Amazon terá rede de internet via satélite
Unsplash/Donald Giannatti
Amazon terá rede de internet via satélite

A Amazon anunciou nesta terça-feira (5) acordos com as empresas Arianespace, Blue Origin, de Jeff Bezos, e United Launch Alliance (ULA) para lançar até 83 foguetes levando seus satélites em órbita baixa da Terra, para ter sua própria rede de internet banda larga, no que se acredita ser a maior aquisição desse tipo na história da indústria espacial.

"Os contratos prevêem até 83 lançamentos ao longo de um período de cinco anos, permitindo que a Amazon implante a maioria de sua constelação de 3.236 satélites", disse a empresa em comunicado.

De acordo com o jornal britânico Financial Times, os acordos fornecerão a espinha dorsal do Projeto Kuiper, a rede de banda larga de alta velocidade da Amazon destinada a consumidores, empresas, agências governamentais e outros usuários com problemas de conectividade.

Com o projeto, a Amazon pretende competir com o Starlink, do bilionário Elon Musk, que lançou mais de 2.000 satélites e possui velocidades de download de até 200 megabits por segundo.

A gigante do e-commerce informou ainda que, atualmente, conta com mais de 1.000 funcionários trabalhando no Projeto Kuiper, principalmente em engenharia e desenvolvimento. O programa, que terá como foco o fornecimento de internet para comunidades carentes, exige o desenvolvimento de uma antena de baixo custo para receber o sinal.

O custo total e o cronograma de lançamento acordado para tornar o Projeto Kuiper uma realidade não foram divulgados, mas a Amazon indicou que está "investindo bilhões de dólares nos três contratos". Um executivo da Amazon disse ao Financial Times que a empresa investiria "não menos de US$ 10 bilhões" no projeto total.

"Ainda temos muito trabalho a fazer, mas a equipe continuou a alcançar marco após marco em todos os aspectos do nosso sistema de satélites", disse o vice-presidente da Amazon, Dave Limp, no comunicado.

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O órgão regulador de comunicações dos EUA deu um prazo para que o Projeto Kuiper tenha pelo menos metade de seus satélites em órbita terrestre baixa até julho de 2026. Duas missões protótipo devem ser lançadas ainda este ano com um provedor diferente, a ABL Space Systems, acrescenta o jornal.

Os contratos com cada empresa

A  United Launch Alliance (ULA) obteve o maior número de contratos, com 38 lançamentos no Vulcan Centaur, seu mais novo veículo de lançamento de carga pesada.

O acordo com esta joint venture entre as gigantes americanas Boeing e Lockheed Martin, também inclui investimentos em infraestrutura terrestre em Cabo Canaveral, na Flórida, para uma segunda plataforma naquele local emblemático da história espacial. A Amazon já havia encomendado nove lançamentos usando o foguete Atlas da ULA.

Por sua vez, a Blue Origin, que como a Amazon foi fundada pelo bilionário Jeff Bezos, garantiu 12 lançamentos do Projeto Kuiper em seu foguete, New Glenn, com opções para até mais 15. O New Glenn, que estava programado para ser lançado em 2020, foi repetidamente adiado e seu primeiro lançamento não ocorrerá até 2023, no mínimo. Mas a empresa de Bezos também se beneficiará do contrato da ULA porque fabrica os motores para seu foguete Vulcan Centaur.

A única participante não americana, a francesa Arianespace, vai fornecer 18 foguetes ao longo de três anos para o Projeto Kuiper. "Este é de longe o contrato mais importante já alocado para lançadores", disse Stéphane Israël, executivo-chefe da Arianespace, o fornecedor europeu de foguetes de propriedade conjunta da Airbus e da Safran. Isso mostra a determinação da Amazon em continuar a todo vapor com o projeto Kuiper.

Israel se recusou a revelar o valor do contrato, mas disse que certamente foi o maior acordo comercial que sua empresa fechou, representando mais que o dobro da capacidade de seu maior contrato comercial anterior.

A Arianespace lançou 15 missões bem-sucedidas no ano passado em seu foguete Ariane 5, incluindo o Telescópio Espacial James Webb da Nasa. O acordo com a Amazon é uma grande vitória para o mais novo foguete da empresa francesa, o Ariane 6, que fará seu voo inaugural no final do ano.

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