Clientes acumulam assinaturas de plataformas de streaming
Unsplash/Piotr Cichosz
Clientes acumulam assinaturas de plataformas de streaming



Mais uma plataforma de streaming vai desembarcar no Brasil em breve, já que a Warner anunciou que o HBO Max chegará ao país em junho . O anúncio veio pouco depois da chegada do Disney+ por aqui, em novembro passado .

Novas plataformas acabam movimentando o mercado de streaming e, sobretudo, o bolso dos consumidores. Se antes os clientes pagavam um valor mensal para assistir a diversos canais de televisão, hoje é possível pagar bem menos para assinar um serviço de streaming. 

A questão é que, com tanta variedade no mercado e com a aposta das plataformas em conteúdos exclusivos, muitos clientes acabam assinando mais de um serviço. É o caso do César Augusto de Souza, engenheiro eletrônico de 30 anos, que tem conta na Netflix , Amazon Prime Video e Disney+ .

"Assino os três streamings pela diversidade de conteúdo. Já tenho Netflix há bastante tempo, e quando a Amazon apareceu, com filmes mais recentes e com valor bem acessível, acabei assinando. E o que me fez assinar a Disney+ foi o conteúdo exclusivo de Star Wars e Marvel, do qual sou muito fã".

E essa coleção de assinaturas pode acabar pesando no bolso. "No fim de tudo, se colocar na ponta do lápis, o gasto com streaming acaba ficando um pouco alto", diz César.

“Olhando pelo lado de variedade de conteúdos, a competição entre as plataformas acaba contribuindo para que o público tenha acesso a uma ampla gama de conteúdos, o que pode ser benéfico. Pelo lado financeiro, porém, entendo que colecionar assinaturas prejudica diretamente o bolso dos usuários e faz com que o usuário pague cada vez mais por conteúdos que não o interessam”, opina Ricardo Kurtz, fundador e CEO do ZoOme.TV , plataforma de streaming de vídeo.

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E esse peso no bolso já vem incomodando muitos clientes. Uma pesquisa da Kantar IBOPE Media mostrou que 49% dos brasileiros afirmam que um menor custo mensal é um dos fatores que chamam a atenção na hora de escolher uma plataforma de streaming. Essa é uma das explicações pelas quais o Amazon Prime Video cresce mais que a Netflix no Brasil .

Ainda de acordo com a Kantar, dentre o público que se interessa em valores mais atrativos, 55% prefere assistir a publicidade para não pagar nada pelo conteúdo.

Mudanças podem acontecer

Para Ricardo, o modelo de negócios da maior parte das plataformas de streaming pode não ser o melhor para os usuários. Os serviços apostam em conteúdo exclusivo para atrair os consumidores, mas geralmente o restante do catálogo não é tão relevante para todos. Isso gera, então, a coleção de assinaturas.

“As pessoas acabam assinando mais de uma plataforma porque, apesar da quantidade de conteúdos, existe uma limitação em relação aos que realmente atendem o gosto dos usuários. É normal também que o assinante consuma todo o conteúdo de sua preferência em um curto espaço de tempo, esgotando as suas possibilidades e sendo obrigado a aguardar lançamentos ou a procurar novas plataformas que ofereçam outros conteúdos”, analisa o empresário.

Aguardar lançamentos é justamente o motivo pelo qual César diz não conseguir cancelar sua assinatura nas plataformas. "A verdade é que agora não consigo desapegar de nenhuma das três pois sei que volta e meia tem lançamentos exclusivos, e não vou querer ficar sem assistir".

Ricardo acredita que, no futuro, essa imensa variedade de plataformas vai acabar acarretando em mudanças no mercado, abrindo espaço para a compra de títulos específicos, e não de catálogos completos. Esse já vem sendo, inclusive, o modelo no qual alguns serviços, como Looke , Google Play Store e Now , que apostam em conteúdo alugado .

“Vejo que o mercado de streaming está passando por um ciclo natural. Isto é, quando um modelo de negócio começa a crescer, muitos empresários percebem o cenário vantajoso e criam seus próprios produtos. Com o passar do tempo, porém, alguns ficam pelo caminho e outros acabam concentrando o mercado, até o surgimento de novas tendências ou ideias inovadoras e disruptivas que descentralizam a concorrência, proporcionando outras soluções para os usuários. No meu ponto de vista, essa disrupção passará obrigatoriamente por cardápios de conteúdos mais customizáveis e cobrados através de micro-pagamentos e não de receitas sobre uma biblioteca ampla, mas que pouco interessa na totalidade”, afirma Ricardo.

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