabelecer esse limite. Em entrevista prévia ao Delas , Deborah Moss, neuropsicóloga e mestre em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP, reafirma a necessidade de controle do tempo e completa: “Deve-se oferecer outras possibilidades para aproveitar o tempo livre”.

Mecanismos para a segurança virtual

família usando computador e tablet
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Ativar mecanismos de segurança virtual nos dispositivos móveis é uma forma de impedir o acesso a conteúdos impróprios

Pais e responsável também podem – e devem – ativar mecanismos nos dispositivos móveis para a segurança virtual . De acordo com Simone Markenson, coordenadora do curso de Ciência da Computação da Unisuam, tanto no computador quanto nos celulares existe uma opção de “controle” parental, onde habilitam aquilo que os filhos podem ou não fazer nos dispositivos.

“É possível listar os sites que o filho poderá acessar, autorizar ou proibir aplicativos de serem baixados, impedir uma navegação invisível”, fala Simone. Veja os mecanismos para a segurança na internet :

No Windows 10

  • Criar conta

» Clicar com botão direito no ícone do Windows (barra de tarefa) e selecionar configurações.

» Selecionar Contas.

» Selecionar Família e outros usuários.

» Clicar no + ao lado de "adicionar um membro da família".

» Indique que o novo usuário é criança. Será solicitado um endereço de e-mail, que pode ser ou seu ou ser criado na hora clicando no link em azul.

» Será enviado um e-mail de autorização.

» Vai aparecer um link azul escrito "gerenciar configuração de família online".

  • Gerenciar conta

» No site da microsoft que abrirá após o link anterior ter sido selecionado, podem ser feitas todas as configurações, como restrição de conteúdo.

» Outra opção é retornar ao menu configuração (onde estava o ícone contas) e selecionar "atualização e segurança". Nesse caso, escolha depois "Segurança do Windows" e "opções da família". O resultado é o mesmo.

No Iphone

» Ajustes/ Tempo de Uso: abre uma tela onde podem ser configurados horários de repouso, limites de tempo para aplicativos, conteúdo e privacidade para cada aplicativo. 

» É importante definir uma senha para alterar as configurações. 

No Google Play

» Clique nos três tracinhos no canto superior esquerdo.

» Escolha o ícone "Configurações".

» Abaixo do tópico "Controles de usuário", ative o "Controle dos pais".

» Defina uma senha (apenas números) e configure os tipos de aplicativos, filmes e músicas seu filho pode baixar.

No Youtube

» Vá no ícone "Conta" (fica no lado superior direito da tela), clique em "Configurações".

» Escolha opção "Gerais" e ative o "Modo restrito".

» Esta opção vai impossibilitar que seu filho veja vídeos que foram denunciados ao Youtube.

Esses mecanismos são eficientes, mas é importante ter em mente que sozinhos não garantem a proteção dos filhos. A conversa não deve ser substituída, mas, sim, caminhar lado a lado a outros recursos para a segurança na internet .

* Com informações da Agência O Globo