
A Meta se prepara para demitir cerca de 1.500 funcionários da divisão Reality Labs, o equivalente a aproximadamente 10% da força de trabalho da unidade, que soma cerca de 15 mil pessoas. As dispensas podem começar ainda nesta semana e fazem parte de uma mudança estratégica da companhia para priorizar investimentos em inteligência artificial.
Segundo informações do New York Times, os cortes devem afetar principalmente equipes envolvidas no desenvolvimento de headsets de realidade virtual e da rede social em VR da empresa. Ao mesmo tempo, executivos vêm destinando bilhões de dólares para pesquisas em IA, construção de data centers e criação de óculos inteligentes.

O diretor da Meta AI
O diretor de tecnologia da Meta e chefe da Reality Labs, Andrew Bosworth, convocou uma reunião geral para esta quarta-feira, pedindo que os funcionários compareçam presencialmente. De acordo com fontes ouvidas pelo Business Insider, o encontro foi descrito internamente como o “mais importante” do ano.
A Reality Labs tem sido um peso constante nas finanças da Meta. Desde 2020, a divisão acumulou mais de US$ 70 bilhões (R$ 376.095.983.900,00) em prejuízos, reflexo da demanda abaixo do esperado por dispositivos de realidade virtual no mercado consumidor.

As demissões ocorrem em paralelo a uma ordem do CEO Mark Zuckerberg para que executivos reduzam os orçamentos de 2026. A medida busca compensar os investimentos de dezenas de bilhões de dólares em inteligência artificial, incluindo o fortalecimento do laboratório experimental TBD Lab, responsável por desenvolver o que Zuckerberg já chamou de “superinteligência”.
Para sustentar essa ofensiva, a Meta tem oferecido pacotes de remuneração elevados para atrair pesquisadores e engenheiros de ponta em IA, além de firmar acordos considerados caros para acelerar seus planos.

Em 2025, a empresa investiu US$ 14,3 bilhões (R$ 76,91 bilhões) na Scale AI e trouxe o CEO da companhia, Alexandr Wang, como parte de uma reformulação mais ampla de sua estratégia no setor.
No fim do ano passado, a Meta também chamou atenção ao adquirir por mais de US$ 2 bilhões (R$ 10 bilhões) a Manus, uma startup de agentes de IA em rápido crescimento.
Internamente, a empresa promoveu mudanças significativas no sistema de avaliação e bonificação dos funcionários. Documentos obtidos pelo Business Insider revelam a criação de um novo programa de desempenho, chamado Checkpoint, que aumenta de forma expressiva os bônus para os melhores avaliados.

Pelo novo modelo, um grupo seleto de profissionais poderá receber bonificações de até 300% do valor-base, em uma tentativa de recompensar o que a companhia define como “impacto verdadeiramente excepcional”.
O processo de avaliação passa a ter quatro níveis, com cerca de 20% dos empregados classificados como “Outstanding”, aptos a receber o dobro do bônus, enquanto aproximadamente 70% devem ficar na categoria “Excellent”, com multiplicador de 115%.
Funcionários que não atingirem as expectativas não receberão bônus, reforçando uma curva de desempenho mais rígida. As mudanças entram em vigor em meados de 2026 e seguem a pressão de Zuckerberg por uma cultura mais exigente, após um período marcado por demissões e cobrança por maior produtividade com equipes menores.
Embora a Meta afirme que o novo sistema busca reduzir burocracia e liberar tempo de trabalho, o anúncio aumentou a apreensão entre empregados, especialmente diante do cenário de cortes e da sinalização de que salários, promoções e permanência na empresa dependerão cada vez mais de resultados mensuráveis.
A reportagem procurou a Meta para comentar o assunto, mas não obteve resposta até a publicação.